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Vítimas de médico preso no RS somam 95; namorada é investigada por ameaça

Klaus Wietzke Brodbeck, cirurgião plástico é preso no RS acusado de abuso sexual  - Reprodução/Instagram
Klaus Wietzke Brodbeck, cirurgião plástico é preso no RS acusado de abuso sexual Imagem: Reprodução/Instagram

Franceli Stefani

Colaboração para Universa

18/07/2021 04h00

Já chega a 95 o número de mulheres que procuraram a polícia para denunciar o cirurgião plástico Klaus Wietzke Brodbeck, preso preventivamente na noite de sexta-feira (16) acusado de, até então, ter cometido abusos sexuais contra 86 vítimas. Segundo a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde o caso está sendo investigado, muitas ainda seguem entrando em contato para saber como realizar uma denúncia formal, indicando que esse número ainda deve aumentar.

A delegada afirma que há relatos de mulheres de diferentes estados e inclusive de casos já prescritos, o que ainda assim considera importante para embasar a acusação. "Há vítimas que relataram fatos anteriores ao ano 2000, mas mesmo assim fizeram questão de, com suas famílias, comparecerem à delegacia para contar o que havia ocorrido", diz. Até o momento há registros feitos por mulheres de várias cidades gaúchas, além dos de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

As denúncias contra Brodbeck, por enquanto, são por ter praticado os crimes de assédio e importunação sexual e estupro. O cirurgião também é investigado por outras denúncias. Entre elas, erro médico.

Namorada de Brodbeck é investigada por ameaçar vítimas

A namorada do cirurgião, uma mulher de 25 anos cuja identidade não foi revelada pela polícia, também passou a ser investigada no caso, mas por ameaçar as vítimas que denunciaram o médico. Ela responde ao processo em liberdade, que inclui ainda os crimes de calúnia, injúria e difamação.

Na noite anterior à prisão do cirurgião, ela começou a ameaçar e coagir as vítimas que haviam denunciado o namorado. "Temos até print dela oferecendo dinheiro para algumas", afirma a delegada. Ela também postou vídeos questionando o trabalho da polícia civil. Seu celular foi apreendido e será periciado.

"Ela atingiu algumas vítimas específicas e, de forma genérica, diversas mulheres. Além dos policiais, a própria instituição, falando da investigação e de elementos que não conhecia."

Segundo a polícia, o conteúdo foi produzido de dentro da moradia do médico. O advogado do cirurgião, Gustavo Nagelstein, diz que não há participação de Brodbeck nesses episódios, que ele não ameaçou ninguém e nem estava no mesmo endereço que a namorada.

Nagelstein divulgou uma carta aberta rebatendo quatro das acusações de abuso sexual. "Infelizmente, apenas um lado da história tornou-se público, ferindo a dignidade pessoal e prejudicando a imagem profissional do Dr. Klaus Brodbeck, um dos maiores especialistas em procedimentos estéticos do país, com mais de 30 anos de trabalho honesto. Importante mencionar e agradecer aos diversos pacientes que têm se manifestado em redes sociais e se colocado à disposição do médico que, certamente, trará a verdade e voltará sua vida normal", afirma o comunicado.


Mulheres de outras regiões do país podem denunciar

Vítimas de outras regiões do país podem contribuir com a investigação fazendo o registro online. Aquelas que procuram a delegacia especializada em Porto Alegre estão sendo acolhidas por profissionais capacitados. "Estamos trabalhando no acolhimento e escuta dessas vítimas, que após muitos anos sofrendo esse tipo de violência, vieram até nós", afirma a delegada à frente do caso.

Sobre as denúncias de erro médico que já chegaram à delegacia, Souza enfatiza que a investigação terá desdobramentos e irá apurar cada uma delas. "A prisão trouxe alento para aquelas que temiam impunidade. Somos imparciais, focamos em critérios técnicos para que tudo seja esclarecido."

Brodbeck está preso desde sexta-feira, quando o mandado de prisão foi deferido pela 2ª Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre após parecer favorável do Ministério Público. Ele foi preso em Gramado, na Serra Gaúcha, e aguarda no Palácio da Polícia uma vaga no sistema prisional do Estado. O caso é tratado como prioridade.

Como procurar ajuda

Mulheres que passaram ou estejam passando por situação de violência, seja física, psicológica ou sexual, podem ligar para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher. Funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo Whatsapp no número (61) 99656-5008.

Também é possível realizar denúncias de violência contra a mulher pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e na página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Mulheres vítimas de estupro podem buscar os hospitais de referência em atendimento para violência sexual, para tomar medicação de prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente.