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Governo federal investe R$ 2 milhões em "Mundial de Futebol de Areia Raiz"

Ministro Onyx Lorenzoni recebe camisa do Mundial de Futebol de Areia Raiz - Reprodução/Instagram
Ministro Onyx Lorenzoni recebe camisa do Mundial de Futebol de Areia Raiz Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

09/12/2020 04h00

Começou ontem (8) no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, com transmissão pela TV Brasil, o "Campeonato Mundial de Futebol de Areia Raiz". A competição é a primeira da história de uma modalidade que se apresenta como diferente do tradicional "beach soccer" e é bancada com recursos da Secretaria Especial do Esporte, do governo federal, que investiu R$ 2,1 milhões no evento.

A verba foi destinada à Confederação Brasileira de Futebol de Areia (CBFAreia) no último dia útil do governo Michel Temer (MDB), quando o ministro do Esporte era Leandro Cruz, ligado ao MDB e hoje secretário de educação no Distrito Federal. O antigo Ministério do Esporte tinha orçamento reservado para eventos internacionais e diversos pedidos de federações e confederações.

Acabou sendo escolhida a CBFAreia, que se apresentou ao governo com responsável no Brasil pelo "futebol de areia" e não pela "outra modalidade do gênero", em uma referência ao "beach soccer". Foram assinados, no total, dois convênios com essa entidade, que recebeu R$ 3,1 milhões. Somadas, todas as confederações olímpicas brasileiras firmaram convênios de R$ 3,3 milhões durante os dois anos e meio do governo Temer.

Como contou o Olhar Olímpico em janeiro de 2019, o projeto do Mundial destoava completamente do padrão de outros convênios assinados pelo Ministério do Esporte na última década. Os orçamentos de hotel e de passagens aéreas eram meras reproduções de cotações feitas em grandes sites de varejo, com datas aleatórias. No caso das camisetas, foi cotada uma do Ibis, o "pior time do mundo". Diante da dificuldade da CBFAreia lidar com recursos públicos, o evento não saiu em 2019, sendo postergado para março de 2020, quando precisou ser novamente adiado, por conta da pandemia.

Nesse meio tempo, o torneio foi repaginado para se diferenciar do beach soccer. Virou o Mundial de "futebol de areia raiz". O governo ainda colaborou cedendo o Centro Olímpico de Tênis e colocando o torneio em horário nobre na TV Brasil. Só ontem foram exibidas três partidas. Apesar do título de "Mundial", o torneio tem seis times da América do Sul, só um da Europa (França) e nenhum da Ásia.

Isso apesar de o governo brasileiro estar pagando viagem e hospedagem dos atletas estrangeiros. Só em passagens aéreas internacionais, de acordo com dados do sistema de transparência de governo federal, serão gastos R$ 425 mil, além de mais de R$ 100 mil para manter os jogadores hospedados no Rio de Janeiro.

A tabela do torneio é bastante diferente daquela inicialmente anunciada. Em novembro, os organizadores foram ao encontro do ministro Onyx Lorenzoni e o convidaram para estreia do Brasil contra a Argentina, equipe que não está no torneio. Alemanha, Croácia, Canadá, Equador e Israel estavam na tabela para o torneio que aconteceria em março, mas não vieram ao Rio. Enquanto isso, o Paraguai está classificado mesmo tendo criado sua federação só este ano.