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Olhar Olímpico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Medina precisa de paz após fim de capítulo turbulento em sua história

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

28/01/2022 04h00

Ao anunciar que não iria participar das primeiras etapas da temporada 2022 do Circuito Mundial de Surfe, com uma postagem no Instagram, Gabriel Medina disse que muito pensou sobre dar publicidade aos motivos da decisão. "É justo que todos vocês que sempre torceram por mim saibam do momento que estou enfrentando. A saúde mental é muito importante. Preciso estar 100% mentalmente para voltar a competir", escreveu.

Ele não revelou, porém, o que o levava a não estar 100% mentalmente. Naquele dia, a última segunda-feira, já estava sacramentado, segundo amigos, o fim da relação entre ele e Yasmin Brunet, um relacionamento que durou menos de dois anos (ao menos publicamente) e que vai merecer muitas páginas quando a biografia do maior surfista da história do país for escrita.

Tendo Yasmin como companheira, Medina viveu um turbilhão de emoções. Rompeu de forma litigiosa a relação com a mãe Simone, até então a pessoa mais próxima dele, e também com o padrasto Charles, que era seu técnico e tutor. Yasmin Brunet teve papel fundamental para que isso acontecesse — e escrevo isso sem julgamento de valor.

A modelo e o surfista criaram uma relação de interdependência que fez com que Medina acabasse se afastando do grupo de amigos com o qual mais aparecia publicamente (Neymar, Bruninho, Thiaguinho, Zulu...) e passasse a ver a esposa como única opção de acompanhante naquela que poderia ter sido a viagem e a competição mais importantes de sua carreira.

Antes dos Jogos de Tóquio, parecia que a Olimpíada precisava mais de Medina, Ítalo e outros ídolos do surfe do que eles precisavam da Olimpíada. Mas basta ver a impulsão dada à carreira de ítalo para se entender que o torneio foi um momento histórico do esporte, que Medina deixou de aproveitar. Ao insistir em levar Yasmin, perdeu o apoio de parte da torcida, não sobrou no mar como fez no restante da temporada, e foi embora do Japão com rótulo de mau perdedor.

Depois, ainda se envolveu em nova polêmica ao não se vacinar contra a covid. Alegou ser um problema de agenda, não queria correr risco de sofrer efeitos adversos e ter a preparação afetada, mas é fato que Yasmin ao menos no passado foi anti-vacina, por posturas radicais em relação à causa animal. Medina disse que se vacinou nas férias, mas nunca houve qualquer informação sobre ela ter se vacinado. Mais uma vez, a imagem dele ficou arranhada.

Agora, o término também midiático. Medina e Yasmin poderiam ter controlado a narrativa e tomado a iniciativa (um dos dois, ou ambos) de informar publicamente sobre o fim do casamento. Preferiram deixar que a imprensa contasse a história, enquanto ambos fingem, nas redes sociais, único canal de acesso a eles, que a vida segue normal.

Só Medina sabe o quanto tudo isso mexeu com ele, e o peso de cada um dos fatores. Só ele sabe também tantas outras questões que devem existir e devem influenciar seu modo de agir. Quanto afastar-se de Yasmin é algo que ele quer, quanto é algo que ele precisa. De qualquer forma, é um enorme capítulo que chega ao fim.

Com Yasmin ou não, Medina parece precisar de paz. Nem que essa paz seja com os amigos, se divertindo como um jovem e bem-sucedido homem de 28 anos, que já atingiu as principais metas profissionais e já juntou dinheiro para dar boa vida a algumas gerações depois dele.

Que a pausa na carreira de Medina dure o tempo que precisar durar. Que ele encontre o amor, seja por si mesmo, por outra pessoa, pelo mar, pela prancha, ou pelo que tiver que ser. Mas que ele tenha a paz que ele, como todos nós, merecemos.