Elânia Francisca

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Opinião

Jogos e brincadeiras na promoção de saúde mental durante a adolescência

Toda vez que sou contratada por alguma instituição para abordar as temáticas de saúde mental, sexualidade e desenvolvimento infantojuvenil, gosto de observar a dinâmica do local, a presença (ou ausência) de espaços de brincadeiras, jogos e convivência entre crianças e adolescentes.

Durante muitos anos tenho percebido que tanto os espaços de educação formal quanto os locais de educação não formal possuem um número considerável de brinquedos e jogos relacionados ao universo infantil, ao passo que as atividades voltadas para adolescentes muitas vez se limitam —quando muito— a uma mesa de pingue-pongue ou à disponibilização do espaço da quadra. Percebo também que o que falta em jogos e livros para adolescentes, sobra em regras.

"Não pode beijar, não pode andar de mãos dadas, não pode ficar abraçado, não pode deitar no colo, não pode..."

Não estou dizendo que todo espaço educacional segue esse padrão, contudo, em minha experiência, tendo frequentado mais de 50 locais onde adolescentes estão presentes, na condição de psicóloga e educadora, observo a escassez de espaços preparados para receber adolescentes e abundante apontamento de regras.

Ué, mas regras e combinados não são importantes para conviver? Sim, são sim! Mas não é esse o ponto. O que quero dizer é que nós, pessoas adultas, dedicamos energia para a criação de regras e combinados, mas quando se trata de fomentar espaços bonitos, agradáveis e instigadores do desenvolvimento saudável de adolescentes, parecemos empenhar menos energia.

Se você trabalha em escola, conte-me: quantos livros e jogos existentes nesse espaço são destinados a adolescentes? Desses livros e jogos, quantos deles foram adquiridos de forma intencional para promover o desenvolvimento integral saudável de adolescentes?

Jogar Uno, por exemplo, ajuda adolescentes a desenvolver quais aspectos de sua existência? Quando adolescentes estão jogando, onde nós, pessoas adultas, estamos? Jogando junto? Se sim, quais elementos esses jogos nos ajudam a perceber? O que fazemos com os elementos percebidos durante os jogos?

Assim como na infância, a brincadeira e o jogo promovem espaço de expressão, convivência e saúde. Na adolescência, esses recursos são promotores de cuidado. Portanto, dedicar um tempo para jogar com adolescentes, ou observar as brincadeiras, é abrir espaço para compreender as demandas dessa fase da vida de quem acompanhamos em nosso trabalho.

Brincar pode parecer um fazer de conta, mas é um fazer de verdade!

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Jogar é lidar com perdas, ganhos e com criação de estratégias éticas para a vida.

Observar adolescentes jogando e brincando é um excelente exercício de compreensão de dinâmicas de convivência e nos ajuda e pensar estratégias em saúde mental e desenvolvimento sexual saudável.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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