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COI confirma break dance, mas fará Olimpíada menor em Paris

 B-boy Sos pratica break dance em frente à Torre Eiffel - Lionel Bonaventure/AFP
B-boy Sos pratica break dance em frente à Torre Eiffel Imagem: Lionel Bonaventure/AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/12/2020 15h11

Os Jogos Olímpicos de Paris serão menores do que os de Tóquio, tanto no número de provas (10 a menos) do que de atletas (592 a menos), o que também vai impactar em redução de treinadores, árbitros e staff. O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou hoje (7) que recusou quase todas as propostas de inclusão de novas provas de modalidades preexistentes e que, de grande novidade, Paris-2024 terá apenas o break dance.

Boxe e levantamento de peso, esportes que passam por grave crise institucional, por enquanto seguem no programa, mas com menos atletas e, no caso do LPO, cinco provas a menos. Beisebol/softbol e caratê, novidades em 2020, estão mesmo fora de 2024. Pela primeira vez, uma Olimpíada terá mesmo número de vagas para homens e para mulheres — em Tóquio-2020, a proporção é 48,8% x 51,2%.

O programa dos Jogos de Paris, anunciado hoje, é uma vitória dos organizadores locais e de pressão contra o aumento de custos, sobre a vontade das federações internacionais. Como acontece a cada Olimpíada, elas tentam convencer o COI a incluir novas provas. Foi assim quando o vôlei conseguiu que o vôlei de praia se tornasse olímpico. Quando o ciclismo incluiu o BMX Racing e, mais recentemente, o BMX Frestyle, e quando o basquete conseguiu transformar o 3x3 em torneio olímpico.

Desta vez havia 44 pedidos diferentes. Os esportes aquáticos defendiam provas de 50m nos nados borboleta, peito e costas, o nado artístico misto (hoje a modalidade é restrita a mulheres) e o salto de penhasco. O atletismo queria provas de cross country. Wrestling e handebol desejavam ter modalidades de praia e o remo sonhava com uma prova costeira.

O COI rejeitou a grande maioria dos pedidos, com raras exceções. Uma delas é a criação da prova de canoagem slalom extreme. Na tradicional prova olímpica dessa modalidade, os competidores percorrem o percurso individualmente, um por vez, vencendo o mais rápido. No extreme, quatro largam juntos e, além de tentarem remar rápido, precisam disputar espaço. É mais uma prova "radical" no programa, tendência do movimento olímpico.

Das cinco modalidades que vão estrear (ou reestrear) em Tóquio e que não fazem parte da programação fixa, só três permanecem: skate, surfe e escalada velocidade. Beisebol/softbol (são duas modalidades sob o chapéu de uma mesma confederação) e caratê não convenceram e estão fora. A escalada foi tão bem aceita que ganhou mais uma prova. Em Tóquio a disputa vai premiar o melhor atleta na soma das três versões da escalada. Em Paris, haverá uma prova com Bouldering e Lead, e outra só com velocidade.

A marcha atlética de 50 quilômetros, prova de resistência exclusivamente masculina do programa do atletismo, que não emplacou entre as mulheres, deixa o programa para dar lugar a uma prova mista a ser definida. No tênis, as duplas mistas continuam, mesmo sendo um evento disputado raras vezes no ano — apenas as etapas de Grand Slam contam com essa competição.

Além disso, há uma redução significativa no programa do boxe e do levantamento de peso, as duas federações internacionais que mais têm dado trabalho ao movimento olímpico. A Aiba, do boxe, está suspensa pelo COI e sequer está organizando a competição de Tóquio, enquanto a IWF, do levantamento de peso, está envolvida em casos de corrupção e de acobertamento de um esquema de doping.

O levantamento de peso, que teve 15 provas em 2016, terá apenas 10 em 2024, cinco de cada gênero. O número de atletas, que era 260, foi radicalmente reduzido para 120. No boxe, as categorias seguem sendo 13, agora sete masculinas e seis femininas, contra oito x cinco em Tóquio. O número de atletas caiu de 286 para 252, metade homem e metade mulher.

A ginástica rítmica e o nado sincronizado seguem sendo exclusivamente femininos, enquanto que no wrestling as competições de luta greco-romana são só para homens. Também há diferença numérica no número de atletas homens e mulheres no futebol e no polo aquático, porque os torneios têm mais times masculinos. Dezesseis a 12 no futebol e 12 a 10 no polo.

Na vela, como de costume, houve mudança nas classes. O windsurfe muda de vela, que agora será a iQFoil. Laser/Laser Radial e 49er/49erFX seguem sendo classes com competições masculinas e femininas. Mas o número de classes mistas aumentou de uma para quatro. A 470, que hoje tem provas masculinas e femininas separadas, passa a ser um barco misto, com um homem e uma mulher, como já é a Nacra 17. Também haverá uma competição de kitesurf com homens e mulheres competindo entre si. A décima classe ainda será escolhida, mas também será mista, substituindo a Finn, masculina.