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A uma semana da votação, Paulo Wanderley é favorito para se reeleger no COB

Paulo Wanderley -
Paulo Wanderley
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/09/2020 18h52

Faltando uma semana para a eleição para presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), a primeira em décadas com a participação da oposição, o cenário é favorável a Paulo Wanderley. Candidato à reeleição, o ex-dirigente do judô aparece com favoritismo e pode vencer até mesmo no primeiro turno. A ameaça é Rafael Westrupp, do tênis. Helio Meirelles é um azarão correndo muito por fora. Quem ganhar comandará o COB nas duas próximas Olimpíadas.

São apenas 49 os votantes nessa eleição que será realizada de forma presencial na próxima quarta-feira, 7, em um hotel no Rio de Janeiro. Votam os 35 presidentes de confederações "olímpicas" (as que terão modalidade em Tóquio), 12 representantes dos atletas (os mais bem votados na eleição realizada durante a Rio-2016) e os dois membros brasileiros do Comitê Olímpico Internacional: Bernard Rajzman (ex-jogador de vôlei, chegou ao posto enquanto braço-direito de Carlos Nuzman) e Andrew Parsons (presidente do Comitê Paraolímpico Internacional). Ganha quem conseguir 25 votos.

A ONG Sou de Esporte promove amanhã (30), pela internet, o que deverá ser o segundo (e último) debate dessa eleição, depois de um evento do tipo organizado pela Câmara dos Deputados na semana passada. Paulo Wanderley ainda não confirmou presença e a tendência é que ele não participe. Assim, seriam apenas Westrupp e Helio debatendo.

As cartas já estão marcadas, com raras exceções. Quase todas as confederações já têm lado. Dezessete endossaram a candidatura de Paulo Wanderley (badminton, beisebol, canoagem, ciclismo, desportos aquáticos, esgrima, ginástica, handebol, hipismo, judô, caratê, surfe, taekwondo, tiro com arco, triatlo, vela e westling). Hélio tem, prometidos, só os votos das cinco modalidades que chancelaram sua chapa (remo, pentatlo, tênis de mesa, tiro esportivo e LPO), enquanto Westrupp carrega a certeza de sete votos (basquete, vôlei, futebol, tênis, skate, gelo e neve).

Restam apenas outras seis confederações, que não estão aliadas formalmente a ninguém. As de boxe e de golfe subscreveram a chapa de Alberto Murray, que acabou desistindo quando seu vice, Mauro Silva, do boxe, desistiu da candidatura, alegando que não via chances de vitória. Hoje, o boxe é o 18º voto de Paulo Wanderley. Escalada esportiva, hóquei e atletismo devem seguir o mesmo caminho, permitindo a Paulo chegar a 21 votos, enquanto golfe e rúgbi parecem indecisas.

É muito provável, porém, que haja traições, uma vez que o voto é secreto. E é essa a esperança de Westrupp. Além das sete confederações que estão com ele, o dirigente catarinense também tem o apoio de Parsons — o voto do outro membro do COI, Bernard, é segredo guardado a sete chaves. Para chegar a 25 votos num eventual segundo turno e vencer, Westrupp precisaria de alto aproveitamento em todas as articulações, conquistando os dois indecisos, ao menos três aliados de Hélio, dois dos votos que Paulo considera dele, Bernard e mais nove atletas.

A Comissão de Atletas do COB (CACOB) tem 19 membros, que têm se reunido virtualmente, mas só 12 votam. Eles já sabatinaram cada um dos três candidatos, conhecem suas propostas, e discutem votar em bloco, o que é muito improvável que ocorra.

Hugo Hoyama, por exemplo, é funcionário da confederação de tênis de mesa, cujo presidente, Alaor Azevedo, é articulador da chapa de Hélio Meirelles. Emerson Duarte, do tiro, foi aluno de Marco La Porta (vice de Paulo Wanderley) no Exército. Mesmo tendo Robson Caetano como vice, Hélio foi praticamente descartado pelos atletas em solidariedade a Yane Marques, vice da comissão e desafeta do presidente do pentatlo.

Há ainda o fator Carol Solberg. Muitos atletas da CACOB ficaram incomodados com a forma como Emanuel, como presidente da Comissão de Atletas do Vôlei de Praia (órgão vinculado à CBV), jogou Carol aos leões depois do "Fora, Bolsonaro". O campeão olímpico, que também é membro da CACOB (sem direito a voto na eleição) assinou nota dizendo que sua comissão lutaria para proibir manifestação de atletas.

O grupo já não havia gostado da forma como Emanuel se lançou candidato primeiro a presidente e depois a vice sem consultá-los, da mesma forma como se incomodou quando Emanuel ficou ao lado de Duda Musa, dirigente do skate, quando este entrou na Justiça para suspender a eleição da CACOB. Há quem não vote na chapa Westrupp/Emanuel de jeito nenhum.

Não que a rejeição a Paulo Wanderley não seja alta, também. No entender de vários atletas, o atual presidente do COB ainda não conseguiu explicar o escândalo dos contratos de TI, nem a forma abrupta como tentou alterar o estatuto no ano passado.

Paulo Wanderley, que mostrou-se nervoso no debate realizado pela Câmara, até se afastou da presidência do comitê durante a campanha, evitando novos movimentos que o façam perder votos, sabendo que é favorito. Mesmo que não atinja os 25 votos necessários já no primeiro turno, ganha se tiver 23. É que pelo menos dois, Hélio e Alaor, não votam em Westrupp e, provavelmente, se somariam a Paulo num eventual segundo turno.