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MP oferece denúncia contra Paulinho de Deus, médium suspeito de estupro

Medium Paulo Roberto Roveroni - Paulinho de Deus - Reprodução/Redes Sociais
Medium Paulo Roberto Roveroni - Paulinho de Deus Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/05/2021 15h56

O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra o médium Paulo Roberto Roveroni, conhecido como Paulinho de Deus, por suspeita de estuprar durante vinte anos uma mulher.

Em março, o diretor da Associação Espírita Beneficente Paulo de Tarso foi preso preventivamente suspeito de estupro de vulnerável, em Catanduva, cidade a 390 km de São Paulo.

Na época, a mãe da vítima que atualmente tem 25 anos afirmou que a filha sofreu abusos sexuais do médium dos 3 aos 23 anos em entrevista a Universa.

"O Paulo era uma pessoa considerada de bem e eu jamais desconfiei de qualquer coisa. Minha filha sempre teve muitos problemas psicológicos, era uma menina sem amigos e ficava muito retraída e eu não entendia o motivo. Há um ano ela começou a fazer acompanhamento psicológico e foi depois disso que conseguiu me contar tudo o que havia acontecido durante esses 20 anos."

Ainda, segundo a mãe, o médium teria dito à menina que os atos eram "processos de cura espiritual".

Além dela, outras duas mulheres também denunciaram Paulinho de Deus, entre elas, a filha do médium, hoje com 38 anos, e uma mulher que frequentava a associação espírita que ele comandava no interior paulista. De acordo com o MP, estes outros dois casos foram prescritos e, por isso, não poderá ser aberto um processo em relação a eles. Entretanto, as duas mulheres serão ouvidas como testemunhas.

Segundo relatos da filha de Paulo, os abusos aconteciam na casa da família e começaram quando ela tinha apenas 11 anos. "Toda as vezes que ele tinha a oportunidade de ficar sozinho comigo em casa, ele tentava me molestar de alguma forma. Lembro-me que ele perguntava se eu tinha algum namoradinho na escola e dizia que iria me ensinar a beijar e a fazer outras coisas. Ele me forçava a beijá-lo e a tocar o corpo dele", contou a Universa.

A defesa de Paulo afirmou em nota a Universa na ocasião que as acusações contra o médium são infundadas e não retratam a realidade dos fatos.

A violência sexual contra a mulher no Brasil

No primeiro semestre de 2020, foram registrados 141 casos de estupro por dia no Brasil. Em todo ano de 2019, o número foi de 181 registros a cada dia, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 58% de todos os casos, a vítima tinha até 13 anos de idade, o que também caracteriza estupro de vulnerável, um outro tipo de violência sexual.

Como denunciar

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.