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Rafael Reis


Barça vendeu Ronaldinho por ser má influência para Messi: verdade ou lenda?

Ronaldinho e Messi nos tempos em que eles jogavam juntos no Barcelona - Denis Doyle/Getty Images
Ronaldinho e Messi nos tempos em que eles jogavam juntos no Barcelona Imagem: Denis Doyle/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

12/03/2020 04h20

Preso no Paraguai desde a semana passada por carregar passaportes falsos, Ronaldinho Gaúcho marcou época no Barcelona, mas acabou liberado pelo time catalão porque estava se tornando uma má influência para Lionel Messi.

Você provavelmente já ouviu essa história, que circula há anos pelos mais variados sites de notícias e faz sucesso nas redes sociais.

Mas será que isso realmente aconteceu? O craque brasileiro realmente foi embora do clube em que até hoje é ídolo para não levar Messi para o "mau caminho"?

Ou será que essa história é apenas mais uma das várias lendas urbanas que fazem tanto sucesso no mundo do futebol, como o autismo do próprio camisa 10 argentino e a transexualidade de Marco Verratti, meia italiano do Paris Saint-Germain?

Ronaldinho jogou pelo Barcelona entre 2003 e 2008, período em que levou os catalães à conquista de uma edição da Liga dos Campeões (2006) e em que foi eleito duas vezes o melhor jogador do planeta (2004 e 2005).

Doze anos atrás, quando foi negociado com o Milan, o astro brasileiro já não vivia seus melhores dias e havia sido superado por Messi como o protagonista da equipe. Relatos da imprensa catalã da época deixam claro que ele estava abusando da vida noturna.

A conexão entre os dois cenários foi feita pelo jornalista escocês Graham Hunter. Em seu livro "Barça", que detalha a passagem do técnico Pep Guardiola no clube, ele afirma que Ronaldinho, assim como o ex-meia Deco, foram negociados para não estragar o novo craque que estava surgindo.

O livro traz uma declaração de Marc Ingla, então vice-presidente de marketing e mídia, em que ele diz textualmente que "para fazer o potencial e a imagem de Messi decolarem de uma vez, precisávamos nos desfazer" dos dois brasileiros, com quem o argentino, então com 21 anos recém-completados, tinha uma ligação muito próxima.

O meia bielorrusso Alexander Hleb, que chegou ao Barça logo depois da negociação de Ronaldinho, ajudou a espalhar a história. No ano passado, ele deu uma entrevista na qual afirmou que o antigo camisa 10 e "Deco treinavam bêbados" e que foram negociados para não estragar Messi.

Outros dirigentes do primeiro escalão do clube, como o então presidente Joan Laporta, nunca falaram abertamente sobre essa história. A negociação do brasileiro para o Milan rendeu pouco mais de 24 milhões de euros (R$ 126, milhões na cotação atual), valor que foi muito criticado pelos torcedores.

Evidentemente, Ronaldinho sempre negou que esse tenha sido o motivo da sua saída da Catalunha. Em 2018, ele disse à revista inglesa "FourFourTwo" que foi para o Milan graças a um conselho de Frank Rijkaard, seu antigo treinador no futebol espanhol, e que sempre tentou ser uma boa influência para seu sucessor na equipe culé.

Ronaldinho e seu irmão, o também ex-jogador e empresário Assis, foram detidos na quarta-feira da semana passada por terem entrado no Paraguai utilizando documentos ilegais (passaportes do próprio país, que continham seus nomes, mas números falsos).

Os dois tiveram a prisão preventiva decretada devido ao risco de fuga para o Brasil, que não tem costume de extraditar seus cidadãos para outros países, mesmo quando eles são condenados no exterior.

A defesa da dupla chegou a entrar com um pedido de prisão domiciliar, mas que foi prontamente rejeitado pela Justiça.

O caso deu origem a uma "bola de neve" no Paraguai. As primeiras investigações levaram a funcionários públicos e integrantes do governo, que estariam envolvidos em uma rede de fraudes nos setores de viação e imigração do país.

Rafael Reis