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Superliga Feminina é encerrada sem campeão; competição segue no masculino

Jogadoras do Praia Clube comemora em vitória sobre o Osasco - DIvulgação/Praia Clube
Jogadoras do Praia Clube comemora em vitória sobre o Osasco Imagem: DIvulgação/Praia Clube
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

19/03/2020 12h50

A Superliga Feminina não terá um campeão na temporada 2019/2020. A decisão foi tomada hoje (19) em reunião virtual entre os clubes que disputam a competição e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). No masculino, os clubes, reunidos à tarde, decidiram esperar mais 30 dias para tomar uma decisão, contrariando a vontade dos atletas, que queriam o encerramento do torneio.

No feminino, com o torneio suspenso por causa do coronavírus desde sábado (14), os gestores dos times resolveram não arriscar pagar mais diversos meses de salários para disputar apenas mais uma ou duas fases da competição e optaram por encerrá-lo. Eles também concordaram que ninguém seria declarado campeão. A comissão de atletas também votou pelo cancelamento.

A primeira votação foi quanto ao encerramento do torneio, que está paralisado desde sábado, depois da realização de apenas um jogo da fase de quartas de final. Nesta votação foram sete votos pela parada e apenas dois pela continuidade do torneio. O Sesi/Bauru foi o primeiro a votar e votou contra, ainda que já defendesse publicamente o cancelamento do torneio. O clube alega que preferia adiar a decisão a espera de unanimidade, para não haver discussões jurídicas no futuro. O Minas também foi contrário. Dois primeiros, Praia Clube e Sesc-RJ, votaram pela paralisação.

Na sequência discutiu-se se, com o campeonato encerrado, haveria decretação de um campeão. Ali a CBV concordou que, oficialmente, não haveria um vencedor para a temporada. A opção era dar o título ao Praia Clube, que fechou em primeiro a fase de classificação. Para fins estatísticos e de distribuição de vagas em competições continentais, fica valendo a classificação da primeira fase, com o Praia em primeiro, mas não com uma taça na estante.

Após o fim da reunião, a temporada 2019/2020 termina desta forma: Dentil/Praia Clube (MG), Sesc RJ, Itambé/Minas (MG), Sesi Vôlei Bauru (SP), Osasco Audax São Cristóvão Saúde (SP), São Paulo/Barueri (SP), Fluminense (RJ), Curitiba (PR), Pinheiros (SP), Flamengo (RJ), Valinhos Vôlei (SP) e São Cristóvão Saúde/São Caetano (SP). Esses dois últimos foram rebaixados. Pinheiros e Flamengo, já eliminados, também não tiveram direito a voto sobre o futuro da competição.

A CBV defendeu o fim do campeonato. "Mais uma vez colocamos nossa opinião, pelo fim do campeonato visando o bem de todos os envolvidos, e demos direto de voto aos clubes. A maioria demonstrou pensar como a CBV e está decretado o fim desta temporada. Em relação a decisão pelo ranking e pelas estrangeiras, houve um equilíbrio maior na votação, mas também está tudo definido. Sentimos muito por ver a Superliga Banco do Brasil terminar dessa forma, mas sabemos que é absolutamente necessário", declarou o Superintendente de Competições Quadra da CBV, Renato D´Avila.

A decisão é financeira e pode pautar outras ligas, de outras modalidades. Os clubes de vôlei costumam firmar contratos que começam a valer em agosto e vão até abril, durante a temporada interclubes (o restante do calendário é ocupado por férias e pelas seleções). Sem saber quando os jogos vão retornar, os clubes não têm condições de firmar novos contratos com as atletas, até porque o dinheiro para a temporada já está no final. Mais cedo, na mesma reunião, os clubes acabaram com o ranking de atletas.

Masculino

No masculino a situação é um pouco diferente porque a competição foi paralisada faltando uma rodada para o fim da primeira fase. O Taubaté é o líder, seguido de Sada/Cruzeiro, Sesc-RJ e Sesi-SP. Ponta Grossa (PR) e América Vôlei (MG) já caíram. O problema é que o Taubaté teria ainda um jogo difícil a fazer, contra o Sesi, em casa, enquanto o Cruzeiro pegaria o Ponta Grossa fora. Essas partidas deveriam ter ocorrido no sábado, dia em que a Superliga foi paralisada.

O Taubaté foi um dos dois clubes que defendeu o cancelamento do torneio, acompanhado do Ribeirão Preto. A comissão de atletas também votou nesse sentido. Mas dez clubes preferiram esperar mais um mês para tomar a decisão final - até os clubes já matematicamente rebaixados puderam votar. A CBV, que queria o cancelamento, pediu que os clubes liberem os atletas de treinamentos.

Ontem (18), os clubes das Superligas B tanto Feminina quanto Masculina tiveram reuniões com a CBV, também virtuais, e já haviam decidido paralisar o campeonato com o resultado da primeira fase. Não foram decretados campeões, mas os dois times com melhor campanha em cada um dos torneios conseguiu acesso: Vedacit/Vôlei Guarulhos (SP) e Uberlândia/Smart Química no masculino e Brasília Vôlei (DF) e Itajaí Vôlei (SC) no feminino.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que foi informado anteriormente, a temporada que não terá um campeão será a de 2019/2020, e não 2019/2010. O erro foi corrigido.

Olhar Olímpico