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Rafael Reis


"Shakhtar de Portugal" rouba a cena e é até mais brasileiro que o original

Bruno Tabata, destaque do Portimonense, fez parte da seleção pré-olímpica do Brasil - Reprodução
Bruno Tabata, destaque do Portimonense, fez parte da seleção pré-olímpica do Brasil Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

15/02/2020 04h00

Foi-se o tempo em que o Shakhtar Donetsk podia encher o peito e se autoproclamar o time mais brasileiro do futebol europeu.

Não que a equipe ucraniana tenha abandonado a ideia de explorar ao máximo o talento verde e amarelo. Os 14 jogadores nascidos na terra de Ronaldo, Romário e Neymar presentes no seu elenco atual são prova de que o projeto segue a pleno vapor.

Mas a cidade de Portimão, localizada no extremo sul de Portugal e com cerca de 55 mil habitantes, abriga uma comunidade futebolística brasileira ainda maior.

Em sua terceira temporada consecutiva na primeira divisão lusa, o Portimonense já utilizou 19 jogadores do país pentacampeão mundial. Isso sem contar os brasileiros espalhados pelas categorias de base, pela comissão técnica e até pela diretoria.

O time português investe tão pesado na antiga colônia que até emplacou um nome na seleção sub-23 que conseguiu a classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020: o atacante Bruno Tabata, revelado pelo Atlético-MG e que está por lá há quase quatro anos.

O meia-atacante Lucas Fernandes, que começou a carreira no São Paulo, foi emprestado ao Portimonense e depois teve os direitos econômicos adquiridos pelo clube, também chegou a fazer parte das convocações de André Jardine.

Além de Tabata e Lucas, o lateral esquerdo Júnior Tavares e o meia Dener, também crias do Morumbi, são outros jogadores relativamente conhecidos que fazem parte do elenco alvinegro.

O capitão do time, o zagueiro Jadson, que atuava em times pequenos do Rio de Janeiro antes de se mudar para Portugal, também é brasileiro, assim como o auxiliar Pedro Silva, ex-lateral direito que jogou no Palmeiras, no Santos e no Corinthians.

Mas, afinal, por que o Portimonense gosta tanto de jogadores oriundos do Brasil? Talvez porque o próprio dono do clube seja brasileiro.

Proprietário de 90% das ações da agremiação, Theodoro Fonseca foi ex-jogador do Corinthians e do Fluminense, trabalhou com Ayrton Senna, agenciou o atacante Hulk e foi parceiro comercial do empresário Juan Figer durante décadas.

No clube que dirige, ele se aproveita dessa rede de contatos que construiu ao longo da carreira, para levar à Europa jovens brasileiros garimpados no futebol nacional e exibi-los na vitrine do Campeonato Português.

"O nosso projeto é descobrir jovens e fazer com que sintam a cidade, o Algarve e o Portimonense, para dar frutos no futuro. Não quero nada de um dia para o outro", afirmou o agente e cartola, ao jornal "O Jogo", no mês passado.

Mesmo com uma farta legião brasileira à disposição, o Portimonense não tem feito bonito nesta temporada, não. A equipe alvinegra está seriamente ameaçada de rebaixamento. Até o início da 21ª rodada do Português, ocupava a penúltima colocação, com 14 pontos, só dois a mais que o lanterna Desportivo Aves.

A desvantagem para o Belenenses, 15º colocado e primeiro time fora do descenso, já era de quatro pontos. Lá na frente, a liderança é do Benfica, que tem quatro pontos a mais que o Porto.

Rafael Reis