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Mães e filhos

Mãe faz festa de revelação de DNA para acabar com boatos sobre pai do filho

Millena Brandão recorreu aos tribunais e conseguiu confirmar paternidade do pai de seu segundo filho - Reprodução
Millena Brandão recorreu aos tribunais e conseguiu confirmar paternidade do pai de seu segundo filho Imagem: Reprodução

Aliny Gama

Colaboração para Universa, em Maceió

08/03/2021 20h12

A enfermeira Millena Brandão, 26 anos, fez uma festa revelação de DNA do filho dela, de cinco meses, para que acabassem os boatos sobre a paternidade do bebê na pequena cidade de Iati, na região Agreste de Pernambuco.

A ideia foi similar às festas de revelação de sexo de bebês feitas por gestantes. No fim de semana, Millena publicou um vídeo na internet mostrando o momento em que ela mostra que o exame deu positivo ao estourar um balão e confetes na cor cinza saltaram no ar.

Nas imagens, Millena segura o bebê, que está dormindo, e eles ficam em torno de uma decoração típica de festa de revelação do sexo de um bebê. A decoração contém o símbolo de interrogação no bolo, no painel e na blusa que ela vestia, além de ser nas cores azul (se o exame desse negativo) e cinza (caso positivo).

A festa inusitada ganhou repercussão na internet. Ela contou que recebeu mensagens de apoio de centenas de pessoas, inclusive de outros países.

"E o pai de Otto pediu DNA e eu resolvi fazer uma festa. Se o resultado for positivo é prata, se for negativo, é azul", explica Millena, no vídeo que segue estourando o balão. Com os confetes de cor prata caindo alguém grita: "é positivo".

"E não é filho de um cubano, nem de um tiquinho", completa a mãe do bebê. Na publicação, ela mostra ainda a foto do exame com o resultado conclusivo para positivo e usa as hastags DNA, festa, chá revelação e chá do DNA.

Apesar da revelação ao público, Millena enfatiza que nunca teve dúvidas de quem é o pai do filho — um ex-companheiro que é de Iati, mas mora em São Paulo. O relacionamento do casal acabou durante a gestação do bebê, em junho. "Ele ficava dizendo que meu filho era um tiquinho de um, um tiquinho de outro", disse Millena.

A jovem mãe relata que, como reside em uma cidade pequena e o pai do bebê é do mesmo município, a paternidade do bebê tornou-se assunto principal entre os moradores, e ela se sentiu humilhada com a situação. Iati tem 19 mil habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017.

Mesmo ela passando pela situação vexatória, a gestação e o parto ocorreram sem problemas. Otto nasceu no dia 21 de setembro, em uma maternidade em Garanhuns (PE), município vizinho a Iati. O bebê pesou 3,345 kg e mediu 51 cm. Ele é o segundo filho de Millena, que tem um outro menino, de cinco anos, fruto de um casamento que durou nove anos.

A enfermeira conta que, quando o filho Otto nasceu, avisou ao pai dele sobre o nascimento e obteve a resposta de que logo ele iria viajar de São Paulo, onde mora, para Pernambuco para fazer o exame de DNA.

"Os meses foram passando e ele enrolando para vir, falando que o menino não tinha pai, que era filho de tiquinho. Foi quando entrei com ação na Justiça, em janeiro, e ele não chegou a ser intimado, veio em seguida."

O exame foi realizado no mês de janeiro, e o resultado saiu 40 dias depois. A certidão de nascimento do bebê ainda não foi atualizada com o nome do pai. Millena contou a Universa que estava cansada dos boatos que vinha sofrendo, e, para acabar com a situação vexatória, idealizou uma festa semelhante a um chá de revelação de sexo de bebês.

"Quando saiu o resultado, eu já estava de saco cheio de estar mal falada na cidade, foi quando surgiu outro boato que o resultado deu negativo e, por isso, eu estava calada. Eu pensei: preciso fazer de uma forma diferente e que vá acabar com isso. O mundo todo agora está sabendo dessa história. Eu fiz a festa para calar a boca do povo por conta de tanta humilhação. Se ele não tivesse feito isso, eu não teria feito a festa", contou.

Millena disse que já conversou com o advogado dela para ingressar com ação sobre a pensão alimentícia, pois não recebeu ajuda alguma desde que o bebê nasceu. "Ele me deu uma quantia para eu comprar parte do enxoval, mesmo dizendo que o filho não era dele. Só isso. Apesar do bebê ainda mamar, ele tem outras necessidades, como fraldas, roupas, moradia e lutarei pelo que é de direito do meu filho."

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