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Polícia indicia cirurgião plástico gaúcho por estupro e outros cinco crimes

Número de denúncias de assédio contra o cirurgião plástico Klaus Wietzke Brodbeck chega a 127. - Reprodução/TV Globo
Número de denúncias de assédio contra o cirurgião plástico Klaus Wietzke Brodbeck chega a 127. Imagem: Reprodução/TV Globo

Franceli Stefani

13/08/2021 14h19

O médico Klaus Wietzke Brodbeck, 54 anos, foi indiciado por estupro e outros cinco crimes contra 21 mulheres em Porto Alegre (RS) nesta quinta-feira (12). "Ele responderá por importunação sexual, assédio sexual, estupro, estupro de vulnerável, coação no curso do processo e violação sexual mediante fraude", explica a delegada Jeiselaure Souza, que remeteu o procedimento à Justiça

Mais de 70 ocorrências foram registradas na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) no decorrer da investigação. As vítimas são na maior parte gaúchas, mas há casos em outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais. "Desde que o trabalho ganhou repercussão, muitas mulheres criaram coragem e nos procuraram para denunciar os delitos cometidos por ele", afirma a delegada. No início, eram 12 casos. Um mês depois - a operação ocorreu no dia 13 de julho - o número de denúncias chega a 127.

"Nós identificamos 127 mulheres, sendo que 24 foram ouvidas na condição de testemunhas", explica Jeiselaure. Outras 103 sofreram abusos e 47 tinham crimes prescritos. Além disso, 27 são vítimas que moram fora do Rio Grande do Sul, com isso a investigação fica a cargo da delegacia especializada dos seus estados. "Aqui foram feitas mais de 70 ocorrências desde que iniciamos os trabalhos."

Amanda Vasconcellos, namorada do médico, que foi às redes sociais ameaçar àquelas que denunciaram o profissional à polícia, será indiciada por coação no curso do processo e ameaça. Klaus está preso desde o dia 16 de julho, após mandado de prisão preventiva ser expedido pela 2ª Vara Criminal da capital. Ele está segregado na Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Vítimas foram submetidas à perícia

Desde 22 de julho, 15 vítimas foram encaminhadas e sete compareceram a Seção de Perícias Psíquicas em Adultos, do Departamento Médico-Legal (DML), como forma de comprovar as denúncias feitas contra o médico. Os laudos periciais já foram remetidos à Delegacia da Mulher e fazem parte do complexo probatório. No caso mais antigo, o abuso teria ocorrido há 20 anos. Jeiselaure pontua que as perícias realizadas nas vítimas pelo Instituto Geral de Perícias foram fundamentais para o inquérito.

A chefe da Divisão de Perícias Especiais do DML, Angelita Machado Rios, diz que as perícias psíquicas são indicadas em casos onde não existe materialidade, ou seja, não há mais vestígios forenses que possam ser analisados. "Quando ocorre um evento traumático, a vítima pode se lembrar dos fatos e das suas consequências por muito tempo".

Em novo depoimento, médico nega crimes

A Polícia Civil ouviu novamente o médico na manhã da quinta-feira (12), na cadeia em que está desde que foi preso. Ele negou todos os crimes cometidos. A defesa do cirurgião plástico, formada pelos advogados Erial Lopes de Haro e Diego Cabral, emitiu nota e ressaltou, inclusive, que uma das vítimas "é uma pessoa que teve relacionamento amoroso" com o profissional. A defesa considera "duvidoso" que Klaus tenha "abusado destas mulheres" e que elas tenham seguido com as consultas. Segundo a nota "a maioria das denunciantes fizeram procedimentos, tiverem problemas de rejeição, saíram insatisfeitas com o procedimento e ingressaram com ações indenizatórias contra o médico, entre 2014 e 2015, mas não mencionaram atos de abuso".

Sobre a Amanda, companheira do médico, a defesa afirma que ela está sofrendo uma ação, mas foi levada pela "emoção" para "preservar" o médico. "Ela se exaltou, mas não tinha intenção de ameaçar ou atentar contra a vida de alguém, teve a intenção de defender o Klaus", dizem os advogados.