PUBLICIDADE

Topo

Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que não te contam sobre o uso de vitaminas e hormônios

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

28/04/2022 04h00

O mercado de polivitamínicos nunca antes foi tão promissor! Mesmo com fracas evidências científicas de sua utilidade e com pontuais indicações, diariamente me deparo com pessoas utilizando suplementações de vitaminas, minerais e, até mesmo hormônios, sem qualquer recomendação formal.

Esse mercado de alta lucratividade movimenta bilhões em todo o mundo, propagando a ideia de ativar o metabolismo, fornecer mais energia e melhorar a imunidade. Tentador, não é mesmo?!

A grande preocupação é que esses suplementos, especialmente aqueles cujo uso se dá por vias de administração não estudadas adequadamente, têm atraído a atenção de muita gente, inclusive de médicos que também querem compartilhar os lucros advindos dessa má prática e que passaram a recomendar tais terapias, mesmo sem o devido respaldo científico até o momento.

Sabe-se que o uso indiscriminado de polivitamínicos e hormônios, sem qualquer orientação e acompanhamento por um profissional qualificado, não é isento de riscos e ainda pode causar danos significativos à saúde.

Uma premissa básica: nem além, nem aquém; logo, se não há deficiência, não há benefício suplementar.

Isso vale tanto para vitaminas quanto para hormônios, em que se recomenda repor apenas aquilo que está faltando, não sendo observado efeito positivo adicional com doses extras. Na maioria das situações, uma alimentação balanceada já garante um aporte adequado de vitaminas.

Mas agora você pode estar se perguntando: "E se eu não dosar todas as minhas vitaminas e hormônios, como posso saber se tenho alguma deficiência?"

Engana-se quem pensa que excesso de exames reflete maior cuidado com a saúde. Os exames complementares, como o próprio nome sugere, só são úteis para complementar alguma suspeita clínica. Faz-se necessária uma avaliação individualizada e detalhada, considerando as particularidades e a condição de saúde de cada um, a fim de direcionar a investigação e confirmar a real necessidade de suplementação.

Só a título de curiosidade, existem mais de 50 tipos de hormônios, 13 tipos de vitaminas e mais de 30 minerais que podem ter suas concentrações determinadas. É, no mínimo, oneroso e contraproducente sair realizando dosagens aleatórias, sem qualquer critério.

Ao solicitar exames sem saber ao certo o que se busca, há maior risco de erros na interpretação de resultados, necessidade de recorrer a mais exames e tratamentos questionáveis.

Ademais, tem sido assustador o crescente uso (e abuso!) de vitaminas, enzimas e antioxidantes injetáveis, a famosa soroterapia, geralmente com fins estéticos e/ou para melhora de performance. Frequentemente divulgada por influenciadores digitais e prometendo resultados surpreendentes, essa moda perigosa vem ganhando admiradores que investem grandes quantias em tratamentos sem comprovação e sem estarem cientes de possíveis danos.

É importante alertar que não há estudos científicos consistentes que garantam a eficácia e a segurança desses compostos.

Quando há necessidade de repor vitaminas ou minerais, realizar ajustes na alimentação é sempre preferível. Quando o objetivo não for atingido, a suplementação oral pode ser uma opção, reservando as formulações injetáveis para situações excepcionais, como nos casos de doenças intestinais que cursem com má absorção de nutrientes.

O excesso de vitaminas pode ocasionar prejuízos, como é o caso da intoxicação de vitamina D (níveis acima de 100 ng/mL) e consequente risco de problemas renais irreversíveis e da associação de alguns tipos de cânceres com o excesso de vitamina E.

Assim, não vale a pena se submeter a riscos desnecessários. Evite a automedicação, mesmo de compostos ditos "inofensivos", mas que podem afetar a sua saúde. Não desperdice tempo e nem dinheiro adquirindo produtos sem benefício comprovado.

Certifique-se que os produtos utilizados com propriedades terapêuticas são autorizados pelos órgãos reguladores. Não utilize qualquer medicação ou suplemento sem supervisão de profissionais qualificados. Sua saúde pode estar em risco. Pense nisso!