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Denúncia pede pena máxima a Carol Solberg e multa de R$ 100 mil

Carol Solberg - Divulgação/FIVB
Carol Solberg Imagem: Divulgação/FIVB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/09/2020 11h17

A denúncia apresentada contra Carol Solberg pela subprocuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei pede que a jogadora seja condenada pela penalidade máxima em cada um dos dois artigos nos quais ela foi denunciada. Assim, a atleta pode levar uma multa de R$ 100 mil e seis torneios de suspensão.

A denúncia cita dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 191 — deixar de cumprir o regulamento da competição — e o 258 — assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras do código. Pelo primeiro, a punição varia de R$ 100 a R$ 100 mil. Pelo segundo, suspensão de "uma a seis partidas, provas ou equivalentes".

Uma multa de R$ 100 mil seria equivalente ao que Carol recebeu de premiação na soma de todas as últimas 12 etapas do Circuito Brasileiro, realizadas durante quase dois anos. Nesse período, incluindo o terceiro lugar em Saquarema (RJ), quando ocorreu o "Fora, Bolsonaro", ela conquistou um primeiro lugar, dois segundos, dois terceiros, um quarto, três quintos e um nono. Assim, de novembro de 2018 para cá, ganhou, em premiação bruta, R$ 104 mil.

Os jogadores, porém, dividem seus prêmios com a comissão técnica. Carol não tem patrocínio individual do Banco do Brasil. Sua relação com o banco estatal é intermediada pela CBV: a confederação recebe o patrocínio e, no Circuito Brasileiro, exige que os competidores usem top com os patrocinadores da entidade.

Na denúncia apresentada ontem (29) à secretaria do STJD do vôlei, o subprocurador Wagner Dantas pede que Carol seja "condenada aos termos da penalidade máxima prevista no inciso III do artigo 191 e caput do artigo 258, ambos do CBJD, com a aplicação dos efeitos do artigo 184 do mesmo diploma legal". Esse último artigo, o 184, fala da acumulação de penas.

De acordo com Wagner, o pedido por uma penalidade máxima, porém, é de praxe nesse tipo de denúncia. "A dosimetria da penalidade fica a encargo dos auditores da comissão disciplinar. Os auditores aplicam as atenuantes e as agravantes indicadas no CBJD", comentou ele ao blog.

Na denúncia, o subprocurador aponta que a fala de Carol coloca em risco o patrocínio do Banco do Brasil ao vôlei — ele não cita expressamente, mas teme-se que o governo Jair Bolsonaro (sem partido) retalie a modalidade cortando o patrocínio, que vem desde o governo José Sarney e tem contrato vencendo em abril do ano que vem.

"Tais manifestações somente acirram a divisão existente na sociedade e lançam em perigo o patrocínio ao desporto que garante a sua continuidade, gera renda e empregos, beneficiando atletas, profissionais, mídia, público e patrocinadores. E se ao sujeito político o qual foi o destinatário das críticas da ora denunciada já foi midiaticamente imputada a divisão da sociedade, esta não poderia de forma transversa percorrer o mesmo caminho e contribuir para o aumento desta divisão existente", alega Dantas.

Ele destaca na denúncia (com negrito e sublinhado) que "o interesse e direito individual da denunciada em externar a sua manifestação de forma inapropriada não pode se sobrepor ao interesse e direito coletivo que se beneficia de uma competição financeiramente e desportivamente saudável" e que o regulamento que Carol teria descumprido "primordialmente buscou criar uma proteção do abuso de direito no exercício de direitos individuais".

No termo de participação do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2020/2021, anexo ao regulamento do torneio, os jogadores se comprometem "a não divulgar, através dos meios de comunicações, sua opinião pessoal ou informação que reflita críticas ou possa, direta ou indiretamente, prejudicar ou denegrir a imagem da CBV e/ou os patrocinadores e parceiros comerciais das competições".

"Não há qualquer ganho ou avanço para o desporto em manifestações inapropriadas por parte de atletas a respeito de espectros ou campos ideológicos de sua preferência ou de sua insatisfação, de partidarismo político, ou mesmo, a favor ou contra determinado sujeito inserido dentro do cenário político", continua o subprocurador. Como o Olhar Olímpico mostrou ontem, Dantas se diz antifascista e também protesta contra Bolsonaro nas suas redes sociais. Ele classificou a denúncia contra Carol como "ossos do ofício".

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