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Apresentadora cria programa após caxumba e já tem mais de 10 mil ouvintes

Popular no Twitter, Laurinha Lero (que usa a ilustração acima): "muito do programa é improvisado, mas leio as perguntas com antecedência e penso ao longo da semana na resposta menos prestativa e mais absurda" - Reprodução/Twitter
Popular no Twitter, Laurinha Lero (que usa a ilustração acima): "muito do programa é improvisado, mas leio as perguntas com antecedência e penso ao longo da semana na resposta menos prestativa e mais absurda" Imagem: Reprodução/Twitter

Marcos Candido

De Universa

06/08/2019 04h00

A entrevista a seguir tem muitas perguntas, mas poucas respostas. "Faço um esforço pessoal para me manter misteriosa", explica Laurinha Lero. Desde março, ela apresenta o podcast "Respondendo em voz alta". O programa é uma espécie de monólogo com dicas de relacionamentos aos ouvintes. Os temas vão de como agir durante o primeiro encontro ao mito da Terra plana. "Ao longo da semana, leio as perguntas com antecedência e penso na resposta menos prestativa e mais absurda que posso oferecer", explica.

A apresentadora não revela o nome e a idade. Um das poucas características é entregue pelo sotaque de Niterói, no Rio de Janeiro. Outra informação é a que a audiência cresce rapidamente, com uma média de 10 mil ouvintes por episódio até a semana anterior à entrevista. Agora, ela garante que o número passa de 15 mil. Tudo começou quando ela pegou caxumba (leia mais detalhes na entrevista a seguir).

Boa parte dos episódios foi gravada pelo telefone celular. No nono capítulo, ela arrematou um microfone profissional após a recepção calorosa do público. "Me senti na obrigação moral, em um país que está desmoronando, de poder entreter e botar um sorriso no rosto do brasileiro".

Devido a digressões feitas durante o podcast e a textos divulgados nas redes sociais, especula-se que Laurinha estuda ou tem formação em Filosofia. A apresentadora também não confirma os rumores sobre a vida acadêmica. "Faço teologia na [Universidade] Anhembi Morumbi", rebate. Consultada, a universidade informa que o curso não existe na grade curricular. Leia entrevista abaixo:

Universa: Por que você não mostra o rosto?

Laurinha: Esconder o rosto em 2019 é ter a força de vontade de um monge. Até mais. Descobri que um canadense que sigo no Twitter é muito bonito, mas ele ficou quatro anos sem publicar uma foto. Foi aterrorizante imaginar a energia caótica de alguém que se esconde sem motivo.

Ao se esconder você não pode postar um #tbt no Instagram, envelhecer o rosto no FaceApp ou postar um vídeo cantando "Mulher de Fases" no karaokê. No fundo, estou testando até onde vai a minha força de vontade.

Quando surgiu a ideia de fazer um podcast?

No fim do ano passado, quando peguei caxumba. O que me aconteceu serve como aviso à comunidade anti-vacina: fiquei nove dias de cama. Só pude ouvir podcasts. Pensei comigo mesma: aposto que consigo fazer um podcast se quiser. Aí, fiz.

Você faz no improviso?

Muito do programa é improvisado, mas leio as perguntas com antecedência e penso ao longo da semana na resposta menos prestativa e mais absurda. A média de ouvintes é 15 mil. Tenho impressão de que, quanto mais o cenário político piora, mais as pessoas precisam ouvir um negócio que seja nada com nada.

Qual foi a pergunta mais complexa que você precisou responder?

Recebi a pergunta de uma menina que está apaixonada pelo primo dela. Mas acontece que os pais dela também são primos entre si. Normalmente, se apaixonar pelo primo é uma experiência ordinária na infância de muita gente, mas a ouvinte já tem uma relação entre primos na família. Me pareceu que ela está mantendo uma tradição familiar. Achei interessante.

Qual a resposta em que você mais se expôs?

Eu dei detalhes sobre um cara que me levou para a casa dele e se trocou na minha frente. É uma pessoa com quem tenho contato quase diário. Apesar disso, a gente não transou. Me questionei muito sobre relacionamentos e minha própria existência como um ser sexual. Foi um momento filosófico, mas principalmente uma humilhação.

Por que foi uma humilhação?

Nem sempre ser humilhado é ruim. A humilhação é uma oportunidade para fazer uma piada. Ter o tapete puxado quando se está com expectativas é um pouco humilhante, mas também faz parte do charme da vida.

Como é ser famosa?

A fama tem sido horrível. Sou uma pessoa que mantém mistério, o que tem a ver com meu signo de Escorpião ao meu lado. Não dou meu nome e minha foto, mas ainda acho impressionante me reconhecerem na rua. A fama está criando uma síndrome do pânico em mim. Tem dias que quero sair de casa como a [atriz] Greta Garbo: usar uns óculos e cachecol para ninguém me reconhecer.

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