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Rafael Reis


Para fugir do coronavírus, time chinês treina a 12 mil km de casa

Léo Baptistão, atacante do Wuhan Zall, time da cidade que é o epicentro do novo coronavírus - Divulgação
Léo Baptistão, atacante do Wuhan Zall, time da cidade que é o epicentro do novo coronavírus Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

16/02/2020 04h00Atualizada em 16/02/2020 10h13

Há 18 dias, os jogadores do Wuhan Zall, da primeira divisão chinesa, treinam a 12 mil quilômetros de distância de casa, sem saber quando vão poder retornar para o convívio de seus familiares e sem nenhuma ideia de quando voltarão a disputar uma partida oficial de futebol.

O time da cidade que é o epicentro da epidemia do novo coronavírus, designado Covid-19, está na Espanha desde a última semana de janeiro.

A ideia, anterior ao aparecimento da doença e ao clima de pânico que se instaurou em boa parte do planeta, era realizar a pré-temporada na Europa e viajar de volta à Ásia em 18 de fevereiro para iniciar a disputa do Campeonato Chinês.

Só que a competição, que teria início no próximo dia 22, foi adiada indefinidamente. E levar 50 pessoas, entre jogadores e membros da comissão técnica, que estão saudáveis para Wuhan não é, neste momento, uma opção das mais inteligentes.

A cidade concentra a maior parte dos casos da doença que surgiu no fim do ano passado e se tornou uma epidemia em janeiro. Até o momento, a China já registrou mais de 68 mil infectados pelo vírus, com 1.662 mortos.

Quase 95% dos casos fatais da doença aconteceram na província de Hubei, que tem Wuhan como capital e cidade mais populosa.

"Tentamos fazer com que os jogadores pensem apenas no futebol. Mas, não temos como entrar na cabeça deles. Não sabemos no que eles estão pensando. Eles têm pais, mulheres e filhos que estão trancados em casa, lá na China. E isso não podemos controlar", afirmou o técnico do time, o espanhol José González, ao jornal "Marca".

Logo que chegaram à Espanha, os integrantes da delegação do Zall eram submetidos a exames diários para detectar qualquer indício de contaminação.

De acordo com o "Marca", apesar de nenhum atleta ter desenvolvido a doença, o time precisou buscar um novo campo para realizar seus treinamentos, já que a reserva original foi cancelada pelos donos do estabelecimento, e teve algumas recusas de convites para amistosos.

"Aqui, estamos vivendo na normalidade. Tivemos problemas com alguns rivais, mas tudo vai começar a se normalizar. O campeonato foi adiado. Então, precisamos buscar outros caminhos para os treinos. Afinal, não dá para pensar ainda na briga por vaga na equipe porque estamos em competição", completou González.

Dois brasileiros fazem parte do elenco do Zall: os atacantes Rafael Silva (ex-Coritiba) e Léo Baptistão (ex-Atlético de Madri e Villarreal). Nenhum deles esteve em Wuhan desde a eclosão da epidemia, já que saíram das férias de fim de ano direto para a pré-temporada na Espanha, sem viajar para a China.

O Wuhan Zall é tradicionalmente um time pequeno do cenário chinês e foi campeão da segunda divisão em 2018. Na temporada passada, fez uma temporada acima do esperado para uma equipe recém-promovida e terminou a competição no sexto lugar.

Devido à epidemia de coronavírus e às incertezas sobre o calendário de 2020, o clube ainda não contratou nenhum reforço para este ano. A única movimentação relevante no seu elenco foi a saída do volante camaronês Stéphane Mbia (ex-Sevilla e Olympique de Marselha) para o Shanghai Shenhua.

Rafael Reis