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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Minas Tênis Clube cansa de tentar e demite Maurício Souza

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/10/2021 16h07

O Minas Tênis Clube bem que tentou segurar Maurício Souza no clube. Defendeu seu direito de se expressar de maneira homofóbica, deu a ele a oportunidade de se desculpar, aceitou que o pedido fosse feito no Twitter, voltou atrás depois de ser pressionado por patrocinadores, mas não teve como. Agora há pouco, o clube decidiu rescindir o contrato do jogador, conforme informou nas redes sociais, sem explicar razões ou de que forma se dará a dispensa.

A demissão é a quarta mudança de postura do Minas em menos de 48 horas. A primeira posição do clube, expressa na segunda-feira à noite, foi no sentido de defender o direito de o jogador expressar sua opinião nas redes sociais, por mais que essa opinião fosse homofóbica.

No dia das crianças, Maurício Souza postou no Instagram uma mensagem criticando o fato de o novo Superman ter se assumido bissexual nos quadrinhos. Por duas semanas, o Minas discutiu o que fazer, e chegou à conclusão que não teria como demitir o jogador por justa causa.

A barulhenta comunidade de fãs de vôlei, que tem forte influência LGBTQIA+, reagiu criticando o clube nas redes sociais e cobrando os patrocinadores. Ontem no começo da tarde, Fiat e Gerdau exigiram que o Minas tivesse uma postura mais rígida, e que o fizesse de forma urgente.

Em reunião no meio da tarde, a diretoria decidiu afastar Maurício, multá-lo, mas dar a ele a opção de se retratar publicamente. Ele fez isso em uma conta no Twitter com cerca de 50 seguidores, e não no local onde foram feitos os posts homofóbicos, no Instagram, onde tinha 250 mil seguidores ontem à noite — desde então, já ganhou mais de 70 mil.

O Minas considerou que a retratação no Twitter era suficiente, mas hoje pela manhã foi informado por Fiat e Gerdau, que dão nome à equipe, que as patrocinadoras não tinham a mesma opinião. Era necessário Maurício se retratar no Instagram e deletar os posts em questão.

O central até publicou um vídeo na plataforma, onde cita uma vontade de ser desculpado pelas pessoas que se sentiram ofendidas pela opinião. No mesmo vídeo, ele já indicou que havia forte pressão para sua saída e disse que rapidamente encontra outro clube.

Dificilmente será no Brasil, porém. Só dois clubes, hoje, têm orçamento para ter um jogador do status de Maurício Souza: o Minas e o arquirrival Cruzeiro. O Vôlei Renata, de Campinas, já tem Lucão, maior reforço da sua história, nessa posição. E o Funvic, atual campeão da Superliga, está em péssima situação financeira. Exatamente por isso Maurício saiu de lá no virada da temporada.