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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Renegade: o que SUV mais vendido do Brasil precisa melhorar na linha 2022

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

14/06/2021 04h00

Após o lançamento do Compass, e preparando-se para a chegada do novíssimo Commander, a Jeep ainda tem mais um ajuste para fazer em sua linha neste ano. Trata-se da gama 2022 do Renegade.

A estimativa é de que o modelo receba algumas mudanças que já foram aplicadas no Jeep Compass e na Fiat Toro, com os quais compartilha plataforma. Esses dois modelos conseguiram resolver, com as atualizações, seus principais problemas.

Será que o Jeep Renegade, SUV mais vendido do Brasil, vai seguir o mesmo caminho neste ano? Abaixo, veja os pontos que precisam melhorar o carro, e se isso ocorrerá ainda em 2021.

Motor

Jeep Renegade Connected Adventure Intelligence - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Como ocorria com Compass e Toro, o Renegade tem um motor flexível antigo e problemático. Trata-se do mesmo 1.8 que era usado na picape da Fiat.

São 139 cv, que podem parecer até muito na comparação com os concorrentes. Mas, na prática, a história é diferente. O propulsor é aspirado e entrega torque de 19,2 mkgf a 3.750 rpm (com etanol). É uma rotação alta quando comparada à dos turbo, que podem usufruir da força máxima antes de 2.000 rpm.

Isso faz uma grande diferença nas retomadas, especialmente para um carro como o Renegade. Preparado para receber tração 4x4 - embora o flex tenha a 4x2 -, o Jeep é mais pesado que a maior parte dos concorrentes - tem a partir de 1.450 kg nas opções com motor bicombustível. Para comparação, o Nissan Kicks tem 1.122 kg.

O resultado é que o Renegade flex não vai muito bem em subidas, ultrapassagens e outras situações que exigem boa capacidade de fazer retomadas. Isso sem compensar a falta de fôlego com bom consumo. Com etanol, o carro faz razoáveis 7,6 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada.

O Renegade ganhará novo motor, mas não o 1.3 (185 cv) apresentado na Toro e no Compass. O propulsor será 1.0 turbo que estreia no Fiat Pulse, previsto para setembro. A estimativa é de que esse propulsor tenha cerca de 130 cv e mais de 20 mkgf de torque.

A potência será menor, mas o aumento do torque, entregue em rotação mais baixa, deverá deixar o Renegade mais ágil nas retomadas, além de entregar um consumo melhor. A grande questão é se o propulsor estreia ainda na linha 2022 neste ano ou ficará para o ano que vem.

No início de 2021, a Stellantis, empresa da qual a Jeep faz parte, informou em uma entrevista coletiva online que não havia planos de fazer alterações na linha de motores do Renegade este ano.

Por outro lado, não faz sentido aguardar se o propulsor 1.0 estará disponível ainda em 2021. A única justificativa é a data de lançamento. É provável que o Renegade 2022 venha antes da estreia do Pulse. Nesse caso, o motor novo ficaria mesmo para o início do ano que vem.

Espaço e porta-malas

Quando o assunto é espaço no banco traseiro, o Renegade está mais para os subcompactos Nivus, WR-V e Tiggo 3X do que para seus rivais de verdade, que têm preço equivalente: Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Nissan Kicks, Honda HR-V e Renault Captur.

Para um SUV, o Renegade deixa muito a desejar nesse parâmetro. A má notícia é que isso não vai mudar. O espaço atrás será exatamente o mesmo que o SUV mais vendido do Brasil já oferece.

O porta-malas é um dos principais problemas do Renegade. São pouco mais de 300 litros. A versão Trailhawk, que não usa estepe temporário como as demais, tem 285 litros. No Compass, a Jeep conseguiu melhorar um pouco a capacidade do compartimento, deixando-o mais fundo. No Renegade, essa missão será mais difícil, pois falta espaço.

Tecnologia

Jeep Renegade Connected Adventure Intelligence - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A maior expectativa é de que o Renegade chegue à linha 2022 com a solução para outra de suas falhas graves: a ausência de saída de ar-condicionado para quem viaja no banco de trás. Não é problema de plataforma, pois o Compass traz essa facilidade. Então, dá para resolver.

Além disso, a cabine do Renegade traz apenas duas entradas USB, uma na frente e outra atrás. Se seguir os passos do Compass, ganhará uma extra, do tipo C, para quem viaja na dianteira. Fora isso, passará a ter carregador de celular por indução (sem fio).

Falta nitidez às imagens da câmera de ré, outro problema que pode ser facilmente resolvido. No Compass 2022, a qualidade desse parâmetro já virou referência - na Toro, não.

Já está bom, mas tem tudo para melhorar

O painel do Renegade tem boa leitura e grande tela de TFT configurável no centro. Mas é improvável que não venha com o quadro de instrumentos virtual na linha 2022. A Toro ganhou, e o Compass também.

O Renegade não pode perder a oportunidade de trazer essa facilidade, que atualmente só é oferecida, no segmento de SUVs compactos, no Nivus, no T-Cross e no Kicks. Mas o painel virtual, se vier, não estará em todas as versões. No Compass, carro de segmento superior, só está disponível a partir da Limited.

A central multimídia do Renegade sempre foi uma referência no segmento. É rápido, tem boa usabilidade e outras funções. Mas, ainda assim, vai melhorar. Como Toro e Compass, o carro terá wi-fi a bordo e tela personalizável, entre outras funções.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL