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De vendedora à dona de fábrica: "Ganhei R$ 50 mi com aparelhos estéticos"

Michele Matias é dona da maior fabricante de aparelhos estéticos do Brasil - Divulgação
Michele Matias é dona da maior fabricante de aparelhos estéticos do Brasil Imagem: Divulgação

Talyta Vespa

De Universa

05/08/2019 04h00

A adolescência de Michele Matias, de 35 anos, se encheu de responsabilidades quando seus pais morreram. Ela tinha apenas 16 anos e foi cuidada pelo irmão, seis anos mais velho, até terminar a faculdade. Se virou como pôde para, entre idas e vindas, concluir o curso de fisioterapia. Começou a trabalhar como fisioterapeuta e hoje é dona da maior empresa de equipamentos estéticos do Brasil -- em quatro anos, já faturou R$ 50 milhões.

Para pagar a faculdade, Michele vendia pijamas numa lojinha e ganhava R$ 500 por mês. A grana não foi suficiente para bancar as mensalidades e, dois anos antes da conclusão do curso, ela teve que trancar a matrícula. Passou a trabalhar em uma empresa de cartão de crédito e a fazer bicos aos fins de semana. Com a ajuda do irmão, que segurou as contas da casa para que ela pudesse guardar dinheiro, Michele conseguiu retomar o curso universitário.

"Todo semestre, eu renegociava o pagamento da mensalidade. Quando me formei, me vi com uma dívida de R$ 4 mil. Fiquei desesperada e comecei a trabalhar com estética em uma clínica pequena do bairro em que eu morava, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Eu fazia limpeza de pele, drenagem e redução de gordura localizada. No boca a boca, cada vez mais clientes começaram a me procurar. Quando dei por mim, minha agenda estava totalmente lotada, de segunda a sábado", conta.

Com o salário e as comissões, que aumentavam de acordo com o volume de trabalho, Michele conseguiu, em 2011, quitar a dívida com a faculdade e, de quebra, alugar um espaço para chamar de seu. Pequeno: havia só duas macas.

"Naquela época, o tratamento da moda era lipocavitação, que reduz gordura localizada. Todo mundo queria fazer. Só que o equipamento que faz o procedimento era carésimo para o meu orçamento", conta. Michele, então, entrou em contato com o fabricante, argentino, do aparelho.

"Sugeri parcelar a compra do aparelho no valor das minhas comissões. Ele ficaria com a minha comissão mensal e abateria essa quantia do preço total do equipamento. E ele topou", conta. Com um equipamento para chamar de ser, Michele começou a perceber que havia uma procura muito grande pelo aparelho por parte de outras clínicas. "Todo mundo me perguntava onde eu tinha comprado. Senti que era um nicho de mercado que poderia ser explorado."

No mesmo ano, Michele começou a revender os equipamentos argentinos. Logo viu que melhor negócio ainda seria vender seus próprios aparelhos. Depois de um ano analisando custos e fabricantes, ela e o marido encontraram três opções de fábricas estrangeiras que produziam o equipamento. Para a primeira encomenda - 30 aparelhos de criolipólise - pediram, no banco, um empréstimo de R$ 1 milhão (R$ 500 mil cada). Ali, em 2014, surgia a Adoxy.

"Depois de um ano, a dívida estava paga e eu já tinha lucro para dar continuidade ao projeto. A gente comprava os aparelhos e os distribuía não só para o Brasil como para outros países. Nos primeiros quatro anos de empresa, faturamos R$ 50 milhões."

Ainda em 2019, a Adoxy, que já tem mais de 100 funcionários, vai abrir sua própria fábrica no Brasil. As projeções preveem a contratação de outras 100 pessoas e um lucro extra de 40% no rendimento da empresa já no primeiro ano de funcionamento da fábrica. O preço dos equipamentos que Michele produz varia entre R$ 30 mil e R$ 200 mil.

Michele tem uma filha, Marina, que nasceu há quase dois anos, bem no meio da loucura por empreender. Garante que criar a filha dá bem menos trabalho que gerir uma empresa. "Ano passado, me peguei com a criança no peito e o notebook no colo várias vezes. Não é fácil conciliar as duas coisas, mas dei sorte: parece que Deus me deu um bebê que cabe perfeitamente na minha rotina. Ela não dá nenhum trabalho."

Falando em mãe, Michele não consegue conter as lágrimas ao lembrar-se da sua. "Os 16 anos que eu passei com a minha mãe, antes de ela morrer, foram cruciais para que eu me tornasse quem sou hoje: uma mulher persistente", conta. "Espero passar tudo isso para a minha filha. Tive que aprender a me virar muito nova e eu quero que ela seja independente também."