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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Amoxicilina trata infecções, e só deve ser usada sob indicação médica

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para o VivaBem

24/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Amoxicilina é um antibiótico usado para tratar vários tipos de infecções bacterianas
  • Considerada eficaz e segura, tem uso pediátrico, é indicada para gestantes, lactantes e até idosos
  • Para garantir bons níveis dela na corrente sanguínea, é essencial que se respeite a dose e tempo de tratamento
  • Automedicar-se com a amoxicilina é desaconselhado. Há risco de resistência bacteriana

Muito útil no atendimento básico de atenção à saúde, a amoxicilina é um antibiótico que pertence ao mesmo grupo da penicilina, medicamento descoberto por Alexander Fleming, em 1928, e que mudou a história das ciências médicas.

O que é amoxicilina?

Trata-se de um antibiótico que é classificado como um penicilânico, e é utilizado no combate às bactérias como a maioria das espécies de Streptococcus, Listeria monocytogenes e Enterococcus. É usada também contra a Haemophilus influenzae, algumas Escherichia coli, além de espécies de Clostridial, Salmonella, Shigella e Corynebacteria, entre outras.

Em quais situações você pode usá-lo?

Como é um antibiótico, esse medicamento só pode ser vendido sob prescrição médica e a receita deve ser retida para controle de seu consumo.

Dado o tempo de existência desse tipo de fármaco, ele é considerado muito seguro. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado.

"No caso dos antimicrobianos, o respeito a esse tempo quer dizer fazer o tratamento até o fim, mesmo que os sintomas terminem antes", esclarece Fernanda Cristina Ostrowski Sales, professora da disciplina de farmacologia dos cursos de medicina, farmácia e odontologia da PUC-PR.

Ao não respeitar as indicações do profissional da área da saúde, você colabora para a resistência bacteriana. Isso significa que o antibiótico poderá não fazer efeito quando for necessário usá-lo em outra oportunidade.

A amoxicilina pode ser usada para eliminar infecções, como as que você vê a seguir:

O medicamento poderá ser indicado por médicos ou dentistas em outras situações, como procedimentos odontológicos e no tratamento da periodontite.

Entenda como ela funciona

A amoxicilina possui excelente farmacocinética, ou seja, independentemente da apresentação, ela é rapidamente absorvida e distribuída pelos tecidos, até que chega a seu alvo, efetua sua ação, se transforma em um produto a ser eliminado (metabolização). Ao finalizar sua tarefa, ela sai do corpo pela via renal.

Quanto à farmacodinâmica, ou mecanismo de ação, ela age evitando a reprodução de bactérias e matando-as (morte celular).

Conheça as apresentações disponíveis

A amoxicilina é um antibiótico oral. O medicamento de referência é o Amoxil®. Mas você também pode encontrar as versões genéricas que terão as seguintes apresentações:

  • Suspensão oral - 125mg; 250mg; 200mg, 400mg e 500 mg;
  • Cápsulas - 500 mg;
  • Comprimidos revestidos - 875mg.

A depender da gravidade ou do tipo da infecção, o médico deverá indicar o tempo e a dose necessários para o tratamento. Jamais se automedique ou abandone o tratamento antes do tempo determinado. Isso também leva à resistência bacteriana.

"A ideia é que se use de 7 a 21 dias. Em algumas situações o uso poderá ser mais prolongado. Mas esses casos são a exceção. O importante é ressaltar que nunca se faça uso de restos de antibióticos utilizados anteriormente sem a devida orientação médica", explica Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e gestor da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

A maior vantagem é que a amoxicilina é amplamente utilizada pelos médicos por suas altas taxas de segurança e eficácia em várias infecções.

"Ela não é como água, mas é classificada como risco B, o que faz dela um fármaco que pode ser usado no tratamento de crianças, recém-nascidos e até grávidas [a critério e sob orientação médica]", ressalta Gracinda Maria D'Almeida e Oliveira, farmacêutica e professora da PUC-PR.

A desvantagem é que ela tem esquema de doses a cada 8 horas, portanto, 3 vezes ao dia, o que pode ser desagradável para o paciente. Além disso, não pode ser usada por pessoas com alergia a algum componente da fórmula da amoxicilina ou outros antibióticos semelhantes. Para estes, existem antimicrobianos alternativos (macrolídeo ou fluoroquinolona), que poderão substituí-la, a depender do tipo de infecção e da idade do paciente.

Saiba quais são as contraindicações

Pessoas com histórico de hipersensibilidade à penicilina podem ter reações graves e até fatais. Geralmente esses casos se relacionam a indivíduos com histórico de alergia a antibióticos betalactâmicos como as penicilinas e cefalosporinas. O risco anafilático é possível, mas raro.

Outra advertência se refere à hipótese da presença de suspeita de mononucleose infecciosa, já que a ocorrência de rash eritematoso (mobiliforme) tem sido associada com essa condição após o uso do fármaco.

Crianças e idosos podem usá-la?

Sim. A administração da amoxicilina em crianças é até preferencial, dado o sabor ser mais tolerável para esse grupo.

Como esse antibiótico é excretado por via renal, os cuidados com os idosos dizem respeito a uma possível adequação da dosagem e acompanhamento. Como esse grupo, geralmente utiliza remédios de uso contínuo (polifarmácia), é preciso estar atento também às interações medicamentosas. De modo geral, o uso prolongado não é indicado.

Estou grávida? Posso usar amoxicilina?

Sim. Ela poderá ser usada desde que a paciente esteja sob acompanhamento médico, único profissional capaz de avaliar o custo/benefício de sua utilização.

Durante o período de amamentação o medicamento também pode ser utilizado nas mesmas condições. Nessa hipótese, a dosagem deve ser cuidadosamente estabelecida pelo médico.

Uso anticoncepcional. O medicamento corta o seu efeito?

Sim. "A razão para isso é que a amoxicilina pode reduzir o efeito do anticoncepcional. Por isso, durante o tratamento é aconselhável que a pessoa faça uso de métodos de barreira como a camisinha para garantir a proteção desejada", fala Danyelle Cristine Marini, farmacêutica e diretora do CRF-SP.

Qual é a melhor forma de consumi-la?

Não há restrições quanto ao uso com alimentos nem em jejum. Mas é aconselhável que seja administrado com água. Leite, sucos, chá, café ou refrigerantes ao entrarem em contato com o medicamento podem resultar em reações químicas que podem alterar a sua estrutura.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Não. O importante é que ele seja ingerido na forma indicada pelo médico ou dentista (que pode ser de 8 em 8 horas ou 12 em 12 horas, a depender da apresentação) e não interrompa seu uso antes do final do tratamento, mesmo quando houver melhora dos sintomas após a primeira dose.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome assim que lembrar e reinicie o esquema de uso do medicamento. É desaconselhado tomar doses em dobro de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquecem de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

A amoxicilina, em geral, é bem tolerada. Apesar disso, algumas pessoas poderão apresentar as seguintes queixas:

  • Reações comuns: enjoo, diarreia, erupções de pele;
  • Reações incomuns: coceira; vômito; urticária.
  • Sintomas mais graves como convulsões, sinais de alergia, mudança da cor da língua são raros. Mas se observar a presença desses sinais, procure ajuda médica.

Interações medicamentosas

Alguns medicamentos não combinam com a amoxicilina, e podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise seu médico se estiver consumindo algum dos seguintes fármacos:

  • Medicamentos para tratamento de gota (probenicida ou alopurinol);
  • Outros antibióticos;
  • Anticoncepcionais;
  • Anticoagulantes (varfarina).

É importante falar com um médico, farmacêutico ou até o dentista antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo de algum fitoterápico, suplemento ou vitaminas.

Interação com exames

Caso você seja diabético, o uso da amoxicilina pode alterar a dosagens de glicemia. Antes de fazer o teste, comunique a seu médico ou ao laboratório o uso da medicação.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15 °C e 30 °C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Danyelle Cristine Marini, diretora do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo) (tesoureira), professora do curso de medicina na Unifae (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino/São João da Boa Vista) e nas Faculdades Integradas Maria Imaculada (Mogi Guaçu); Fernanda Cristina Ostrowski Sales, farmacêutica, bioquímica, mestre em tecnologia em saúde pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e docente atuando na disciplina de farmacologia dos cursos de medicina, farmácia e odontologia da mesma instituição; Gracinda Maria D'Almeida e Oliveira, professora da PUC-PR. Tem experiência na área de Farmacologia, atuando principalmente na atenção farmacêutica, assistência farmacêutica, farmacêuticos e farmacovigilância; Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e clínico do Home Care da Amil, responsável pela Saúde do Homem do DAPS (Departamento de Atenção Primária à Saúde), da Prefeitura Municipal de Curitiba, professor da Escola de Medicina da PUC-PR. Revisão técnica: Fernanda Cristina Ostrowski Sales.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Robert Gaynes. The Discovery of Penicillin—New Insights After More Than 75 Years of Clinical Use. Emerg. Infect. Dis. 2017; Bobak J. Akhavan; Praveen Vijhani. Amoxicillin. NCBI. 2019.

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