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Conselho Mundial de Boxe vai rever resultado de luta de Robson por cinturão

Oscar Valdez e Robson Conceição durante luta pelo cinturão mundial dos peso-pena de boxe - Mikey Williams/Top Rank Inc via Getty Images
Oscar Valdez e Robson Conceição durante luta pelo cinturão mundial dos peso-pena de boxe Imagem: Mikey Williams/Top Rank Inc via Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/09/2021 18h08

O Conselho Mundial de Boxe (WBC, na sigla em inglês) se comprometeu a entregar a uma comissão independente os vídeos da luta entre Oscar Valdez e Robson Conceição, realizada na sexta-feira (10), nos Estados Unidos, que manteve o cinturão dos super-penas com o mexicano. O resultado é contestado pelo brasileiro, que acertou muito mais golpes e saiu do confronto inteiro, enquanto o rival ficou com o rosto muito machucado.

Já nas primeiras horas da segunda-feira (13), como contou o Olhar Olímpico, o agente de Robson, Sergio Batarelli, enviou e-mail ao Conselho com queixas quanto ao resultado da luta, que foi mantida apesar de Valdez ter sido flagrado em exame antidoping com substância proibida.

No confronto, o brasileiro sofreu uma penalização de um ponto por um golpe na nuca que não teve força e, acabou derrotado por decisão dos jurados. Um deles, que marcou incompreensíveis 117 a 110 para Valdez, depois admitiu o erro e pediu afastamento do boxe para passar por reciclagem. Em carta, esse jurado, Stephen Blea, admitiu que na dúvida marcou pontos para Valdez e que se deixou influenciar pela torcida, toda do mexicano, quando não tinha boa visão do que acontecia no ringue.

Todo esse contexto reforça a tese de Robson, que chegou como completo azarão para enfrentar Valdez, na cidade dele, no Arizona, em uma defesa voluntária de título — quando o dono do cinturão aceita colocá-lo em jogo sem ser obrigado a tal. O mexicano escolheu Robson para se vingar de uma derrota sofrida em 2009, em um Campeonato Pan-Americano, quando os dois eram amadores.

Agora Valdez é um dos grandes nomes do boxe profissional e segue com o cinturão dos super-penas. Mas, em resposta às queixas de Batarelli, o Conselho informou que vai pedir a um painel independente, neutro, para analisar o vídeo da luta "sem quaisquer influências externas" e apresentar um relatório.

"O Conselho de Governança do WBC levará em consideração a avaliação do painel sobre a luta ao considerar os pedidos", informou o Conselho. Batarelli pede uma revanche ou que Robson seja promovido a número 1 do ranking da categoria (hoje ele é somente o 14º), o que também forçaria um confronto obrigatório entre os dois.

O WBC promete uma resposta ao brasileiro daqui a no máximo 10 dias, a contar de ontem (14). Importantes veículos especializados discordaram do resultado do confronto, ao menos da larga vantagem (117 a 110 e duplo 115 a 112) dada pelos jurados a Valdez. Para a ESPN americana, que transmitiu a luta, a vitória foi de Robson, por um ponto. O brasileiro começou melhor, aparentemente vencendo os cinco primeiros rounds, mas depois caiu de rendimento.