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'É violência quando um homem te coloca como burra', diz Larissa Nunes

Ivone (Larissa Nunes) na segunda temporada de "Coisa Mais Linda" - Divulgação
Ivone (Larissa Nunes) na segunda temporada de 'Coisa Mais Linda' Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

07/07/2020 09h59

A atriz e cantora Larissa Nunes, a Ivone de "Coisa Mais Linda", falou sobre situações de machismo e racismo que viveu durante a carreira. Em entrevista à Quem, ela chamou a atenção para situações em que o preconceito se mostra de maneira mais sutil.

"Já passei por várias situações de machismo, principalmente no meu ambiente de trabalho. Passei por assédio moral como atriz. É violência quando um homem tenta confundir suas palavras, coloca você como uma pessoa burra, como uma mulher que não tem capacidade de formar opinião", apontou.

"Nós, mulheres, temos que sempre colocar nosso pensamento à prova, mostrar que somos inteligentes. É extremamente importante para mim me entender como uma mulher que está aprendendo e tentando se emancipar de situações como essa", continuou.

"Eu vivo em uma sociedade patriarcal, machista e racista, preciso sempre estar na perspectiva de me colocar mulher e mulher preta", completou.

Beleza e racismo

Nunes, que largou faculdade de jornalismo aos 19 anos, para estudar arte dramática na USP (Universidade de São Paulo), também falou sobre sua relação com o cabelo. Ela disse que passou boa parte da infância e da adolescência alisando os cachos.

"Eu sempre alisei meu cabelo, desde os sete anos. Em determinadas épocas, eu me sentia aceitável com o cabelo liso, queria me sentir mais fora das atenções. Ter o cabelo liso como o das outras meninas era uma maneira de me sentir inserida", contou.

"Quando eu resolvia me libertar e usar o natural eu me sentia muito mal, rejeitada", relatou ainda. "Só pude assumir meu cabelo natural quando saí do ensino médio. É uma história bem comum para as meninas pretas".

"Eu lido com racismo todos os dias e isso dificilmente vai mudar, mas preciso criar todos os dias maneiras de passar por isso. Quero que as pessoas se vejam parte do problema e que o racismo não seja o principal impedimento no meu fazer, no meu trabalho, nas minhas relações", disse.

Violência contra a mulher