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Crivella apresenta planos para o esporte do Rio; Paes não responde

Debate Rio com Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) - Arte/UOL
Debate Rio com Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) Imagem: Arte/UOL
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

28/11/2020 03h59

Se em São Paulo os dois candidatos à prefeitura que disputam o segundo turno aceitaram responder perguntas do Olhar Olímpico sobre seus planos para o esporte, no Rio de Janeiro só a assessoria candidato Marcelo Crivella (Republicanos) apresentou propostas para o esporte da cidade. Eduardo Paes (DEM) também foi procurado via assessoria, que recebeu perguntas idênticas às enviadas ao seu adversário, mas não respondeu.

Assim, o Olhar Olímpico publica, abaixo, somente as propostas de Crivella.

Quais são os seus projetos para o esporte do Rio de Janeiro?

O legado que herdamos foi a dívida das Olimpíadas. Todavia, se reeleito, meu maior legado será resolver as questões das Vilas Olímpicas por meio de Parcerias Públicos Privadas. Vamos recuperar esses importantes espaços, nos quais as crianças podem despertar a sua vocação para o esporte. Arrumamos a casa, pagando R$ 5,2 bilhões de dívidas passadas, agora chegou a hora de investir no esporte para as crianças. Essas unidades oferecem tênis, basquete, vôlei, futebol de salão, piscina, campo de futebol, academia; além de fazer bem para a saúde é uma boa opção de lazer e mantém a garotada longe das drogas. Muitos atletas começaram ou foram descobertos nas Vilas Olímpicas; que as comunidades têm acesso.

No seu governo, o esporte continuará sendo uma subsecretaria? Se sim, subordinada a qual secretaria?

Assumindo uma nova gestão tudo será reavaliado.

O senhor tem planos de construir novas Vilas Olímpicas? Se sim, em quais bairros? Além disso, elas continuarão a ser administradas por OS's?

O nosso desejo é dobrar o número de unidades pela cidade. Temos já o projeto para uma Vila Olímpica em Antares. Vamos começar pela Zona Oeste. São um modelo de integração social, com investimento barato, duradouro e democrático, bem diferente dos que foram feitos pela gestão anterior para as Olimpíadas. Veja hoje as arenas olímpicas. Nós gastamos R$40 bilhões nas Olimpíadas para fazer uma festa de 15 dias. Qual o uso que se dá hoje ao nosso Parque Olímpico? Não gera imposto, não gera emprego, mas gera custeio e caro. Se tivéssemos usado esses R$ 40 bilhões para asfaltar a cidade, melhorar a drenagem, urbanizar as comunidades, tirar postes e embutir a fiação subterrânea, teríamos a cidade mais linda do mundo e atrairíamos os turistas que as olimpíadas não atraem. Se reeleito, vou rever todas as OSs. Em um primeiro momento, a prioridade foi verificar a atuação das OSs de Saúde.

Após o anúncio de que o GP Brasil de Fórmula 1 ficará em São Paulo por mais cinco anos, quais os planos para a construção de um autódromo no Rio de Janeiro?

A construção do autódromo de Deodoro é um grande projeto para trazer investimento para a nossa cidade, outra parceria com o Governo Federal. O projeto segue conforme o planejado; até porque, não se trata apenas da construção de um autódromo, de uma pista de corrida apenas para a Fórmula 1, e sim de todo um complexo que envolve também prédios e shopping que vão gerar emprego e movimentar a economia da cidade.

O Rio de Janeiro terá um programa/projeto de atração de eventos esportivos durante o seu governo? Como irá funcionar?

Minha gestão vem lidando com os impactos da Covid-19, e também dando exemplo de responsabilidade e cuidado com a vida do povo carioca. Tomamos medidas ponderadas, a indústria não parou, alguns serviços considerados essenciais não pararam. As nossas medidas objetivaram preservar o máximo que podíamos da economia, mas sem colocar em risco as vidas das pessoas. O fato é que, qualquer decisão para o futuro vai depender de avaliação em relação à pandemia. Em primeiro lugar, o meu dever é assegurar a segurança e saúde para todos. E assim vai seguir em relação aos programas e projetos para todos os eventos; inclusive os esportivos. Dito isto, é claro que precisamos melhorar o calendário de eventos na cidade, buscando formas de realização no cenário do novo normal. O Rio de Janeiro possui grandes equipamentos e tem vocação para o open air, o que nos garante enorme potencial para sediar grandes eventos esportivos.

Passados mais de quatro anos dos Jogos do Rio, o Parque Olímpico da Barra continua tendo estruturas que eram "provisórias" (Arena do Handebol e Parque Aquático). Quais os planos para que essas arenas sejam desmontadas? O senhor dá um prazo para que isso ocorra?

Conosco ficou a Arena Carioca 3, onde realizamos vários eventos. O Parque Olímpico tem um custo enorme. A Olimpíada foi um desastre, deixou muitas contas a pagar. Foi um erro a gestão passada ter gasto 40 bilhões com tantas coisas a serem feitas; foi um desatino.

Como o senhor vê o futuro dos Parques Olímpicos da Barra e de Deodoro?

Nós herdamos da antiga administração uma dívida bilionária em obras superfaturadas feitas para as Olimpíadas. Nós tivemos as delações na Lava Jato com relação às Olimpíadas, e nenhuma obra escapou. Entramos com os devidos processos administrativos e estamos recuperando o dinheiro que foi desviado dos cofres públicos para investir em toda a cidade.