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Gustavo Cabral

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Infecção de pessoas vacinadas por variantes do coronavírus: o que esperar?

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Imagem: iStock
Gustavo Cabral

Gustavo Cabral é imunologista PhD pela USP (Universidade de São Paulo), pós-doutorado pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e pela Universidade de Berna (Suíça), e pesquisador da USP/Fapesp

Colunista do VivaBem

22/02/2021 11h23

Devido à pandemia, o mundo "está parado" desde os primeiros meses de 2020 e as pessoas têm se assustado com qualquer coisa relacionada ao coronavírus (SARS-CoV-2) que fuja dos "padrões esperados". Entre os motivos que já geraram ou ainda geram preocupação na população estão o desenvolvimento rápido das vacinas, os casos de reinfecção, o surgimento de novas variantes mais infecciosas —algo inesperado pela sociedade, mas nada surpreendente para nós, cientistas— e, mais recentemente, a possibilidade de pessoas que já receberam a vacina serem reinfectadas por essas mutações.

Sim, isso pode acontecer. Mas é importante se lembrar que uma pessoa vacinada pode ser infectada não só pelas variantes do coronavírus, como também por sua versão "antiga". Isso porque uma característica bem divulgada das imunizações disponíveis —e que venho chamando a atenção há tempos— é que as vacinas protegem contra a covid-19, especialmente suas formas graves, mas não contra o coronavírus. Assim, mesmo quem tomou a vacina pode ser infectado.

Mas, o que importa mesmo é que as pessoas não desenvolvam a doença grave após serem infectadas, seja pelas novas variantes, seja pelas "antigas"

Dessa forma, as vacinas alcançarão o principal objetivo de seu desenvolvimento: proteger contra casos moderados e graves da covid-19, evitando a necessidade de atendimento médico, hospitalização, internação na UTI e mortes e inibindo um colapso no sistema de saúde.

Por tudo isso, não há necessidade de entrar em pânico ao ler que novas variantes estão surgindo e infectando pessoas vacinadas —ou reinfectando pessoas que já tiveram covid-19. Claro que isso não entrar em pânico não significa que devemos relaxar. Precisamos seguir dedicando todos os nossos esforços para combater a pandemia, diminuir a disseminação do coronavírus e evitar que surjam novas variantes que podem "escapar" das vacinas e se tornarem mais letais. Como? A receita é antiga: evitar aglomerações e o contato social, usar máscaras, lavar as mãos frequentemente e aderir à vacinação em massa.

Vale lembrar que todas as vacinas liberadas até o momento são seguras, mas foram autorizadas para uso humano de forma emergencial, ou seja, com dados preliminares. Ou seja, as imunizações podem ter alguma pequena mudança na sua taxa de eficácia e ainda precisamos de tempo para saber por quantos anos (ou meses) cada vacina vai nos proteger da doença. Dessa forma, todas as vacinas poderão apresentar algo novo após a conclusão dos testes e da vacinação em massa, que está acontecendo.

Nunca é demais ressaltar que já temos milhões de pessoas vacinadas sem efeitos colaterais graves, dessa forma, dá para afirmar que a vacina é segura e não devemos nos preocupar com alguma "surpresa" em relação a isso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL