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Quando a droga aflora o tesão: os riscos e as sensações do sexo químico

Álcool, maconha e ecstasy são as três drogas mais usadas para aguçar os sentidos no sexo - iStock
Álcool, maconha e ecstasy são as três drogas mais usadas para aguçar os sentidos no sexo Imagem: iStock

De Universa

06/07/2020 04h00Atualizada em 06/07/2020 12h03

A consultora Karina, 32, de São Paulo, experimentou, recentemente, a sensação de fazer sexo sob o efeito do ecstasy. "Eu já tinha costume de transar depois de fumar maconha, e de beber, o que já aflora bastante o tesão, mas nada se compara à sensação que tive desta vez", afirma. Ela conta que foi durante uma festa na praia que rolou a experiência, com dois caras que conheceu no local. "Começamos a nos tocar enquanto dançávamos, e logo já estávamos os três dentro da água. Não consigo explicar o tamanho do tesão. A intensidade era tanta, que nem me preocupei com as pessoas ao nosso redor", diz.

A sensação luxuriosa descrita por Karina explica o que leva milhares de pessoas no mundo todo a usar entorpecentes como afrodisíacos, prática batizada de chemsex (do inglês: chemical sex, sexo químico, em tradução literal). "O objetivo dessa associação é potencializar, além do prazer, o desejo de fazer sexo por muito mais tempo", explica a sexóloga Ana Canosa, apresentador do podcast Sexoterapia. O ecstasy, experimentado por Karina, é a terceira substância psicoativa mais usada durante o sexo, segundo estudo publicado em 2019 no Journal of Sexual Medicine. Em primeiro lugar vem o álcool, e em segundo, a maconha. Especialistas comentam que a prática pode gerar "risco duplo" às pessoas.

Vício e outros perigos

A sexóloga explica que os efeitos dessas drogas podem ser bem diversos e variar de acordo com cada organismo. O uso dessas drogas pode causar reações adversas, que vão da perda de ereção e dificuldade de se chegar ao orgasmo a problemas mais graves como arritmia, insuficiência cardíaca e infarto. Drogas psicoativas podem também potencializar a tendência à depressão. "A maconha, que talvez seja das drogas mais comuns, pode gerar psicose em quem tem a tendência", diz a sexóloga. Ana adverte também sobre o risco de ser abusado sexualmente e o de fazer sexo desprotegido, devido à vulnerabilidade causada por algumas substâncias.

O psiquiatra Saulo Ciasca, psicoterapeuta especialista em sexualidade humana, identidade de gênero e orientação sexual explicou para Universa que o uso das drogas altera o nível de consciência e o funcionamento cognitivo da pessoa. Por essa razão, há associação com os riscos de se fazer sexo desprotegido.

"Via de regra, todas acabam delimitando a percepção de risco da pessoa, que acaba se expondo a situações que a deixam vulnerável. Estamos falando de doenças, infecções sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, e também de componentes emocionais. As pessoas podem se machucar ao fazer coisas que, se estivessem sóbrias, não fariam."

Há, então, grande chance de se viciar em conseguir sentir prazer apenas sob efeito de algum psicotrópico. É contra esse vício que Karina tem lutado. "Depois dessa experiência, acho que nunca mais vou conseguir ficar sem esse sentimento... Tento me controlar para não viciar, coloquei o limite para mim mesma que vai ser só uma vez por mês, mas já furei essa promessa algumas vezes", afirma.

Ana diz que para potencializar o sexo sem correr esses tipos de risco há técnicas como as do sexo tântrico, cujo efeito pode ser ainda mais intenso, e sem nenhuma reação adversa.

Acompanhe o Sexoterapia

Luxúria é o tema do vigésimo quarto episódio do podcast Sexoterapia, e em sua terceira temporada está falando do sexo e os sete pecados capitais. Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, editora chefe de Universa, e Ana Canosa, sexóloga, recebem Xan Ravelli, influencer e nova colunista de Universa.

Sexoterapia está disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts.

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