PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

Por que o futebol está liberado em São Paulo mesmo na fase vermelha

NeoQuímica Arena, antes de Corinthians x Santos - Divulgação/Corinthians
NeoQuímica Arena, antes de Corinthians x Santos Imagem: Divulgação/Corinthians
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/01/2021 11h07

O estado de São Paulo inteiro estará, nos próximos dois finais de semana, classificado na fase vermelha do Plano São Paulo. Nela, somente atividades essenciais poderão funcionar. "Todas as demais atividades devem estar fechados para atendimento ao público", pelo que explicou o governo João Doria (PSDB). Mesmo assim, jogos de futebol, basquete e vôlei seguem marcados. Por quê?

É que o governo estadual flexibilizou, para os esportes, as regras que valiam há seis meses. Quando o futebol foi retomado, em julho, o Estado colocou como condicionante que as partidas ocorressem somente em cidades que estivessem na fase amarela, a terceira da escala do Plano São Paulo, vetando jogos em municípios nas fases laranja e vermelha. Havia também outra condicionante: que os protocolos de cada modalidade fossem submetidos ao Centro de Contingência ao Coronavírus, e lá aprovados.

A primeira exigência acabou caducando e, quando cidades voltaram para a fase laranja (e, agora, para a vermelha), os times não foram proibidos de treinar ou de jogar. É que a segunda condicionante foi mantida, flexibilizada. As modalidades que têm protocolo aprovado podem continuar jogando, independente da fase do Plano São Paulo.

No caso do futebol, por exemplo, os jogos e treinos podem continuar ocorrendo, independente da fase da região, desde que se siga o protocolo submetido pela Federação Paulista de Futebol e aprovado ainda em julho Centro de Contingência ao Coronavírus. Esse protocolo vale do profissional ao sub-17, masculino e feminino.

Para o governo do Estado, também seguem valendo protocolos das modalidades coletivas com contato físico praticadas em quadra (futsal, basquete, handebol e vôlei), da Liga Nacional de Futsal e, especificamente, do NBB, que foi submetido em março do ano passado e é bem diferente do que está sendo seguido na atual temporada. Mesmo assim, tanto o NBB quanto o governo entendem que o torneio pode continuar acontecendo.

O campeonato de basquete tem realizado rodadas em "bolhas", principalmente no estado de São Paulo. Hoje (27) por exemplo devem ocorrer três jogos no ginásio do Pinheiros, na capital, a partir das 15h. Ontem (26) a liga se reuniu e entendeu que "pela forma como (o NBB) está sendo organizado, seguindo normas rígidas de protocolo, com testagem frequente em todas as pessoas que estão na quadra de jogo, medidas de prevenção e sem a presença de público, (o torneio) não fere nenhuma norma estabelecida pelo governo do Estado de São Paulo".

No caso da Superliga está marcada uma reunião para discutir amanhã (28) o que será feito diante do avanço da pandemia. A competição de vôlei está tendo problemas com surtos de Covid. Só no torneio feminino já são quase 100 casos confirmados, com diversos episódios de jogos adiados.

Outras modalidades que não têm protocolo aprovado estão ou suspendendo seus torneios e treinamentos ou alterando datas. Um torneio de salto que aconteceria em São Paulo no fim de semana teve sua agenda modificada para acontecer durante quatro dias da semana que vem, momento em que a capital paulista está na fase laranja.

Essas são, porém, só as regras do Plano São Paulo, estadual, que não necessariamente são seguidas pelas prefeituras, que podem adotar regras mais ou menos rígidas. Quando o governo Doria tem pedido que os municípios adotem o plano e ameaça jogar para o fim da fila do recebimento de vacinas (além de medidas legais) quem afrouxar demais as regras.

Confira nota do governo do estado enviada após a publicação da reportagem

O Governo de São Paulo atua com plena responsabilidade e transparência no combate e controle do coronavírus, sempre amparado pela ciência para garantir, por meio do Plano São Paulo, a retomada das atividades econômicas de forma segura, consciente e gradual.

Após cuidadosa revisão, com base em estudos mundiais e na observação da evolução da epidemia, pôde-se autorizar o funcionamento de mais serviços na fase laranja. Nas fases vermelha e laranja, por exemplo, os jogos esportivos podem ser realizados desde que não tenham torcidas, para evitar aglomerações. Todos os esportes considerados profissionais seguem os rígidos protocolos estabelecidos pelo Centro de Contingência. Inclusive, com referências aos desportes internacionais que seguem o mesmo critério.

Reforça, ainda, que Plano São Paulo é pautado por dados técnicos e científicos de monitoramento da evolução da pandemia e da capacidade do sistema hospitalar. Todas as decisões são tomadas com base nas diretrizes colegiadas de 20 especialistas do Centro de Contingência, instituído em 26 de fevereiro, mesmo dia do surgimento do primeiro caso no estado.