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Marília Mendonça sofre com acne após o DIU: como o método impacta a pele?

No Instagram, cantora relatou espinhas persistentes - Reprodução/Instagram
No Instagram, cantora relatou espinhas persistentes Imagem: Reprodução/Instagram

Isabella Marinelli

De Universa

18/06/2021 04h00

Na última quarta-feira (16), a cantora Marília Mendonça usou sua conta no Instagram para comentar sobre um quadro de acne persistente desde que aderiu ao uso do DIU hormonal. A estrela sertaneja revelou que, mesmo cumprindo uma série de cuidados de beleza e de alimentação, as espinhas persistem.

"Seca uma e nascem oito. Não paro de ter espinha. Eu uso DIU por motivos de fluxo [menstrual], e [a acne] não para. Minha pele, mesmo cuidando direitinho, fazendo tudo certinho, todos os protocolos, não para. Ah, e cuidando da alimentação também, e bebendo muita água, porque eu bebo água o dia inteiro", contou.

De acordo com a dermatologista Valéria Campos, de São Paulo, relatos como o dela são especialmente comuns entre as mulheres que param ou trocam a pílula anticoncepcional pelo dispositivo intrauterino (DIU), seja ele hormonal ou de cobre.

"A produção de sebo da nossa pele é controlada por hormônios chamados andrógenos, como a testosterona e seus derivados. Quando esses hormônios estão em maior proporção em comparação aos outros, caso do estrogênio e da progesterona, a pele produz mais sebo e apresenta maior tendência à acne. Grande parte dos anticoncepcionais hormonais orais reduzem essa oleosidade e afastam as espinhas, pois têm ação antiandrogênica", explica.

Exatamente por isso, não é raro quem sinta na pele os efeitos do fim da ingestão de hormônios sintéticos. "Em muitos casos, não é o DIU que piora a acne, mas a ausência da pílula", explica. Isso, pois mesmo as versões hormonais do dispositivo não apresentam grande absorção sistêmica.

"Sem a pílula e esse controle dos androgênicos, a pele fica livre dos bloqueios, ao natural. O período de transição, até que o organismo se acostume com as novas condições, varia de pessoa para pessoa, mas dura de dois a seis meses, em geral", afirma a ginecologista Karen Rocha, de São Paulo.

Quais são os tratamentos possíveis para quem não pode ou não quer fazer uso da pílula?

Quem planeja largar os comprimidos pode criar uma estratégia a fim de minimizar os efeitos do desmame. "Se possível, recomendo às pacientes que iniciem este processo nos períodos mais frios do ano, momentos em que pele tende a ficar mais seca", explica Valéria.

Se não for possível esperar, ainda há caminhos. "O anticoncepcional hormonal atua em uma das frentes, mas outros fatores também propiciam o surgimento da acne. Desequilíbrios na flora bacteriana local, reações inflamatórias, alimentação e distúrbios na produção de sebo são alguns deles", afirma Karen.

Falando em tratamentos tópicos, entram pomadas específicas e antibióticas, que reduzem a inflamação dos pontos com espinhas. "Em consultório, também temos lasers e terapias com uso de luz de LED para isso", diz Valéria.

Na seara dos medicamentos, há diuréticos específicos com ação bloqueadora de andrógenos nas superfícies, como pele e cabelo. "Mas os resultados dependem da dose e devem ser avaliados caso a caso. Também é importante lembrar que toda mulher que pretende engravidar deve procurar outra forma de controle da oleosidade", ressalta.

O mesmo vale para os antibióticos orais, como a isotretinoína, que requerem a assinatura de termos de responsabilidade e uso combinado de mais de um método contraceptivo (como DIU de cobre e camisinha) durante o tratamento e por certo período de tempo após o fim.

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