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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Com 4 casos em um mês, Brasil é líder em atletas olímpicos mortos com covid

A corredora Roseli Machado cruza a linha de chegada da corrida de São Silvestre 1996 - Evelson de Freitas/Folha Imagem/Evelson de Freitas/Folhapress
A corredora Roseli Machado cruza a linha de chegada da corrida de São Silvestre 1996 Imagem: Evelson de Freitas/Folha Imagem/Evelson de Freitas/Folhapress
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/04/2021 12h00

Abril ainda não chegou à metade, mas já levou três atletas olímpicos brasileiros. Com isso, o Brasil assumiu a liderança do triste ranking de países com mais olímpicos que morreram devido à covid. O levantamento foi feito pelo site especializado Olympedia, que desde o início do ano passado registra todos os casos ao redor do mundo. Considerando os últimos 30 dias, são quatro mortes, mais do que nos Estados Unidos inteiros, por exemplo.

No total, já são seis atletas olímpicos brasileiros mortos em decorrência da covid. O caso mais recente é o da ex-jogadora de basquete Ruth, medalhista de prata em 1996, que faleceu aos 52 anos em Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul. Ela estava internada desde o fim de março.

Apenas neste mês de abril também já haviam falecido o ex-jogador de vôlei Suíço, de 67 anos, que disputou os Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, e de Moscou, em 1980, e a ex-maratonista Roseli Aparecida Machado, que estava com 52 anos, e faleceu em Curitiba (PR).

Considerando os últimos 30 dias, são quatro mortes. Nesta conta entra também o jornalista Ulisses Laurindo dos Santos, que foi atleta olímpico do atletismo em 1956 e faleceu em Macapá (AP) aos 91 anos. No ano passado morreram dois ex-jogadores de polo aquático: Oswaldo Cochrane, que esteve nos Jogos de 1964, em Tóquio, e Fernando Sandoval, olímpico em 1968.

De acordo com o levantamento da Olympedia, o Brasil é, assim, o país com mais atletas olímpicos mortos pela covid. São seis, contra cinco da Itália, quatro da Hungria e quatro da Suíça. No total, são 62 casos ao redor do mundo computados no levantamento do site especializado.

Mas não é só em números totais que a quantidade de mortes de atletas olímpicos no Brasil assusta. Proporcionalmente também. São seis mortes por covid em um universo de cerca de 2,1 mil atletas, mesmo número de atletas contabilizados pela base de dados Olympian Database por Hungria e Suíça, que tiveram quatro mortes. A Itália, que já levou quase 4 mil atletas a Jogos Olímpicos, de acordo com a mesma fonte, perdeu cinco atletas para a covid.

Para Katia Rubio, autora da enciclopédia Atletas Olímpicos Brasileiros e principal pesquisadora sobre o tema no país, o alto número de casos na população específica de atletas olímpicos é um reflexo das estatísticas brasileiras como um todo. Com mais de 350 mil mortos, o Brasil tem 1,6 mortes por covid a cada mil habitantes.

"Como o atleta tem uma vida que depende do corpo, há uma tendência de se achar que o atleta é uma pessoa saudável e em situação como essa, de risco, que eles serão menos suscetíveis à contaminação que outras pessoas. Mas o que a gente vê é que não, são seres humanos suscetíveis a serem infectados como grande parte da população, principalmente no pós-carreira, quando os cuidados com o corpo não são tão específicos como eram no passado", ela explica.