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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brasileira sofre grave acidente e está fora das Olimpíadas de Inverno

Bruna Moura seria representante do Brasil no esqui cross country nas Olimpíadas de Inverno - Arquivo pessoal
Bruna Moura seria representante do Brasil no esqui cross country nas Olimpíadas de Inverno Imagem: Arquivo pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/01/2022 14h00

A brasileira Bruna Moura sofreu um grave acidente automobilístico no norte da Itália, na manhã desta quinta-feira (27), enquanto se preparava para viajar para a China onde disputaria os Jogos Olímpicos de Inverno. Ela passa bem, mas quebrou os dois pés e um braço e, com isso, está fora da Olimpíada. O motorista do carro que a transportava faleceu no acidente. Ele não tinha relação com a missão olímpica brasileira.

Bruna vivia a incerteza da participação nas Olimpíadas de Inverno, em Pequim, desde a semana passada, logo depois de ser sido convocada para competir no esqui cross country. No mesmo dia da convocação, Bruna, que é ex-atleta de ciclismo mountain bike e segue os passos de Jaqueline Mourão, testou positivo para covid.

"Foi um pesadelo, porque tanto tempo lutando para conseguir essa vaga olímpica e quando escutou meu nome sendo anunciado pelo COB eu também testo positivo para covid, o que pode me tirar das Olimpíadas", contou ela no sábado passado. A esquiadora de 27 anos deveria ter embarcado para Pequim ontem (26), mas, por causa da covid, o voo foi transferido para o dia 1º, terça-feira da semana que vem.

Ela, porém, precisaria ir da Itália para a Alemanha para de lá seguir para Pequim. No caminho, hoje, sofreu o acidente perto da fronteira entre Itália, Alemanha, Suíça e Áustria, nos Alpes. Os indícios são de que o motorista dormiu no volante. Ela estava no banco de trás, dormindo, com cinto de segurança. De acordo com o COB, Brun sofreu fraturas na ulna (osso do antebraço) e nos pés e se encontra hospitalizada. "O COB e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) estão prestando todo o suporte à atleta", disse a missão brasileira.

Como havia a dúvida sobre a participação de Bruna na Olimpíada por causa da covid, o COB e a CBDN já haviam deixado Eduarda Ribeira de prontidão para ir a Pequim. Duda, que foi a terceira colocada entre as brasileiras que disputaram as duas vagas femininas do Brasil no esqui, já vinha cumprindo os protocolos exigidos pelo Comitê Organizador e deve embarcar para a China nesta sexta, 28.

Não está claro, ainda, se Duda tem com certeza vaga em Pequim ou se o COB ainda precisa solicitar a participação dela. A garota é irmã de Cristian Ribera, que no fim de semana se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha em um Mundial de esportes de neve. Aos 19 anos, ela foi prata na prova do sprint para atletas sentados no Mundial Paralímpico de Esportes na Neve. Duda é mais nova: tem apenas 17 anos.

O acidente que tira Bruna da Olimpíada acontece exatamente oito anos depois de outro acidente marcante no esporte de neve do Brasil. Em 2014, na véspera dos Jogos de Sochi, Laís Souza sofreu uma queda esquiando, que acabou a deixando tetraplégica. "Hoje poderia ser só mais um dia 27 de janeiro como tantos outros. Mas, para mim não é! Pois, em 27/01/2014, ou seja, oito anos, 1 segundo de desatenção mudou minha forma de pensar e agir", escreveu ela no Instagram.