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Violência contra a mulher

Dia Contra a Violência à Mulher: 10 dados mostram por que falar sobre isso

No Brasil, dados mostram que mulheres sofrem diferentes tipos de agressões diariamente - Universa
No Brasil, dados mostram que mulheres sofrem diferentes tipos de agressões diariamente Imagem: Universa

De Universa

10/10/2020 14h17

No dia 10 de outubro de 1980, há exatos 40 anos, um grupo de mulheres se reuniu nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para se manifestar contra o aumento dos casos de violência de gênero no Brasil.

Desde então, a data é lembrada como o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Listamos, abaixo, dez dados que explicam por que, ainda hoje, é preciso trazer o assunto à tona e discutir meios de diminuir os crimes contra mulheres.

1. Uma mulher é morta a cada sete horas por ser mulher

O dado mais recente sobre feminicídios é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que no ano passado divulgou um levantamento mostrando que, em 2018, 1.206 mulheres foram assassinadas. As mortes, porém, foram registradas como feminicídio. Ou seja, quando a vítima morre por causa do seu gênero.

Nove em cada dez casos, a mulher foi morta por um companheiro ou ex-companheiro. O número cresceu 11% em relação a 2017.

2. País está no 5º lugar no ranking mundial do feminicídio

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil está no 5º lugar dos países que mais matam mulheres no mundo no contexto de violência doméstica. O ranking é feito em 84 países.

3. Uma mulher sofre violência doméstica a cada dois minutos

Em 2018, foram registrados 263.067 de lesão corporal dolosa dentro da Lei Maria da Penha. Isso significa que, a cada dois minutos, uma mulher apanhou do marido, namorado ou ex-companheiro.

4. Brasil bateu recordes de registros de estupro

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros de violência sexual vem crescendo anualmente e, no levantamento divulgado em 2019, referente a 2018, bateu o recorde de 66.041 casos. A média é de 180 crimes por dia, um aumento de 4% em relação ao ano anterior.

Em 81,8% deles, as vítimas eram mulheres.

5. Uma menina de até 13 anos é estuprada a cada 15 minutos

O país vive uma trágica epidemia de violência sexual contra menores. Também segundo o fórum, uma menina de até 13 anos é estuprada a cada 15 minutos — elas são 53,8% de todas as vítimas.

Isso impulsiona outro dado alarmante: 75,9% dos agressores são conhecidos das vítimas, em sua maioria padrastos, pais, tios, primos, vizinhos e amigos da família.

6. Violência não é só física: agressões psicológicas crescem anualmente

Abarcada pela Lei Maria da Penha, a violência psicológica também é uma das várias formas de agressões que as mulheres sofrem. Mas uma das mais perigosas: muitas vezes, nem a própria vítima se dá conta de que o que sofre é um crime.

Por isso, muitas mulheres não chegam a denunciar os casos, que incluem ofensas, ameaças e humilhações verbais. Os números são mais escassos, mas é possível se ter uma ideia no aumento no número de crimes a partir de um estudo feito no estado do Rio de Janeiro, o Dossiê Mulher 2019, que registrou aumento de 2017 para 2018 —foram 34.348 mulheres ameaçadas em 2017 e 37.423 no ano seguinte. Vítimas de constrangimento ilegal passaram de 393 em 2017 para 404 em 2018.

7. Quase metade das brasileiras já sofreu assédio sexual no trabalho

Estudo divulgado no começo de outubro deste ano, com levantamento feito pelo Linkedin e pela consultoria Think Eva, mostrou que 47% das entrevistadas já sofreu assédio sexual no trabalho. Dessas, 15% pediram demissão após o ocorrido, e 5% denunciaram ao RH da empresa.

8. Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência obstétrica na hora do parto

As agressões contra mulheres acontecem também no momento de dar à luz. A pesquisa mais abrangente já feita sobre é da Fundação Perseu Abramo e foi publicada em 2010. O estudo "Mulheres nos espaços público e privado brasileiros" mostra que uma em cada quatro mulheres já foram vítimas dessa violência, tanto pelo sistema público de saúde quanto pelo privado.

9. Brasil é lanterna no ranking de paridade política de gênero na América Latina

Um recente estudo divulgado pela ONU Mulheres sobre paridade política de gênero na América Latina mostrou que, entre os 11 países analisados, o Brasil fica em nono lugar, à frente apenas do Chile e do Panamá.

Uma das explicações para isso é a chamada violência política de gênero. São os ataques voltados às mulheres eleitas ou candidatas e que se direcionam diretamente ao gênero. Assim, são críticas pela aparência, pela via da sexualidade ou chamadas de "loucas" e suas variáveis.

É um tipo de agressão que afasta ainda mais as mulheres do meio político e faz a paridade de gênero se tornar uma utopia cada vez mais distante.

10. Uma mulher trans é assassinada a cada três dias

Segundo dados da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), em 2019 foram mortas 124 pessoas trans. Dos assassinatos de transexuais, 94% das vítimas se identificavam como mulheres. O dado coloca o Brasil como o país com o maior número de assassinatos de travestis e trans em todo o mundo, segundo a ONG Transgender Europe.

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