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Violência contra a mulher

RS: Terapeuta holístico é preso suspeito de abusar sexualmente de pacientes

Terapeuta cobrava entre R$ 200 e R$ 300 por consultas - Divulgação/Polícia Civil
Terapeuta cobrava entre R$ 200 e R$ 300 por consultas Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Universa, em Porto Alegre

29/06/2020 14h30

Um terapeuta holístico de 35 anos foi detido na manhã de hoje suspeito de abusar sexualmente de ao menos cinco mulheres, pacientes dele. Fisioterapeuta de formação, o homem foi preso preventivamente em Canoas (RS), na Região Metropolitana de Porto Alegre. A identificação dele não foi divulgada.

O caso veio à tona em maio, após duas mulheres procurarem a polícia. "Elas vieram com uma história muito absurda, que o terapeuta havia dito para elas que fazer sexo durante as terapias era parte do tratamento. Sexo oral, vaginal e anal", explica o delegado regional Mario Souza.

Após os dois primeiros depoimentos, a polícia chegou a outras três vítimas, que ainda estão sendo ouvidas. De acordo com a polícia, uma das mulheres sofreu abuso em 2017 e outra em março deste ano. Segundo os depoimentos, os abusos não aconteciam logo nas primeiras sessões. Inicialmente, o suspeito conversava com as mulheres. Depois, passava para contatos físicos, que ficavam mais intensos a cada sessão. "Ele começava com masturbação, fazia um retiro, e aí à noite fazia uma sessão extra de ioga e abusava sexualmente das mulheres", detalha o delegado.

O homem dizia que, se desistissem da suposta terapia, voltariam a ter problemas na vida. "Ele pegou essas mulheres fragilizadas, tudo gente com curso superior e condição financeira alta. Uma delas, por exemplo, ficou um ano pagando consultas e era obrigada a fazer sexo oral nele em todas. Para ver o absurdo", complementa o delegado. Essa mulher chegou a desembolsar R$ 25 mil nas sessões.

Nas redes sociais, o suspeito se apresenta como palestrante e terapeuta holístico. A página foi retirada do ar por volta de meio-dia de hoje. Segundo o delegado regional, o homem é conceituado e ministra cursos inclusive no exterior. "As consultas giram em torno de R$ 200 a R$ 300", complementa Souza. "Várias vítimas que fizeram terapia individual com o investigado também realizaram cursos e participaram de palestras ministradas por ele, o qual dizia que seus cursos as fariam crescer profissionalmente e render-lhes muito dinheiro", salientou o delegado.

Em depoimento à polícia hoje, o homem reconheceu que mantinha relações sexuais com as pacientes, mas como parte da terapia. Segundo a delegada Clarissa Demartini, responsável pela investigação, especialistas da área foram ouvidos ao longo da investigação e "foram contundentes" que não há terapia com contato sexual entre paciente e o profissional.

"Isso é violação sexual mediante fraude. Quando existe o consentimento da vítima, no ato sexual, porém esse consentimento é viciado. Ele é dado porque eu acredito que é uma coisa, quando, na verdade, é outra, que é isso que aconteceu nesse caso. As vítimas consentiram com o contato sexual não porque elas gostariam de manter uma relação sexual, mas por acreditarem que estavam ali para o tratamento terapêutico. Tratamento este que não tem nenhuma comprovação, não tem nenhuma referência, não é reconhecido como terapia integrativa", observa a delegada.

Procurada por Universa, a defesa do terapeuta não quis se manifestar. Segundo a Polícia Civil, o inquérito deve ser concluído em dez dias e o suspeito deve responder pelo crime de violação sexual mediante fraude. Os policiais ainda vão ouvir mais pessoas, testemunhas e analisar imagens. Não se descarta que mais mulheres tenham sido vítimas dele. Por isso, denúncias podem ser feitas pelos telefones (51) 3425-9056 e (51) 98459-0259.

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