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Vasco encerra apoio ao esporte paraolímpico e acaba com time pentacampeão

Vasco foi pentacampeão brasileiro de futebol de 7 - Divulgação/CPB
Vasco foi pentacampeão brasileiro de futebol de 7 Imagem: Divulgação/CPB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/05/2020 11h43

A diretoria do Vasco da Gama extinguiu uma equipe pentacampeã brasileira de futebol. No caso, do futebol de 7, modalidade paraolímpica disputada por atletas com deficiência física oriunda de paralisia cerebral. Também chegam ao fim as equipes de natação e vôlei sentado. A decisão foi anunciada ao grupo na segunda-feira (11): estão demitidos quatro técnicos, um auxiliar técnico, uma coordenadora, um roupeiro e 21 atletas. Isso significa que é o fim do departamento de esporte paraolímpico do Vasco.

"Brigamos até o fim. Uma luta bem desleal, porque não tivemos direito a defesa. O comitê gestor, junto com nosso vice-presidente Francisco Vilanova e presidente Alexandre Campello, decidiram finalizar com os esportes paraolimpicos. O paraolímpico do Vasco fez parte da história linda que o Vasco tem de inclusão e de pioneirismo. Isso ninguém vai poder apagar", diz postagem do agora ex-departamento.

Há cerca de duas semanas, quando anunciou a redução salarial de funcionários, o Vasco deixou o esporte paraolímpico de fora. Naquele momento, informou ao departamento que não pretendia mexer ali. O tom mudou na segunda-feira, quando a diretoria avisou os funcionários que eles estavam demitidos. Os sete dispensados ganhavam, juntos, menos de R$ 20 mil por mês. Eles chegaram a propor redução salarial, ou que ao menos os quatro técnicos permanecessem, sendo demitida a coordenadora, que ganhava salário maior, mas não houve acordo.

Também foram demitidos os 21 atletas que tinham carteira assinada e ganhavam cerca de um salário mínimo. Eles haviam sido contratados depois de pressão do Ministério do Trabalho, que cobrava que o clube cumprisse cota de funcionários com deficiência. Os jogadores e nadadores também aceitariam continuar no clube sem salário, desde que os treinadores ficassem. Não foram atendidos. No total, deixam São Januário 128 atletas, contando também categorias de base.

O Vasco foi a base da seleção brasileira de futebol de 7 que foi bronze nos Jogos Paraolímpicos do Rio, em 2016, com sete atletas entre os 14 da equipe. Naquela edição dos Jogos, o clube carioca também contou com os nadadores Caio Amorim, Roberto Alcaide e Susana Schnarndorf e atletas no vôlei sentado.

No ano passado, o time cruz-maltino ganhou o pentacampeonato nacional no futebol de 7, modalidade que vive tempos difíceis, tendo sido excluída do programa dos Jogos Paraolímpicos. No vôlei sentado, o Vasco foi semifinalista do Campeonato Brasileiro masculino no ano passado, e vice em 2018.

"As últimas viagens tivemos que pagar do próprio bolso, mas mantivemos o clube no pódio. Semifinalista de voleibol sentado, acabou morrendo na praia, na sombra dos esportes olímpicos. Esses sim permanecem todos no clube, justo. O paraolimpico do Vasco deixa órfãos esportivamente 128 alunos/atletas", reclama a postagem do departamento.

Na segunda-feira (11) à noite, o Vasco anunciou que "em face dos desafios econômicos agravados com a crise do novo coronavírus, precisou readequar o seu quadro de colaboradores". Ou seja: demitiu funcionários. Entre eles estariam os membros das comissões técnicas dos esportes paraolímpicos.

"A decisão da diretoria administrativa foi tomada considerando as implicações orçamentárias com a crescente queda de receitas, aliada ao cenário extremamente desafiador dos próximos meses em todos os âmbitos. Tais medidas não seriam adotadas não fossem no intuito de assegurar a sobrevivência financeira do clube", diz a nota.

À noite, o Vasco se posicionou sobre o fim da equipe paraolímpica. "As atividades da divisão paraolímpica foram encerradas momentaneamente, até que o Clube reúna novamente condições de investir em uma área pela qual sempre demonstrou apreço. Ressalte-se de que o Clube não dispõe de recursos incentivados. Toda a divisão paraolímpica do Vasco, com investimento de R$ 1 milhão/ano, entre salários, viagens, despesas com competição, uniformes e encargos operacionais, era custeada pela própria instituição", explicou o clube.

"O cenário de queda abrupta e significativa das receitas não deixa alternativa senão a adoção de medidas dolorosas para fazer frente à pandemia e à consequente crise econômica. O momento exige decisões duras em nome da sobrevivência do clube", continuou o Vasco.

Olhar Olímpico