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Chapas de oposição no COB fecham acordo e Paulo Wanderley se complica

Paulo Wanderley e Rafael Westrupp - Divulgação
Paulo Wanderley e Rafael Westrupp Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/10/2020 13h26

Se, na quarta-feira da semana passada, este blog publicou que Paulo Wanderley era favorito a se reeleger na presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB), faltando menos de 48 horas para a votação a situação é de equilíbrio. Isso porque as duas chapas de oposição chegaram a um acordo, que deverá ser selado hoje à tarde (5), para que o grupo político de Hélio Cardoso vote em Rafael Westrupp em um eventual segundo turno.

Hélio, que é presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, lançou sua candidatura com o apoio de outras quatro confederações: tiro esportivo, tênis de mesa, remo e levantamento de peso. Pelo acordo, essas cinco votariam em Westrupp em um segundo turno contra Paulo Wanderley. Existe a possibilidade, porém, de uma delas optar pelo lado contrário.

Com isso, Paulo e Rafael ficariam praticamente empatados em confederações. A candidatura de Paulo foi chancelada por 17 confederações e outras cinco estão, oficialmente, no seu grupo político. Das 35 entidades com direito a voto, sete já estavam com Rafael, que, com o acordo com o grupo de Hélio, passa a ter 12. Única neutra, a Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu) ouviu os três candidatos na sexta e deve anunciar hoje ou amanhã (6) voto em Rafael.

Pelos números oficiais, isso dá 22 x 13. Mas Paulo sofrerá traições. Há muito incômodo com a postura do atual presidente de fazer campanha por um candidato ao posto de membro independente do Conselho de Administração. À Folha, o delegado aposentado da Polícia Federal Rodney Rocha Miranda, 56, ex-prefeito de Vila Velha (ES) e atual secretário de Segurança Pública do governo de Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás, admitiu que não tem relação com o esporte. "Tenho uma boa relação com o Paulo Wanderley. Aliás, mais com o genro dele, que é juiz no estado do Espírito Santo, Carlos Eduardo Ribeiro Lemos", afirmou ao jornal.

A insistência de Paulo Wanderley em pedir votos para Rodney Miranda tem incomodado por diversos fatores. Pela ingerência na eleição para um membro "independente", que deveria ser neutro, pelo candidato ser um delegado, o que daria a Paulo um controle maior sobre o conselho, e por ele não ser do meio esportivo. As confederações continuamente reclamam que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) são rígidos por não entenderem as peculiaridades do esporte e não faria sentido colocar alguém com o mesmo perfil no Conselho de Administração.

A candidatura de Rodney Miranda, assim, tem jogado contra Paulo Wanderley. O voto é secreto e confederações descontentes com a forma como o presidente licenciado do COB impõe suas vontades não deixarão de responder na urna. Isso deve empatar a eleição, ficando a decisão do vencedor nas mãos da Comissão de Atletas.

São 12 atletas com direito a voto. Emanuel Rego, licenciado, Duda Amorim, jogando na Hungria, e Beatriz Futuro, treinando com a seleção de rúgbi em Portugal, não irão votar. Darão lugar a Iziane, Marcelinho Machado e Hugo Hoyama. A promessa é de voto em bloco, mas a tendência é que haja divisão.

Não será surpresa se o resultado da eleição for 25 x 24. E acabe na Justiça. Isso porque o TRF5 decidiu no dia 10 de setembro que Manoel Luiz Oliveira deveria ser afastado da presidência da Confederação Brasileira de Handebol, ordem que o Conselho de Administração se recusa a cumprir. Manoel é aliado de Paulo Wanderley.

Se ele for afastado até quarta-feira pela manhã, Ricardo Silva, o Ricardinho, primeiro vice, assume. Ele foi suspenso pelo Conselho de Ética do COB, por dois anos, por assédio sexual e moral contra uma funcionária. Mas conseguiu uma liminar na Justiça para continuar na confederação e, se for o caso, assumir a presidência. O problema é que a CBHb pode reconhecê-lo na presidência, mas o COB não. No COB, no movimento olímpico, ele está suspenso e poderia ser barrado na porta da assembleia. Se votar, Ricardinho escolhe Rafael Westrupp.

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