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Fernanda Victor

REPORTAGEM

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Sua microbiota intestinal ajuda ou atrapalha seu emagrecimento?

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Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

02/06/2022 04h00

Nosso intestino abriga cerca de 10 vezes mais microrganismos do que o número de células do corpo! Isso mesmo... Existe uma verdadeira comunidade de seres microscópicos habitando seu intestino neste momento. Eles compõem a nossa microbiota intestinal, ou popularmente conhecida como "flora", e contribuem para extrair energia e nutrientes dos alimentos.

Hoje sabe-se que existe uma "flora" intestinal amplamente diversa, cujo equilíbrio é fundamental para nosso bem-estar físico e emocional. O fato é que suas bactérias intestinais estão sempre de olho nos seus hábitos para manter uma relação saudável e harmônica entre elas e sua saúde.

Os tipos de alimentos e a quantidade de calorias consumidos ao longo do dia são capazes de regular a composição e a função da microbiota intestinal. Uma dieta rica em gorduras e com alto teor de carboidratos influencia negativamente a flora intestinal e favorece o crescimento de colônias de "bactérias do mal".

Alguns estudos demonstram que há aumento da proporção de bactérias prejudiciais com o aumento do peso e do IMC (Índice de Massa Corpórea). Pesquisadores na área já comprovaram que há diferença na microbiota bacteriana intestinal entre indivíduos obesos e magros.

Além da menor diversidade de bactérias observada no microbioma intestinal de pessoas com obesidade, elas conseguem digerir e absorver de forma eficiente uma maior quantidade de calorias.

Esse desequilíbrio na diversidade e na composição desses microrganismos intestinais, também conhecido como disbiose, pode causar distúrbios metabólicos, levando à obesidade.

A disbiose da microbiota intestinal está intimamente ligada à obesidade. Muitos microrganismos intestinais foram identificados como relacionados à obesidade. Eles induzem a ocorrência e o desenvolvimento da obesidade aumentando o apetite e a absorção de calorias (e também de toxinas!) provenientes dos alimentos, além de promover maior acúmulo de gordura e um ciclo vicioso de inflamação crônica.

A boa notícia é que podemos contar com a ajuda desses amigos intestinais invisíveis e somar forças no processo de emagrecimento. A microbiota intestinal pode ser modificada com a perda de peso, sendo verificado um aumento da proporção de bactérias benéficas à medida que ocorre perda de peso em quem tem obesidade.

Escolhas alimentares saudáveis com maior consumo de fibras e de alimentos naturais, além de boas noites de sono, prática regular de atividade física, evitar a ingestão de tóxicos (álcool e tabaco) e de antibióticos desnecessários favorecem as "bactérias do bem", modulando a microbiota de forma positiva.

Evidências recentes sugerem que a microbiota intestinal saudável, além da saúde digestiva, influencia no equilíbrio hormonal e metabólico, desempenhando um importante papel no tratamento da obesidade e de doenças correlacionadas.

O segredo para manter uma boa saúde intestinal consiste, portanto, em esforçar-se para ter uma rotina cada vez mais saudável! Não se recomenda o uso indiscriminado de probióticos para modular a microbiota sem acompanhamento e indicação de um especialista.

Sendo assim, quanto mais hábitos saudáveis você incorporar, melhor será a sua microbiota e você poderá ter mais uma aliada no processo de emagrecimento.

Referências

1. Liu BN, Liu XT, Liang ZH, Wang JH. Gut microbiota in obesity. World J Gastroenterol. 2021; 27(25):3837-3850

2. Sales P, Halpern A, Cercato C. O Essencial em Endocrinologia. 1 ed. Rio de Janeiro. Roca, 2016.

3. Mitev K, Taleski V. Association between the Gut Microbiota and Obesity. ID Design Press. 2019; 7(12):2050-2056.