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Comissão de Atletas pede julgamento justo a Carol e lembra 'jurisprudência"

Carol Solberg - Divulgação/FIVB
Carol Solberg Imagem: Divulgação/FIVB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/10/2020 19h39

Mais de duas semanas depois de Carol Solberg ser criticada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) por gritar "Fora, Bolsonaro" em uma entrevista pós-jogo, a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB) finalmente se pronunciou sobre o assunto. Em mensagem publicada no Instagram, o grupo, presidido pelo ex-judoca Tiago Camilo, demonstrou solidariedade com a atleta. O julgamento em primeira instância acontece amanhã (6).

"Nossa Comissão almeja que a atleta possa ter um julgamento justo e com a mesma jurisprudência de casos anteriores envolvendo atletas brasileiros", diz a comissão, sem citar quais seriam esses casos. Os dois episódios mais conhecidos de manifestações políticas de atletas são as declarações do jogador de futebol Felipe Melo a favor do hoje presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o número 17 feito com as mãos pelos jogadores Wallace e Maurício Souza. Nenhum dos três recebeu qualquer punição, enquanto a procuradoria do STJD do Vôlei quer pena máxima para Carol: seis torneios de suspensão e multa de R$ 100 mil.

"Em que pese o regulamento da referida competição (o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia), o debate quanto às manifestações de atletas em arenas desportivas é histórico e, atualmente, abre-se a possibilidade de diálogo para a flexibilização da regra 50 da Carta Olímpica pelo COI, todavia sempre preservando os valores do esporte descritos no documento", continua a comissão, citando a regra que trata da liberdade de expressão nos Jogos Olímpicos.

A postura da CACOB vai de encontro àquela que teve a comissão específica dos atletas de vôlei de praia, ligada à CBV. No dia seguinte, essa comissão, presidida pelo ex-jogador Emanuel Rego, atacou Carol e prometeu lutar para que os atletas não possam expressar suas opiniões m competições esportivas, como fazem, por exemplo, os jogadores da NBA.

"A Comissão Nacional de Atletas de Vôlei de Praia não é favorável a nenhum tipo de manifestação de cunho político em competições esportivas. Por isso, lamenta o ato realizado pela atleta Carol Solberg neste domingo e lutaremos ao máximo para que este tipo de situação não aconteça novamente", escreveu a comissão.

Depois da péssima repercussão, o grupo liderado por Emanuel, que foi embaixador do Banco do Brasil, baixou o tom. "O posicionamento da comissão se refere ao regulamento da competição, que limita a manifestação em área de competição. Este regulamento é público e de conhecimento dos atletas. A comissão representa e respeita os direitos dos atletas, ressaltando que também há deveres a serem cumpridos", disse o grupo na semana passada, mantendo o entendimento de que: "manifestações de caráter político são de responsabilidade individual e não podem ser feitas em ambientes de competição".

Emanuel é membro licenciado da Comissão de Atletas do COB e está em reta final de campanha pelo voto dos seus pares na eleição do COB, que acontece na quarta-feira (7). O campeão olímpico é candidato a vice na chapa de Rafael Westrupp.

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