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Atletas olímpicos voltam aos treinos sem testes e sem protocolos

Mayra Aguiar, judoca da Sogipa, em treino antes da pandemia - Abelardo Mendes Jr/Rede do Esporte
Mayra Aguiar, judoca da Sogipa, em treino antes da pandemia Imagem: Abelardo Mendes Jr/Rede do Esporte
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/05/2020 04h00

A primeira leva de atletas de nível olímpico está voltando ao treinamento no Rio Grande do Sul. Mas, diferentemente do que aconteceu quando clubes como Flamengo, Grêmio e Internacional iniciaram o processo de volta às atividades do futebol, no esporte olímpico os atletas não são testados para o novo coronavírus antes do retorno. Dois meses depois do início da pandemia, Comitê Olímpico do Brasil (COB) não tem nenhum protocolo de como deve ser essa retomada.

Em Porto Alegre, judocas da Sogipa, equipe com mais atletas na seleção brasileira de judô, voltaram a treinar. O clube diz que não fala publicamente sobre protocolos de saúde e segurança, mas o Olhar Olímpico apurou que os atletas não foram submetidos a exames de Covid-19. As equipes de rendimento da Sogipa são bancadas por recursos de Lei de Incentivo e, naturalmente, não há no projeto aprovado a previsão deste gasto.

Na equipe treinam atletas de primeiro nível da seleção brasileira, como os medalhistas olímpicos Mayra Aguiar, Ketlelyn Quadros e Felipe Kitadai, além de nomes como Maria Portela e Daniel Cargnin. Eles voltaram às atividades na semana passada, antes de a própria Confederação Brasileira de Judô (CBJ) definir protocolos.

Em nota, a CBJ disse que recebeu somente esta semana o guia de protocolos recomendados pela Federação Internacional de Judô (IJF) para a prática segura do judô no contexto da pandemia de Covid-19 e que "está avaliando o documento para adaptá-lo à realidade e às normas sanitárias vigentes no Brasil". A entidade não comentou o retorno dos treinos dos atletas gaúchos, nem respondeu sobre a necessidade de realizar testes.

Os treinos nos clubes voltaram a ser permitidos na cidade de Porto Alegre somente para atletas "profissionais". Encaixam-se neste perfil dois saltadores da equipe de atletismo da Sogipa e um ginasta, além de diversos nomes do Grêmio Náutico União, que reabre nesta quarta-feira. No GNU vão treinar quatro esgrimistas, cinco ginastas e quatro nadadores. Todos, segundo o clube, disputam vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Questionado se tem recomendações para o retorno das atividades desses atletas, o COB disse que "está de acordo com as atividades dos atletas quando e onde sejam atendidos todos os protocolos de segurança orientados pelas autoridades de saúde, suas normas e os decretos governamentais publicados". O comitê comentou ainda que "prioriza a segurança, a saúde e a integridade física de todos os envolvidos com a prática esportiva de alto rendimento no país" e que tem trabalhado com confederações, atletas e seu entorno.

O COB não respondeu se concorda com o retorno dos atletas sem testes. No caso do GNU, não serão feitos testes, porque, segundo o clube, houve dificuldades na compra dos mesmos. "Os atletas já estão sendo acompanhados pelo centro médico. E assim que recebermos, testaremos todos, assim como os demais profissionais", diz o clube, que alega que, mesmo sem testes, tem monitorado sintomas dos atletas "há algumas semanas".