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Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Um vinhozinho pode cair bem: conheça os benefícios do resveratrol

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Imagem: Getty Images
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Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

16/06/2022 04h00

Apreciadores de vinhos estão sempre buscando uma oportunidade para usar o saca-rolhas e desfrutar de uma garrafa: desde aliviar o estresse do dia a dia até celebrar conquistas importantes!

A bebida é rica em resveratrol, um composto da família dos polifenois encontrado principalmente na casca de frutos tintos, como a uva. Essa substância, amplamente presente no vinho tinto, possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem ser benéficas à sua saúde ao:

  • melhorar o perfil de colesterol
  • reduzir a pressão arterial
  • auxiliar no controle do açúcar no sangue
  • modificar positivamente a flora intestinal
  • rejuvenescer as artérias e inibir a formação de coágulos
  • reforçar a imunidade

Uma curiosidade sobre ele: acredita-se, inclusive, que o resveratrol é um dos componentes do vinho tinto que contribui para o paradoxo francês, que se refere a uma baixa prevalência de problemas cardíacos, mesmo com elevado consumo de gordura saturada entre os franceses.

Em relação à suplementação de resveratrol, os dados ainda são bastante escassos, embora alguns estudos já venham sugerindo que pode ser uma ferramenta útil para auxiliar no tratamento de condições metabólicas, tais como diabetes, obesidade e alterações no colesterol.

Logo, enquanto estudos mais consistentes não apontarem segurança e eficácia de altas doses de resveratrol, não há recomendação formal de suplementá-lo na forma de cápsulas.

Ao mesmo tempo que aguardamos mais dados, um vinhozinho pode cair bem. Há benefícios relatados no consumo moderado. Mas lembrem-se, como tudo na vida, equilíbrio é fundamental! Por tratar-se de um produto alcoólico, é necessário que sua ingestão seja consciente e controlada.

Recente análise dos dados preliminares de saúde de mais de 300 mil consumidores de álcool (especialmente vinho), apresentada na conferência deste ano da Associação Americana do Coração (AHA, sigla em inglês), demonstrou que o consumo moderado de vinho, quando ingerido durante a refeição, esteve associado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Mesmo com resultados positivos, fica o alerta que isso não é uma razão para estimular pessoas que não bebem começarem a consumir álcool.

Vale reforçar para quem consome regularmente: recomenda-se que o consumo diário não exceda aproximadamente 150 ml para mulheres e 300 ml para homens, ou seja, o equivalente a 1-2 taças de vinho.

Além disso, é fundamental que você seja avaliado pelo seu médico quanto à presença de alguma condição de saúde que possa ser afetada negativamente pelo consumo de álcool. Caso contrário, aos consumidores atuais de vinho, apreciem com moderação e saúde a todos!

Referências

1. Chaplin A, Carpéné C, Mercader J. Resveratrol, Metabolic Syndrome, and Gut Microbiota. Nutrients. 2018 Nov 3;10(11):1651.

2. Malaguarnera L. Influence of Resveratrol on the Immune Response. Nutrients. 2019 Apr 26;11(5):946.

3. https://scitechdaily.com/drinking-wine-with-meals-associated-with-lower-risk-of-type-2-diabetes/.