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Violência contra a mulher

Ela sofreu tentativa de estupro em bar no RJ: "Lutei, mas fiquei sem força"

Ricardo Elias Mota de Oliveira apanhou após ser acusado de tentativa de estupro - Reprodução/WhatsApp
Ricardo Elias Mota de Oliveira apanhou após ser acusado de tentativa de estupro Imagem: Reprodução/WhatsApp

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

26/02/2019 12h24

Uma tentativa de estupro aconteceu enquanto uma mulher usava o banheiro em um tradicional bar no Leblon, área nobre da Zona Sul do Rio, na madrugada de segunda-feira (25). Ela, que tem 32 anos e prefere não ser identificada, foi atacada por um homem, que forçou sua entrada na cabine privada quando ela ia sair e começou a tirar a roupa, enquanto a virava de costas. 

"Na hora em que eu fui abrir o trinco, entrou esse cara, de quase 1,90m, forte. Ele falou: 'agora você vai ver', e eu achei até que ele estava entrando por engano. Usei toda minha força para tentar evitar que ele entrasse e gritei 'me ajuda, me tira daqui'. Eu gritava sem parar, e ele começou a bater na minha boca para eu parar de gritar", conta ela, que foi salva por uma menina que escutou os gritos que vinham do reservado e pediu socorro. 

Joelho de vítima: tentativa de estupro num bar do Rio - Arqueivo Pessoal - Arqueivo Pessoal
A vítima se machucou tentando se defender
Imagem: Arqueivo Pessoal

"Eu tenho 1,70 e menos de 50 kg. Ele era muito forte e eu comecei a sentir minha força acabando. Mas fui socorrida Só conseguia agradecer às pessoas e dizer 'obrigada, você salvou a minha vida'", conta.

Depois de ser surpreendido durante o ataque, seu agressor, identificado como Ricardo Elias Mota de Oliveira, de 28 anos, reagiu como se ela estivesse mentindo. "O cara saiu gritando e me chamando de louca", conta ela, que logo foi amparada pelos presentes no bar. Ricardo Elias foi agredido por homens que estavam no bar e não o deixaram fugir. 

Mais de uma vítima

Depois do ocorrido, outra mulher afirmou ter sido vítima de assédio de Ricardo Elias no bar naquela noite. De acordo com o registro da ocorrência, ela teria ido ao banheiro e estava fazendo uso da pia, que fica em um local comum a homens e mulheres. O agressor encostou nela por trás e a agarrou, a encostou na parede e a imobilizou, mas ela conseguiu escapar por baixo do braço dele, apesar de ele ser bastante alto e forte. 

A jovem que sofreu tentativa de estupro quando tentava sair do banheiro estranhou bastante o comportamento da família dele ao chegar ao local do crime. 

"Quando a mãe dele chegou, eu até fiquei emocionada e falei pra ela: 'Nossa, a única pessoa que eu estou pensando agora é a minha mãe.' Mas ela riu! Aí contei o que tinha acontecido e ela me perguntou de onde que eu conhecia o filho dela e porque eu tinha feito isso! Eu falei que nunca tinha visto o filho dela na vida", contou. 

Espera de horas na delegacia

Todos foram para a 12ª DP, em Copacabana, onde esperaram até o início da manhã para prestar depoimento e, de acordo com a jovem, seu agressor dormiu e foi amparado pela família o tempo todo. 

"A família dele foi bem sem noção. Fiquei muito revoltada. Ninguém chegou e falou assim 'meu filho, o que que você fez?'. Não me pediram desculpa, não fizeram nada. Depois, a irmã dele chegou, falou que ele tinha problema psiquiátrico, mudou a história toda. A irmã queria que eu tirasse a queixa, porque iria prejudicar a família dela", conta ela. 

Ricardo, morador de Brasília, foi preso em flagrante e afirmou, em seu boletim de ocorrência, fazer uso do remédio psiquiátrico controlado Lexapro. Ele afirmou que não tinha agredido fisicamente uma mulher dentro do banheiro e que não se lembrava de ter encostado em outra no corredor. Disse que não se recordava de haver saído do banheiro com a bermuda abaixada e que deve ter sido confundido com outra pessoa. Perda de memória não é listada como possível efeito colateral do medicamento em sua bula. 

Todo o caso aconteceu por volta da 1h da manhã, mas ela só foi liberada às 12h de segunda (25), depois de muito tempo de espera na delegacia e no IML. 

"Se eu não tivesse ido para delegacia com as pessoas do bar, eu teria desistido. Foi muito longa a espera, muito cansativo. E, ainda, a mãe dele entrou na sala na hora do meu depoimento dizendo que a vítima era o filho dela, que havia apanhado, a irmã dele ficou dizendo que eu ia destruir uma família. Houve muita tentativa de intimidação", contou. O rapaz foi autuado por tentativa de estupro e importunação sexual.

Outro lado

Depois de inúmeras tentativas, a Universa conseguiu contato com Eric Trotte, advogado que está representando Ricardo Elias, na tentativa de entrevistar a família. Eric foi categórico em afirmar que a família não deseja se pronunciar. Até o fim desta quarta-feira (27), a defesa enviará nota sobre o caso.

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