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Papo de vagina

7 coisas que seu ginecologista gostaria que você soubesse

Ginecologistas respondem às perguntas que mais escutam no consultório - PeopleImages/Getty Images
Ginecologistas respondem às perguntas que mais escutam no consultório Imagem: PeopleImages/Getty Images

Marcia Rocha

Colaboração para Universa

09/10/2020 04h00

Secreção é normal? Posso colocar DIU? Que exames devo fazer e em que idade? Muitas mulheres chegam todos os dias aos consultórios de seus ginecologistas sem respostas para dúvidas bem similares.

Universa conversou com cinco especialistas para descobrir as perguntas que mais escutam e o que eles torcem para que suas pacientes aprendam de uma vez por todas

1. Secreção é secreção e corrimento é corrimento
É normal que o fundo da calcinha fique com algum tipo de secreção, isso faz parte do funcionamento do corpo feminino. O problema é quando essa secreção é amarelo-esverdeada, tem um cheiro diferente ou vem acompanhada de coceira. Nesse caso, é hora de consultar um ginecologista. Pode ser, por exemplo, candidíase, infecção fúngica que produz uma secreção esbranquiçada e com grumos, como se fosse nata de leite, e causa coceira intensa.

2. Mulheres que não têm filhos também podem usar DIU
O DIU (Dispositivo Intrauterino) faz parte de uma categoria chamada LARC (Long-Action Reversible Contraception ou contraceptivo reversível de longa duração, em tradução livre). Eles não provocam os efeitos colaterais comuns dos contraceptivos orais: inchaço, perda da libido e risco de trombose, entre eles. Além disso, só precisam ser substituídos depois de 5 anos - ou até depois de uma década, dependendo do tipo de dispositivo. Sem falar que são seguros: a taxa de falha do DIU de cobre é de 0,8% ao ano. Já a das pílulas pode ser de 3 a 8% ao ano para mulheres que se esquecem de tomá-las ou que usam concomitantemente medicamentos que reduzem seu efeito, só para citar duas situações.

Pacientes que já são mães têm o colo do útero mais dilatado, o que facilita a inserção do dispositivo. Para aquelas que não tiveram filhos, o médico pode aplicar um anestésico no colo do útero a fim de diminuir o desconforto, que é uma cólica intensa e de curta duração. A colocação também pode ser feita com sedação da paciente. O DIU, vale dizer, pode ser usado por todas as mulheres - adolescentes, inclusive.

3. Vacina de HPV: tem que tomar, sim. Inclusive os meninos
A vacina, que pode ser quadrivalente ou bivalente, consegue reduzir muito o risco da pessoa desenvolver câncer de colo de útero. Na rede pública, a vacina quadrivalente está disponível para meninas, dos 9 aos 14 anos, e meninos, dos 11 aos 14 anos. Depois disso, é preciso recorrer a clínicas de vacinação particulares. A vacina pode ser tomada até os 50 anos (mulheres) e até os 26 (homens). Depois disso, não há mais necessidade, porque a pessoa já desenvolveu anticorpos contra o vírus. É importante reforçar que existem muitos tabus em relação aos efeitos colaterais da vacina ou com o argumento de que ela incitaria a atividade sexual precoce. Nada disso é verdadeiro, pois a vacina foi exaustivamente testada e não existe nenhum dado científico que comprove sua influência no início da vida sexual.

4. Menores de idade podem marcar consulta com o ginecologista
Muitas meninas não fazem isso com receio de que seus pais descubram. O sigilo profissional prevalece. O médico só aciona os pais se julgar que ela está correndo algum risco. E a paciente vai saber disso, assim como a conversa com os pais irá acontecer na presença da paciente.

5. Assim como evitar a gravidez, engravidar também requer planejamento
Muitas mulheres se preocupam em evitar uma gravidez indesejada. Anos depois, essas mesmas mulheres se surpreendem quando descobrem que não conseguem engravidar com a facilidade que esperavam. É preciso considerar que, a partir dos 35 anos, as chances de engravidar naturalmente vão se reduzindo ano a ano. Por isso, para quem tiver recursos financeiros, o congelamento de óvulos pode ser uma alternativa interessante. Assim, quando a mulher decidir engravidar, os óvulos estarão viáveis e terão a mesma idade que elas tinham quando foi feito o congelamento.

Pacientes com câncer em idade fértil e que vão se submeter à quimioterapia e cirurgia pélvica devem ser alertadas sobre a possibilidade de congelarem seus óvulos. Já existem alguns serviços médicos que realizam o procedimento sem custo.

6. Mulheres com baixo risco de desenvolver câncer de mama devem começar a fazer mamografia depois dos 50 anos
A mamografia é um exame de rastreamento do câncer de mama e a maioria das mulheres, cerca de 95%, faz parte do grupo de baixo risco. Para elas o que o Ministério da Saúde indica é uma mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 70 anos. O ideia é não sobrecarregar o Sistema de Saúde Pública. Se não houver espera para mamografia em mulheres com essa faixa etária, começa-se o rastreamento a partir dos 40 anos, também a cada dois anos. Os mesmos parâmetros se aplicam a pacientes que fazem exames na rede privada.

7. O certo é Terapia Hormonal (TH) e não Terapia de Reposição Hormonal (TRH)
Não se fala mais em TRH, porque se sabe que objetivo não é repor hormônios durante a menopausa, mas administrá-los para minimizar os sintomas e ajudar a mulher a passar por essa fase com mais qualidade de vida. Cada caso é um caso, mas, usualmente, a TH pode ser realizada durante anos. E mulheres para quem a TH é contraindicada podem se beneficiar com a aplicação de laser no canal vaginal. Geralmente, três ou até menos sessões são efetivas para reduzir a 'secura' da região, uma queixa frequente das mulheres que estão na menopausa. O efeito dura cerca de um ano - depois, é preciso repetir a aplicação.

Fontes consultadas: Carolina Ambrogini, ginecologista, sexóloga e coordenadora do Projeto Afrodite, centro de sexualidade feminina da Unifesp, Lilian Fiorelli, uroginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Paula Araújo, ginecologista e obstetra especialista em Reprodução Humana e membro da equipe médica do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), em São Paulo, André Luiz Malavasi, Diretor de Ginecologia do Hospital Pérola Byington - Centro de Referência da Saúde da Mulher, em São Paulo, Rodrigo Codarin, ginecologista e obstetra com atuação em Reprodução Assistida e membro do corpo médico da Clínica Célula Mater, em São Paulo. Ex-diretor do Centro Obstétrico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

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