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Fã de cinema, ela decidiu distribuir filmes e hoje fatura R$ 5,4 mi ao ano

Cinéfila desde criança, Silvia Cruz fundou a distribuidora Vitrine Filmes - Divulgação
Cinéfila desde criança, Silvia Cruz fundou a distribuidora Vitrine Filmes Imagem: Divulgação

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

15/07/2019 04h00

Quando precisou elaborar seu trabalho de conclusão de curso, na faculdade de administração de empresas, a paulistana Silvia Cruz, hoje com 37 anos, descobriu que gostaria de fazer do hobby seu ganha-pão. Cinéfila desde criança, por influência do pai, acabou fundando a Vitrine, distribuidora de filmes, sobretudo brasileiros.

"Na faculdade, eu sempre fazia estágios em marketing e, ao final do curso, quando estava fazendo o TCC, precisei elaborar um plano de negócios e abrir uma empresa. Optei por um complexo de salas de cinema e, em contato com um orientador externo, que trabalhava com distribuição de filmes, ingressei nessa área. Após um tempo, decidi abrir meu próprio negócio", lembra.

Silvia conta que, depois de formada, passou por algumas empresas de cinema conhecidas, como Pandora Filmes, Europa Filmes, Coração da Selva e até mesmo pelo HSBC Belas Artes (atual Petra Belas Artes). Assumiu cargos como assistente de marketing e coordenadora de lançamentos. A Vitrine, sua distribuidora, ela abriu em 2010, após participar de um festival de cinema em Tiradentes (MG) e conhecer uma nova geração de diretores brasileiros.

"Na época, eu já vinha acompanhando essa nova leva de cineastas, que tinham a mesma idade que eu e estavam lançando seus primeiros longas. Mas percebi que não havia nenhuma distribuidora atenta ou a fim de trabalhar com os chamados filmes independentes brasileiros. Então, a partir disso, decidi criar a Vitrine Filmes."

Ela compara o negócio ao trabalho de uma editora de livros. Se uma editora recebe obras escritas por autores independentes e, antes de publicá-los, os avalia para se certificar de seu potencial lucrativo, em se tratando da distribuidora, ela recebe filmes nacionais e os avalia antes de distribuí-los em diversos meios. Havendo certeza de que o filme vai estrear, ele entra na programação do cinema e 50% do valor arrecadado com a venda de ingressos fica com Silvia, que também divide seu percentual com produtores e investidores.

Começo sem nenhum investimento
Apesar de seu projeto de distribuidora não exigir uma estrutura muito grande, Silvia diz que precisava montar uma sede, mas não dispunha de recursos para começar. Foi então que um amigo cedeu uma edícula para ela trabalhar, outro a presenteou com uma impressora, e ela entrou com um telefone, que não pagou caro, e um computador usado que comprou parcelado.

"Eu comecei sem nenhum investimento. Só não iniciei o projeto em casa porque, como distribuidora, você tem muitas reuniões e precisa receber pessoas, então não havia como. Além disso, naquela época, em 2010, eu precisava de dinheiro para lançar os filmes e não tinha. As salas de cinema não sabiam se teria público, então como poderia captar investimentos? Foi quando tive a ideia de procurar um canal de TV que exibe 100% de programação nacional."

Com apenas oito filmes, que descobriu no festival de Tiradentes, Silvia fez uma proposta ousada. Se o canal os comprasse, ela usaria o dinheiro da venda para fazer a divulgação e a distribuição das produções nos cinemas e, assim que eles saíssem de cartaz, o canal poderia exibi-los em primeira mão na TV. Funcionou, porque os lançamentos tinham potencial financeiro.

Conquistas após muitos desafios
Desde então, Silvia não parou mais. Além do desafio de aparecer e se firmar no mercado de distribuição, ela teve de aprender a lidar com instabilidade, principalmente no que se refere a filmes nacionais, que dependem de incentivos públicos e são muito sazonais --há épocas boas e outras nem tanto. Hoje, além de selecionar produções, após horas em frente à tela de cinema, ela avalia roteiros e portfólios, faz captação de parceiros para projetos e ainda preside a Andai (Associação Nacional dos Distribuidores do Audiovisual Independente), que fundou em 2017.

"Vejo como foi difícil, mas percebo os desafios mais agora do que quando comecei. Acho que fui a primeira mulher a querer distribuir filmes. Eu era muito nova, não tinha nem 30 anos, e, embora tivesse uma trajetória em outras distribuidoras, comecei meu negócio com cineastas novos que não eram conhecidos e que ainda queriam renovar o cinema brasileiro", diz Silvia.

Depois de nove anos, a Vitrine Filmes possui em seu catálogo 150 títulos de longa-metragem, sendo que só no ano passado lançou 27 filmes. Seu foco é o cinema nacional independente, mas produções estrangeiras, escolhidas em festivais, eventualmente também são distribuídas pela empresa, que fatura na faixa dos R$ 5,4 milhões ao ano.

Visando expandir sua atuação pelo Brasil, Silvia também conta com um projeto fixo de distribuição coletiva de filmes, com o apoio de parceiros, chamado Sessão Vitrine, presente em 20 capitais e que incentiva a ida aos cinemas por meio de ingressos a preços acessíveis.

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