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Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ovários policísticos e alterações hormonais: o que você precisa saber

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Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

05/05/2022 09h37

A síndrome dos ovários policísticos (ou simplesmente SOP) representa uma das doenças endócrinas mais comuns em mulheres na idade reprodutiva, podendo afetar até 1 em cada 5 mulheres, de acordo com os critérios adotados para o diagnóstico.

Apesar da elevada prevalência, estima-se que cerca de 70% das mulheres afetadas permanecem sem diagnóstico e, consequentemente, sem o adequado tratamento.

A síndrome caracteriza-se pela produção aumentada de hormônios masculinos (andrógenos) pelos ovários e pelo excesso de insulina. Em virtude dessas alterações, mulheres com SOP apresentam maior risco de desenvolver diabetes, hipertensão e distúrbios do colesterol, ou seja, apresentam elevado risco cardiometabólico.

No entanto, são as alterações reprodutivas (em razão da presença de irregularidade menstrual e consequente dificuldade para engravidar) e estéticas (em razão do excesso de pelos no corpo, acne, oleosidade na pele e queda de cabelo) que geralmente motivam a busca por uma avaliação médica.

Mesmo que os ovários com múltiplos cistos atribuam o nome da síndrome, o espectro de sinais e sintomas na SOP é muito amplo e as alterações ovarianas não são obrigatórias para fechar esse diagnóstico. Existem mulheres que têm SOP sem apresentar o aspecto micropolicístico dos ovários ao ultrassom, assim como ter cistos no ovário não é sinônimo de ter SOP, sendo apenas um dos critérios para o diagnóstico.

Atualmente, recomenda-se a utilização dos critérios de Rotterdam (2004) que incluem: 1) excesso de hormônios masculinos (identificado na avaliação clínica e/ou laboratorialmente); 2) irregularidade menstrual ou disfunção na ovulação; e 3) imagem com alterações ovarianas ao ultrassom.

Após a exclusão de outras doenças que podem cursar com sintomas semelhantes, a presença de 2 desses achados já é suficiente para estabelecer o diagnóstico de SOP.

Considerando que a SOP está fortemente associada ao excesso de insulina, realizar mudanças no estilo de vida, incluindo planejamento nutricional e rotina de exercícios físicos, é a base do tratamento.

Independentemente da presença de excesso de peso, a abordagem deve dar ênfase não somente às alterações hormonais próprias da síndrome, como também aos distúrbios metabólicos associados.

Ademais, a abordagem deve levar em consideração as características e expectativas da paciente, além do seu desejo ou não de engravidar.

O controle metabólico obtido com a modificação do estilo de vida, associado ou não a medicações, permite o controle do peso, melhora a resistência à insulina, reduz os níveis de andrógenos produzidos pelos ovários e ainda é capaz de restaurar as funções reprodutivas.

Assim sendo, hábitos mais saudáveis podem trazer benefícios duradouros, tanto hormonais, quanto reprodutivos.

Referências

1. Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome. Fertil Steril. 2004; 81:19-25.

2. Australian Clinical Practice Guidelines. International evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. 2018.

3. Osibogun O et al. Polycystic ovary syndrome and cardiometabolic risk: opportunities for cardiovascular disease prevention. Trends Cardiovasc Med. 2020; 30:399-404.