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Tebet diz não ter dúvidas de que contará com o apoio do PSDB

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

25/05/2022 12h04Atualizada em 25/05/2022 17h38

Pré-candidata do MDB à Presidência, a senadora Simone Tebet (MS) afirmou hoje não ter dúvidas de que contará com o apoio do PSDB em sua candidatura. Desde a desistência do ex-governador João Doria (PSDB) da corrida presidencial, na última segunda-feira, os tucanos se dividem entre os que apoiam Tebet e os que preferem uma candidatura própria, preferencialmente a do ex-governador Eduardo Leite.

"Tendo ao lado o Cidadania e, em breve — não tenho dúvidas — o PSDB, a esse clamor eu respondo sim", afirmou Tebet em entrevista coletiva na sede do partido em Brasília. "Semana que vem, estaremos com aqueles que sempre foram nossos aliados de primeira hora. É importante lembrar que o PSDB nasceu do coração e da alma do MDB", afirmou.

Perguntada se aceitaria ser vice de Leite em uma eventual chapa mista com o PSDB, a senadora afirmou que a decisão seria do partido, mas não descartou a possibilidade. "Não é nenhum demérito ser vice", afirmou. Ontem, em entrevista ao UOL, Leite descartou ser vice dela.

Segundo o agregador de pesquisas do UOL, Tebet tem registrado entre 1% e 2% nos levantamentos mais recentes. Apesar dos números, a senadora afirma que tem potencial de crescimento devido à insatisfação dos eleitores com as opções de voto no momento. "Tenho certeza, pelas pesquisas que chegaram, que a população está escolhendo pelo menos pior", disse.

O presidente MDB, deputado Baleia Rossi, garantiu ontem que o nome da senadora estará nas urnas em outubro e que ela tem apoio da "maioria esmagadora" do partido para concorrer.

O PSDB, porém, ainda sofre com as divisões internas na sigla. O partido espera decidir, na semana que vem, se apoiará a emedebista ou buscará uma chapa pura, solução que é defendida por uma ala liderada pelo deputado federal Aécio Neves (MG). Mas o presidente nacional dos tucanos, Bruno Araújo, tem trabalhado para que o partido se una à campanha de Tebet.

Em reunião ontem, em Brasília, vários líderes regionais do MDB manifestaram apoio à candidatura de Tebet. Mas outros, como o ex-senador Romero Jucá, defenderam apenas que a sigla deve ter candidatura própria, sem dar apoio específico às pretensões da parlamentar.

Terceira via

Tebet afirmou hoje que não descarta buscar outras alianças para ampliar o bloco da chamada terceira via, que procura uma alternativa às candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A parlamentar repetiu, várias vezes, que é necessário buscar uma opção à polarização que, segundo ela, "está nos levando para o abismo".

Essa costura de centro, segundo Tebet, poderia incluir até partidos que já têm pré-candidatos lançados, como o PDT de Ciro Gomes. "A partir de hoje, nós começamos a conversar com todos os partidos do centro democrático, sem exceção, que tenham ou não tenham pré-candidatos", disse.

Chacina no Rio

Tebet foi questionada sobre a atitude de Bolsonaro de parabenizar a Polícia Militar do Rio de Janeiro, em suas redes sociais, pela operação que deixou pelo 25 mortos ontem, na Vila Cruzeiro. Segundo a emedebista, o que houve foi um "massacre", e nenhum dirigente político tem o direito de comemorar a ocorrência de situações como essa.

"A questão de segurança pública no Brasil é séria, lugar de bandido é na cadeia, mas o papel da polícia é de prevenção, de repressão. De utilizar-se da inteligência para poder abordar, prender e deixar com a Justiça o papel que lhe cabe, de julgar e condenar", defendeu a senadora.

É preciso que entendamos exatamente e utilizemos essa palavra: o que houve foi um massacre. E ninguém, nenhum dirigente, seja quem for, o Presidente da República ou o cidadão mais comum, tem o direito de festejar a morte de quem quer que seja"
Senadora Simone Tebet, pré-candidata à Presidência da República

Sobre o tema da violência, Tebet antecipou que seu programa de governo vai prever a criação de um ministério da segurança pública. Essa pasta havia sido criada em 2018, durante o governo de Michel Temer, mas na gestão de Bolsonaro houve uma fusão com o Ministério da Justiça, área que inicialmente foi entregue ao ex-juiz Sergio Moro.

Para Tebet, porém, o tema deve ser prioritário na gestão federal. "Quem coordena a gestão de segurança pública no Brasil é e tem que ser o governo federal. Seja na área do sistema penitenciário, que é vergonhoso no Brasil, seja na área da redistribuição dos recursos federais, mas especialmente na área de coordenação e de gestão", disse Tebet.

A senadora avalia que esta gestão "passa por uma polícia preparada, eficiente e bem armada, mas principalmente preparada no seu aspecto mental, psicológico, de saúde".

Alianças

Os diálogos do MDB com outros partidos de centro, em busca de uma candidatura de terceira via, se intensificaram em abril. De início, as negociações reuniam MDB, PSDB, Cidadania e também o União Brasil, partido nascido no início do ano pela fusão entre DEM e o PSL, sigla que elegeu Bolsonaro em 2018.

No início de maio, porém, o União abandonou a terceira via e anunciou que buscaria uma chapa pura (candidato e vice do próprio partido), a princípio encabeçada pelo presidente da legenda, Luciano Bivar. O político, que cedeu o antigo PSL para a campanha vitoriosa de Bolsonaro em 2018, não está sequer entre os 10 candidatos com mais intenção de voto, segundo o agregador de pesquisas do UOL.

Apesar do desempenho de Bivar nas pesquisas, o União não manifestou até o momento a intenção de trocar a candidatura dele pela de Sergio Moro, que era dado como presidenciável até o final de março, pelo Podemos, e disputava o terceiro lugar nas pesquisas com Ciro Gomes, do PDT. Pelo União Brasil, contudo, Moro deve concorrer ao Senado, por São Paulo.

Parte dos líderes das siglas ainda tenta costurar uma aliança ampla para se contrapor aos nomes de Lula e Bolsonaro. Ontem, após a desistência de Doria, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, defendeu uma "aglutinação" que inclua não apenas o União, que ainda mantém a candidatura de Bivar, mas até do PDT que hoje organiza a campanha de Ciro Gomes.