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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

As seis vezes em que o diretor de prova da F1 causou polêmicas na temporada

Michael Masi, diretor de provas da FIA, durante o GP da Bélgica, 12ª etapa do Mundial de F-1   - Reprodução/F1TV
Michael Masi, diretor de provas da FIA, durante o GP da Bélgica, 12ª etapa do Mundial de F-1 Imagem: Reprodução/F1TV
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

15/12/2021 04h00

Quando a disputa do título da Fórmula 1 entre Max Verstappen e Lewis Hamilton chegou empatada à última corrida do ano, o diretor de prova, Michael Masi, já tinha roubado algumas manchetes devido a intervenções que foram questionadas por pilotos e equipes. Mas foi em Abu Dhabi que suas decisões nos momentos finais da prova acabaram interferindo diretamente no resultado do campeonato.

Quando Nicholas Latifi bateu a seis voltas do fim da prova, Masi acionou o Safety Car e, inicialmente, informou que os retardatários não poderiam recuperar a volta perdida, o que torna o período de neutralização da corrida mais longo. Isso porque ele queria que a corrida acabasse com bandeira verde. Minutos depois, Masi mudou de ideia e permitiu que apenas os cinco retardatários que estavam entre Hamilton e Verstappen ultrapassassem.

O procedimento contradiz algo que o próprio Masi disse ao explicar suas decisões no GP de Eifel do ano passado. Na ocasião, o australiano afirmou que "o regulamento esportivo requer que todos os retardatários ultrapassem o líder" para a corrida ser reiniciada. Na verdade, as regras não são claras neste sentido, mas a decisão do último domingo tem outro problema: era preciso esperar uma volta para dar a relargada, o que não foi feito porque se tratava da última volta. E é por isso que a Mercedes estuda entrar com uma apelação.

Isso porque, na relargada, Hamilton, que tinha pneus bastante usados, foi ultrapassado por Verstappen e perdeu o campeonato. "Isso foi manipulado, cara", disse o heptacampeão via rádio a seu engenheiro. O inglês, assim como todos os membros da Mercedes, não compareceu às entrevistas após a prova.

Mas esta não foi a única vez que Masi roubou os holofotes:

  • Intervenção de Masi foi decisiva no GP do Bahrein

bahrein - Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Images - Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Hamilton resistiu à pressão de Verstappen nas últimas voltas para vencer o GP do Bahrein
Imagem: Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Logo na primeira corrida do ano, às voltas com polêmicas sobre os limites de pista, Masi ordenou a Verstappen que devolvesse a liderança a Hamilton, após uma ultrapassagem em que o holandês saiu da pista. O lance deu o que falar porque o próprio Hamilton tinha usado a trajetória por fora no mesmo trecho repetidamente durante a corrida. Masi justificou que eram situações diferentes.

  • Idas e vindas dos limites de pista

O lance do Bahrein foi apenas o primeiro do ano de uma saga que já tinha começado em 2020, quando Masi passou a impor um controle eletrônico dos limites de pista. O grande problema dos pilotos é a indecisão do diretor de prova em relação a em quais curvas esses limites são observados e o que delimita a pista exatamente. Por várias vezes ao longo da temporada, isso foi mudado da sexta-feira para o sábado, por exemplo, no GP do Qatar, em que houve duas alterações durante o fim de semana. Então algo que poderia levar a uma punição no primeiro treino livre já era considerado normal no segundo.

  • Procedimentos no GP da Bélgica

norris acidente - Reprodução/F1TV - Reprodução/F1TV
Lando Norris sofre acidente forte na classificação para o GP da Bélgica
Imagem: Reprodução/F1TV

Masi esteve no centro das atenções em um final de semana marcado pelas chuvas na Bélgica. Ele foi muito criticado pelos pilotos, especialmente por Sebastian Vettel, no sábado, ao ignorar as informações passadas por eles de que a pista estava perigosa. Masi só deu a bandeira vermelha, interrompendo a última parte da classificação, quando Lando Norris teve uma batida forte em um trecho muito perigoso da pista. E, no domingo, a condução de Masi, tentando encontrar uma brecha para declarar o fim de um GP que nem sequer teve largada ou qualquer volta com bandeira verde devido à chuva, foi muito questionada.

  • Negociação com Red Bull na Arábia Saudita

Tanto Red Bull quanto Mercedes saíram da penúltima etapa do campeonato, na Arábia Saudita, irritadas com a postura de Masi em dois momentos distintos. A Mercedes perdeu as duas posições na corrida quando o diretor de prova primeiro acionou o Safety Car após a batida de Mick Schumacher e, depois que Hamilton e Bottas tinham parado, optou pela bandeira vermelha. Isso levou Verstappen à liderança, porém, na relargada, o holandês saiu da pista para defender sua posição. Masi, então, passou a negociar com a Red Bull quantas posições ele devolveria, mostrando bastante insegurança no processo.

  • Inconsistência nas investigações

Não é o diretor de prova que decide se um piloto é punido ou não por alguma manobra que fez na pista, mas cabe a ele observar algo que pode ser passível de punição e pedir que os comissários investiguem, então é por isso que as equipes, assim que se sentem prejudicadas, entram em contato com ele pedindo que a investigação seja aberta. E em várias oportunidades ao longo do ano pilotos e equipes ficaram sem entender por que alguns lances eram investigados e punidos e outros nem sequer eram levados em consideração.

Um bom exemplo foi a conversa da equipe Alpine sobre um lance envolvendo Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, em que Masi primeiro fala que o finlandês não fez nada demais, depois concorda que ele passou por fora da pista e diz que isso não pode. O caso não foi investigado. O mesmo aconteceu no GP de São Paulo, em lance entre Verstappen e Hamilton que fez com que os pilotos cobrassem mais consistência do diretor de prova.