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Benefícios dos alimentos

Apesar de pequena, pitanga é notável e faz bem para pele, visão e imunidade

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Cecilia Felippe Nery

Colaboração para o VivaBem

10/01/2022 04h00

A fruta pode ser pequena —de 2 a 3 centímetros de diâmetro—, mas seu aroma é intenso e característico e o sabor agradável, combinando o doce com o ácido. A exótica pitanga, fruta nativa do Brasil, encontrada na Mata Atlântica, é mesmo uma pequena notável, uma vez que, além dessas características inconfundíveis, possui grande valor nutricional: é fonte de vitamina C, A e os minerais cálcio, ferro e fósforo. Ela ainda apresenta baixo valor energético: 100 gramas da fruta contam com apenas 51 calorias.

A pitanga, cuja nomenclatura botânica é Eugenia uniflora L., tem etimologia derivada do tupi "pi'tãg", que quer dizer vermelho, em menção à cor do fruto. Na mesma pitangueira, no entanto, as cores dos frutos podem variar. "Quando inicia o processo de maturação, passa do verde para o amarelo, alaranjado, vermelho, vermelho-escuro, podendo chegar até quase o preto", informa a médica nutróloga Isolda Prado.

De acordo com a nutricionista Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, a pitanga pode ser encontrada, ainda, nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e no cerrado, por ser de fácil adaptação a variações de clima e solo. "Mas é muito pouco explorada comercialmente", ressalta.

Por outro lado, embora nativa, a pitangueira não é espécie endêmica do Brasil: "Pode ser encontrada em várias partes do mundo também, como Paraguai, Argentina e Uruguai", destaca a nutricionista Glaucia Medeiros. A época desta fruta no Brasil é entre outubro e janeiro e seu valor comercial vem de seu alto rendimento —tem 66% de polpa e 34% de semente—, qualidade nutricional, sabor e aroma exóticos

Benefícios da pitanga

1. Melhora saúde intestinal

As fibras contidas na pitanga, assim como em outras frutas, favorecem o desenvolvimento de microrganismos saudáveis no intestino, melhorando a microbiota intestinal. Além disso, favorecem o funcionamento do órgão, prevenindo a prisão de ventre.

2. Auxilia o sistema Imunológico

Por ser rica em vitaminas A e C, a pitanga ajuda a fortalecer o sistema imunológico, contribuindo para a prevenção de doenças infecciosas.

3. Previne o envelhecimento celular

Além dos benefícios obtidos dos nutrientes da pitanga, a fruta possui diversos compostos bioativos, especialmente antocianinas, carotenoides e flavonoides, o que faz dela um alimento funcional. Esses componentes são potentes antioxidantes naturais que contribuem para reduzir a velocidade do envelhecimento celular, e ajudam a prevenir doenças degenerativas, cardiovasculares e até câncer. Um estudo da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) mostrou que a presença de antocianinas, flavonóis e carotenóides totais na pitanga roxa fazem deste fruto uma fonte promissora de compostos antioxidantes.

4. Atua como anti-inflamatório

As frutas vermelhas, como a pitanga, devido a seus componentes bioativos, possuem também importante ação anti-inflamatória, contribuindo para o bem-estar geral do indivíduo.

5. Melhora a pele e a visão

A pitanga pode contribuir com a vitalidade da pele, interferir positivamente na visão, além de participar como adjuvante em processos antibacterianos e antifúngicos (por exemplo, na melhora da periodontite).

6. Ajuda saúde cardiovascular

Pelo alto teor dos compostos fenólicos, o consumo regular de pitanga apresenta resultados positivos sobre a saúde cardiovascular, redução do ácido úrico e melhora do sistema imune, tratamento de diarreias e hipertensão. Em uma revisão de literatura buscou-se levantar dados para encontrar plantas medicinais, como as folhas de pitangueira, que tratem a hipertensão.

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A pitanga é conhecida mundialmente também como "brazilian cherry", ou cereja brasileira
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Como consumir

A colheita da pitanga é efetuada aproximadamente 50 dias após a floração. Os frutos devem ser colhidos, manualmente, ainda na planta, quando apresentarem uma coloração vermelho-rubro, indicando o seu grau de maturação. A pitanga está boa para consumo quando se encontra vermelha ou roxa, geralmente entre os meses de outubro e janeiro.

Fruta versátil, pode ser consumida na sua forma natural ou em polpa congelada, sendo utilizada em doces, geleias, sorvetes, refrescos, vinho, iogurte, licores e fermentados. Assim como outras frutas nativas, a pitanga também é ingrediente de pratos salgados sofisticados. Das folhas ainda pode ser feito um saboroso chá.

Segundo o Conselho Regional de Farmácia, a pitanga é considerada uma planta medicinal. "O chá de suas folhas pode ter efeito antidiarreico na doença não infecciosa e ação cicatrizante", informa Silva.

Estudos têm mostrado que as sementes também são ricas em proteína e constituintes antioxidantes, que podem trazer benefícios à saúde. "Extrato da semente (caroço) da pitanga vêm sendo estudado e apresenta resultados positivos para alguns desfechos. Entre eles, propriedades antibióticas, antioxidantes e anticancerígenas", aponta Prado.

Conforme Medeiros, apesar da diversidade de preparos, ela é muito apreciada ao natural e cada fruta apresenta um caroço globoso, mas que se ingerido não causa nenhum problema.

Riscos e contraindicações

A pitanga é uma fruta sem restrições. Assim, não há contraindicações gerais no seu consumo, apenas se houver, em casos raros e individuais, alergias à fruta.

Medeiros também adverte para a ingestão do chá. "Neste caso, há restrições de consumo para pessoas hipertensas, uma vez que ele possui ação diurética", esclarece.

Quando utilizada para fins funcionais, Prado reforça ser necessário fazer um acompanhamento para verificar a interação com medicamentos. "Por exemplo, quando associada ao tratamento da hipertensão, pela sua ação diurética, como já mencionado", reforça.

Assim como as demais frutas, a pitanga é um alimento de baixo teor calórico, muito saudável e nutritiva. "A recomendação do OMS (Organização Mundial da Saúde) é que sejam consumidas ao menos três porções de frutas ao dia para a manutenção da saúde e prevenção de doenças, exatamente pela sua composição nutricional e abundância de fitoquímicos", orienta Silva.

Fontes: Glaucia Medeiros, nutricionista especialista em nutrição clínica funcional; Isolda Prado, médica nutróloga da Associação Brasileira de Nutrologia, mestre e doutora em ciências médicas pela FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo); Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, nutricionista, mestre em saúde coletiva UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e doutora em nutrição em saúde pública pela USP (Universidade de São Paulo).

Referência: Taco (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos).

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