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Olhar Olímpico

Luta de Robson por título mundial é confirmada apesar de doping de rival

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/09/2021 19h13

A luta em que Robson Conceição vai desafiar Oscar Valdez pelo título mundial dos superpenas, versão Conselho Mundial de Boxe (WBC), na próxima sexta (10), se tornou ainda mais aguardada depois que o mexicano, melhor do mundo na categoria, foi flagrado em exame antidoping pelo uso da substância proibida fentermina. Mas ele não foi suspenso e a luta está confirmada, o que vem gerando uma onda de críticas na imprensa especializada.

Valdez testou positivo para fentermina em exame colhido no dia 13 de agosto. A substância é um estimulante do sistema nervoso, mas também ajuda a perder peso, algo que faz parte da preparação de um atleta para uma luta. A contraprova foi aberta ontem (2), com resultado também positivo.

O mexicano, que lidera o ranking dos superpenas da revista The Ring, não foi punido por causa de um sistema confuso de controle de doping no boxe. Valdez foi testado pela VADA, que é uma agência antidoping privada que trabalha com o WBC no âmbito do programa Boxe Limpo. A VADA proíbe o consumo de fentermina em competição ou fora dela.

Mas o julgamento do atleta foi feito pela Comissão Atlética da tribo Pascua Yaqui, onde fica o Casino Del Sol, no Arizona, região onde Valdez foi criado. E essa comissão tem como norte o código da WADA, a Agência Mundial Antidoping, que atende a todo o sistema olímpico, incluindo o futebol. E a WADA só proíbe a fentermina durante a competição, no período que vai das 23h59 do dia anterior ao evento antidoping até a coleta pós-evento.

Com base nisso, a comissão atlética e a WBC, que é responsável pelo status do cinturão, decidiram em reunião conjunta que Valdez não seria punido e poderá lutar normalmente contra Robson Conceição. Também foi levado em conta o resultado de um teste feito pelo mexicano no último domingo, que deu negativo para fentermina, uma substância que só fica no corpo durante 23 horas. Valdez nega o consumo proposital da fentermina e alega que a teria ingerido em um chá oferecido a ele por terceiros.

Valdez, que tem um currículo invicto de 29 lutas profissionais, sendo 23 por nocaute, não precisaria enfrentar Robson Conceição, também invicto em 16 lutas, e que não aparece nem no top 10 dos principais rankings da categoria. Mas o astro está com o brasileiro engasgado desde que eles se encontraram na final dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, no país de Valdez.

O confronto, quando ambos ainda eram amadores, foi vencido por Robson, que depois viria a se tornar campeão olímpico no Rio, em 2016, enquanto Valdez migrou para o profissional após um desempenho frustrante em Londres. Com a mão pesada, chegou ao seu primeiro cinturão mundial em 2016 e em fevereiro subiu para a categoria superpenas, derrotando o também mexicano Miguel Berchelt por nocaute.