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Bilionário paga R$ 38 milhões por documento olímpico histórico e o doa

Thomas Bach e Alisher Usmanov com manuscrito do barão de Coubertin - IOC / GREG MARTIN
Thomas Bach e Alisher Usmanov com manuscrito do barão de Coubertin Imagem: IOC / GREG MARTIN
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/02/2020 11h43

O bilionário russo Alisher Usmanov é o comprador da peça de memorabilia esportiva mais cara da história. O Comitê Olímpico Internacional (COI) revelou nesta segunda-feira (10) que o presidente da Federação Internacional de Esgrima (FIE) é a pessoa por trás do lance de US$ 8,8 milhões por um manuscrito em que o barão Pierre de Coubertin propõe a criação das Olimpíadas modernas. E que o documento será doado para o Museu Olímpico, que fica em Lausanne (Suíça).

O histórico manuscrito tem 14 páginas e foi escrito em 1892 para ser a base de um discurso feito pelo aristocrata francês na universidade de Sorbonne para celebrar o quinto aniversário da federação local de atletismo. Ali, Coubertin defendeu a recriação dos Jogos Olímpicos, propondo a realização de um evento que uniria os povos de todo o mundo.

O manuscrito é tido como a "base filosófica" do movimento olímpico, mas foi perdido em algum momento entre as duas grandes guerras. Ele ressurgiu nos anos 1990, quando um francês o localizou em meio a uma coleção na Suíça. O documento, porém, nunca foi exibido publicamente, com exceção de um raro momento, em 2009, em que uma cópia de alta definição esteve exposição durante a Assembleia Geral do COI de 2009, em Copenhague (Dinamarca) - aquela em que o Rio foi escolhido como sede dos Jogos de 2016.

Em dezembro do ano passado, o documento foi levado a leilão pela Sotheby's, em Nova York, com preço mínimo fixado em US$ 700 mil. Mas Usmanov não quiser correr riscos de fez uma oferta avassaladora de US$ 8,8 milhões, o equivalente a R$ 38 milhões na cotação do dia. Na ocasião, o nome do comprador foi mantido em sigilo.

Nesta segunda o COI revelou a novidade. Não só que o bilionário havia adquirido o manuscrito como que ele foi doado para o comitê olímpico, em mais uma grande movimentação financeira de Usmanov em favor do esporte. O bilionário preside a FIE há três ciclos olímpicos e já doou à federação cerca de US$ 80 milhões nas contas do site especializado Inside The Games. Só no ano passado foram mais US$ 5 milhões para deixar as contas da entidade positivas.

Nascido no Usbequistão, mas tido como um dos oligarcas russos, Usmanov chegou a ser dono de 30% do Arsenal, porcentagem que vendeu em 2018. Sua atuação no esporte tem se tornado modelo para outros bilionários. Há dois anos, Vladimir Lisin assumiu a federação de tiro esportivo em modelo semelhante, doando US$ 10 milhões para equacionar as contas da entidade.

Olhar Olímpico