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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Gattaz: 'Se sua opinião mata, você não é livre para expressá-la'

Carol Gattaz - Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Carol Gattaz Imagem: Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/10/2021 16h04

Capitã da equipe feminina de vôlei do Minas Tênis Clube e medalhista olímpica em Tóquio, a veterana Carol Gattaz, uma referência da modalidade, postou vídeo no Instagram explicando que o direito à livre expressão não pode se transformar em homofobia, racismo ou xenofobia. Assumidamente bissexual, a veterana fez a publicação em claro recado a Maurício Souza, seu colega de clube.

"Homofobia, galera, é crime. Racismo é crime. A gente não pode mais naturalizar comportamentos como esse. É importante que a gente se posicione de forma combativa. Seria muito simples eu que sou branca, cis[gênero], de classe média, bem-sucedida, chegar aqui e me esconder e nada fazer sobre isso. Muitas vezes isso não me atinge, mas atinge outras pessoas", afirmou.

"Enquanto as pessoas mascaram esse preconceito como forma de opinião, as pessoas são mortas nas ruas. Se sua opinião mata, limita o outro de existir, você não é livre para expressá-la. É crime, está na lei. A gente quer pregar respeito ao próximo. No futuro pode ser seu filho, filha, afilhado, sobrinho. E vai sofrer as mesmas coisas. É isso que você quer?", questionou a jogadora.

O vídeo foi postado quase ao mesmo tempo que Maurício Souza se posicionou no Instagram em uma gravação na qual ele verbalmente pede "desculpas" a quem se sentiu ofendido com suas publicações, mas defende seu direito de expressar opiniões homofóbicas."Eu vim aqui para pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos com a minha opinião", afirmou.

Ele também indicou que poderia ser dispensado. "Eu tô passando por dificuldades no time, talvez eu venha a sair do time por causa de uma opinião. A vontade de vocês foi essa e está sendo acatada. Hoje em dia a gente não pode mais dar opinião, ou vai ser penalizado", reclamou. No fim da tarde, o clube anunciou sua dispensa.