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Rafael Reis


O dia em que Luxemburgo tirou Zidane de campo e pagou caro por isso

Vanderlei Luxemburgo e Zinedine Zidane se entenderam por pouco tempo no Real Madrid - Reprodução
Vanderlei Luxemburgo e Zinedine Zidane se entenderam por pouco tempo no Real Madrid Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

14/02/2020 04h00

Classificação e Jogos

Vinte e nove minutos do segundo tempo. O Real Madrid empatava sem gols com a Juventus, fora de casa, e estava se classificando para as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, quando Vanderlei Luxemburgo decidiu tirar Zinédine Zidane de campo para colocar Guti e aumentar o poder de marcação do time.

A substituição, realizada no dia 9 de março de 2005, acabou se transformando em um símbolo do começo do fim da passagem do treinador brasileiro pelo clube mais vitorioso do futebol mundial.

Afinal, aquela mudança foi desastrosa. Um minuto depois da saída de Zidane, a Juventus marcou o gol que levou a disputa para a prorrogação. Já na etapa final do tempo extra, quando David Beckham e Raúl também haviam sido substituídos, os italianos fizeram o segundo e definiram o mata-mata.

Além de ter provocado a eliminação na Champions, o torneio mais importante do calendário e um baque nas pretensões de qualquer treinador de um clube de ponta, o erro de Luxemburgo teve um outro efeito prático: a desconfiança do galáctico elenco madrileno em relação ao brasileiro.

Uma cena deixa bem clara essa ruptura. Depois da partida, Luxemburgo foi conversar com Zidane, que estava todo irritado com os acontecimentos no gramado em Turim, e ouviu dele um autêntico "pito".

"Senhor, você não trabalha no futebol europeu. Caso contrário, não teria tirado de campo eu e o Ronaldo [foi substituído na partida de ida do confronto] porque saberia que os adversários têm medo de nós. Com essas mudanças, eles perderam o respeito que tinham", afirmou o francês, que hoje comanda o Real e tem três títulos europeus no currículo como técnico.

Após a eliminação para a Juventus, o brasileiro ainda permaneceu por mais nove meses à frente do clube da capital espanhola, mas nunca mais reconquistou a confiança das principais estrelas daquela constelação e nem caiu nas graças dos torcedores.

Ele ainda teve atritos com o português Luís Figo, quem tornou reserva antes de liberá-lo para se transferir para a Inter de Milão, e com Ronaldo. Além disso, desentendeu-se com o presidente Florentino Pérez.

Em outubro do ano passado, o ex-lateral esquerdo Roberto Carlos afirmou que Luxemburgo teve vida curta no clube porque proibiu os jogadores de beberem cerveja e vinho na concentração.

No total, o brasileiro ficou 11 meses à frente do Real e obteve 28 vitórias, sete empates e dez derrotas no gigante espanhol. Em sua gestão, a equipe foi vice-campeã nacional e caiu nas oitavas da Champions e da Copa do Rei.

Seu resultado mais expressivo foi a vitória por 4 a 2 no clássico contra o Barcelona, no dia 10 de abril de 2005. Em compensação, tomou 3 a 0 do arquirrival, dentro de casa, no semestre seguinte.

Quinze anos depois do "pojeto galáctico", Luxemburgo é hoje o técnico do Palmeiras e tenta recuperar o prestígio perdido nos últimos tempos. Sob seu comando, a equipe alviverde ocupa a vice-liderança do Grupo B do Campeonato Paulista, com dez pontos ganhos em cinco partidas.

No domingo, o time da capital recebe o Mirassol, segundo colocado da chave C.

Rafael Reis