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Ex-ministro, delegado da PF e sócio de Felipe Neto disputam cadeira no COB

Ricardo Leyser e Marcus Vinicius Freire - FolhaPress e divulgação
Ricardo Leyser e Marcus Vinicius Freire Imagem: FolhaPress e divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/10/2020 04h00

Um ex-ministro do governo Dilma Rousseff, um dos sócios do youtuber Felipe Neto e um delegado aposentado da Polícia Federal disputam uma cadeira no Conselho de Administração do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Protagonistas da preparação para a Rio-2016, Ricardo Leyser e Marcus Vinicius Freire deveriam polarizar essa disputa, mas agora discutem se unir para impedir a eleição de Rodney Rocha Miranda.

Até 2017, quando Carlos Arthur Nuzman foi preso, Paulo Wanderley assumiu o COB e propôs uma profunda reforma do estatuto, os membros independentes do Conselho de Administração, uma espécie de poder legislativo do comitê, eram indicados pelo presidente. Quando isso passou a ser decidido por eleição, foram eleitos dois representantes de clubes: Sérgio Rodrigues, do Minas, e Carlos Osso, do Pinheiros.

O estatuto foi alterado no ano passado, reduzindo o tamanho do conselho e o de cadeiras independentes, para uma. Quando as inscrições para a eleição foram abertas, pintaram como favoritos o ex-ministro Ricardo Leyser e o ex-jogador de vôlei e ex-diretor de esporte do COB Marcus Vinicius Freire, hoje sócio de Felipe Neto na Play9. Com perfis políticos antagônicos — um é comunista, outro liberal —, ambos lideraram a preparação para Londres-2012 e para a Rio-2016, um controlando o orçamento federal e outro o programa esportivo do COB.

Mas, entre os demais candidatos, alguns desconhecidos do meio esportivo, está também Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública em Goiás, depois de ocupar esse mesmo cargo no Espírito Santo e em Pernambuco. Quando o nome dele surgiu na lista, muita gente correu para o Google e descobriu que ele havia sido prefeito de Vila Velha (ES) e deputado federal pelo Espírito Santo.

Logo Paulo Wanderley apresentou Rodney como o seu candidato a membro independente — um contrassenso. Depois de pedir voto a cada uma das confederações de forma independente, o que ele nega ter feito, o presidente do COB sugeriu uma eleição interna e secreta no seu grupo de aliados. Rodney teve 16 votos, contra 4 de Leyser e um de Marcus Vinicius. Paulo defende que todo o grupo, formado hoje por 22 confederações, vote em Rodney.

Os demais 27 eleitores, incluindo 12 atletas, tendem a se dividir entre Leyser, Marcus Vinicius e, em menor número, a Georgios Hatzidakis, um acadêmico ligado ao atletismo e ao esporte escolar. Analisando que seria um "risco" permitir a chegada de Rodney ao conselho, os três devem se reunir ainda hoje para fazer contas. Se as conversas avançarem, dois desistirão para que o outro concentre os votos e vença o candidato de Paulo Wanderley. Adriana Sanches dos Santos, Maria Pia Buchheim e Willian Miotto Nadir provavelmente sairão zerados.

Demais cadeiras

O grupo de Paulo Wanderley também decidiu concentrar forças nos mesmos candidatos às sete cadeiras das confederações no Conselho de Administração. Por isso, entre os dias 14 e 16 de setembro, três concorrentes desistiram: Ricardo Machado (esgrima), Luiz Carlos do Nascimento (caratê) e Marco Aurélio Sá Ribeiro (vela).

São apoiados pelo grupo majoritário Adalvo Argolo (surfe), Alberto Maciel Junior (taekwondo), Ernesto Pitanga (triatlo), João Tomasini (canoagem), José Luiz Vasconcelos (ciclismo), Luiz Fernando Coelho (desportos aquáticos) e Sílvio Acácio Borges (judô). Raphael Nishimura, eleito esse ano para presidir a associação da escalada esportiva, é do mesmo grupo, mas é candidato independente. Ele se recusou a retirar seu nome.

Também concorrem Enrique Montero Dias, do levantamento de peso, único do grupo de Hélio Meirelles, e Karl Anders Pettersson (da neve) e Matheus Figueiredo (gelo). Esses dois últimos, ligados a Rafael Westrupp, parecem ter chances de se elegerem.

Há ainda também votação para uma cadeira no Conselho de Ética. Concorrem Felipe Sarmento Cordeiro e Humberto Panzetti. Este último, originalmente ligado à luta de braço, participa de colegiados como o Conselho Nacional do Esporte, o Conselho Regional de Educação Física de São Paulo, o Conselho Estadual do Desporto de São Paulo e diversos outros. Com amplo relacionamento no esporte, deverá ser eleito.

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