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Mulheres inspiradoras

Co-fundadora do Nubank fala sobre posar grávida para revista de negócios

Cristina Junqueira capa da Forbes - Reprodução / Instagram
Cristina Junqueira capa da Forbes Imagem: Reprodução / Instagram

Ana Bardella

De Universa

04/03/2020 04h00

Cristina Junqueira, uma das fundadoras do banco digital Nubank e vice-presidente na empresa, é protagonista de um feito histórico para as mulheres que equilibram maternidade e carreira. A executiva posou para a capa da edição mais recente da revista Forbes nacional. A imagem ilustra a tradicional edição da revista de negócios, cujo tema é "Mulheres mais poderosas do Brasil". Nela, o veículo de comunicação lista 20 lideranças femininas em negócios, ciência, artes, mídia, gestão pública e terceiro setor. Nomes como a pesquisadora Marcia Barbosa (membro da Academia Mundial de Ciências), a jornalista Renata Lo Prete e a cantora Anitta também estão entre os destaques.

Agora de licença-maternidade, Cris Junqueira conversou com Universa, sobre a trajetória, maternidade, carreira e os bastidores da capa da Forbes. "Eu estava inchada, usei o último vestido que me servia. Precisei deixar meus pés no gelo mais de uma hora para desincharem e caberem nos sapatos. Mas gostei do resultado", afirma. Entre a realização da foto e a publicação da revista, a segunda filha de Cristina, Bella, nasceu e completou um mês de vida.

Grávida e capa da Forbes

"A capa da Forbes foi muita emoção. Quando confirmamos a pauta, eu já estava de 40 semanas. Então tudo foi feito de forma rápida, porque a bebê poderia nascer a qualquer momento. Eu estava inchada, usei o último vestido que me servia. Precisei deixar meus pés no gelo mais de uma hora para desincharem e caberem nos sapatos. Mas gostei do resultado. O sentimento é de orgulho, a repercussão foi muito boa. Pessoas dos mais diversos setores postaram nas redes sociais. Uma amiga minha foi a uma consulta com uma fisioterapeuta que atende gestantes e mulheres no puerpério e ela puxou o celular e mostrou a capa, sem saber que nos conhecíamos. Relatou que muitas das suas pacientes ficam preocupadas com a carreira. Se eu puder dar força, resiliência, para mulheres que estão luta diária, principalmente aquelas que estão tentando empreender, fico feliz".

Primeira gravidez

"O nascimento da minha primeira filha, Alice, há 5 anos, coincidiu com o lançamento do Nubank no Brasil. Eu não tinha funcionários trabalhando comigo, somente desenvolvedores. Por causa disso, precisei pular a licença-maternidade e retornei ao trabalho logo depois do parto. Na época, não tive escolha. Não posso dizer que me arrependo, nem que foi uma bobagem. Foi algo necessário. O empreendedorismo envolve sacrifícios: são escolhas difíceis, não existe milagre. Mas tenho consciência de que a minha situação passou longe do ideal. Nenhuma mulher deveria passar por isso".

Nova etapa

"Hoje em dia o Nubank já está em outro patamar, temos uma equipe superqualificada. Já estava ciente de que queria mais tempo para estar com a minha família, me dedicar a ela. A própria Alice passaria por uma adaptação, porque até então havia reinado de forma absoluta na casa e agora passaria a conviver com outro bebê. Por isso me programei: conversei com meus sócios e o time executivo sobre como o time poderia caminhar na minha ausência. Fiz uma passagem de bastão para os executivos que assumiram minhas tarefas com antecedência. Mas confesso que trabalhei até o penúltimo dia. A Bella nasceu na terça-feira: na segunda de noite, fiquei até bem tarde no escritório"

Momento de pausa

"Estou há mais de um mês em casa e meu plano é completar pelo menos os quatro de licença-maternidade. Mas, preciso dizer, nesse primeiro mês, senti muita falta de como ocupar a minha cabeça. Estou em casa, com a bebê, mas entre uma mamada e outra, enquanto ela está dormindo, eu me dedico a produzir um pouco mais de conteúdo. Não consigo ficar parada de jeito nenhum. Pelo menos mentalmente, acho importante me manter ativa".

Rotina sem babá

Até a chegada da Bella, vivia minha rotina normalmente: acordava de manhã, me arrumava, levava a Alice para a escola e ia trabalhar. No fim do dia, saía e vinha para casa, para ficarmos juntas. Com as duas, acredito que será uma rotina mais desafiadora, mas parecida. Nunca tive babá. Agora estou disponível, mas quando voltar é revezar a rotina com meu marido (Rubens Pereira), como já fazemos, para fazermos tudo funcionar".

A definição de sucesso

"Foi bacana participar da revista, porque tive a oportunidade de refletir sobre o que é poder, sucesso. Não me sinto superpoderosa no sentido mais tradicional da palavra. Mas considero que represento o futuro que está chegando e transformando indústrias. Existe muito poder na tecnologia, na forma como ela transforma os negócios".

"Hoje, o Nubank é a única start up do mundo avaliada em mais de 10 bilhões de dólares que tem uma fundadora mulher. Isso é muito novo, não existia esse espaço para a mulher na tecnologia e muito menos na indústria financeira. Então, gosto de pensar que o Nubank é uma empresa de sucesso, que a minha carreira é de sucesso. Mas prefiro avaliar esse termo mais amplamente. Como mãe, como esposa. Se trata, para mim, de algo multidimensional. Acredito que foi essa combinação de fatores que a revista buscou representar"

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